Na última sexta-feira, 26, a comissão que representa os bancários do Bandes se reuniu com os negociadores do banco, que apresentou proposta bem abaixo da minuta de reivindicações aprovadas pelos bancários. O banco se comprometeu a cumprir integralmente o acordo a ser firmado com a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), mas não atendeu importantes cláusulas específicas reivindicadas pelos bancários do Bandes. Agora é esperar, em uma próxima negociação, uma proposta final que será submetida à votação junto com o acordo da Fenaban em assembleia dos empregados.
“Após 32 dias da entrega da minuta, a única reivindicação aceita pelo banco que atende à totalidade dos empregados do Bandes é o pagamento do 13º vale-refeição. Se a gente pegar o valor atual do vale (R$ 1.030,26) e dividir por doze, dá um ganho mensal de R$ 85,86 para os bancários, algo insignificante para os cofres do Bandes. Então temos que continuar negociando porque o banco pode avançar muito mais nas propostas”, avalia o diretor do Sindicato Idemar Casagrande. Ele participou da reunião junto com o também diretor do Sindicato Cláudio Merçon (Cacau) e os delegados sindicais Robson Avelino e Eliana Pessotti.
Propostas
Nessa segunda rodada de negociação das cláusulas específicas do Acordo Coletivo – no geral o Bandes segue a Convenção Coletiva dos Bancários – a comissão patronal propôs que o auxílio funeral passe de R$ 1.373,81 para R$ 1.800. O valor ficou abaixo do reivindicado pelos bancários: R$ 11.602,45.
No caso de falecimento do empregado/a, os dependentes terão direito a receber os vales alimentação e refeição (inclusive décimo terceiro) por vinte e quatro meses.
Também foi aumentado para vinte e quatro meses o prazo para recebimento do vale refeição para os afastados em auxílio-doença ou acidente de trabalho. Atualmente, apenas o vale alimentação é por 24 meses e o refeição é por 12 meses.
Abono
Outra cláusula discutida foi a que trata de afastamento do trabalho para acompanhar familiar adoecido. A proposta do banco são quatro dias úteis abonados para acompanhamento de cônjuge e filhos menores de idade em internação hospitalar. Hoje são quatro dias corridos para cada filho menor. Na reivindicação, seriam incluídos, também, dependentes diretos.
Sobre o auxílio saúde/bem-estar/cultura, que hoje é de R$ 145,00 ou até 80% do investimento, mediante comprovação por recibo, o Bandes aceita reajustar pelo índice da Fenaban, porém, não quer colocar no Acordo Coletivo.
Prioridades
O Bandes não avança para todos e em cláusulas importantes. Os representantes dos bancários apontaram três prioridades nas negociações: a necessidade de que o plano de carreira, aprovado pelo banco e apresentado aos empregados, seja referenciado no Acordo Coletivo, admitindo-se que sua revisão se dará sempre com participação do Sindicato; que o auxílio saúde/bem-estar/cultura faça parte do Acordo Coletivo; que seja incluída cláusula de cinco dias de abono para serem usufruídos durante o ano, mediante autorização prévia do gestor.
“Ter o plano de cargos e salários previsto no Acordo Coletivo é uma forma de dar segurança ao bancário, para ele ter previsibilidade na carreira. Também não podemos ficar na dependência do presidente de plantão para assegurar aos bancários o efetivo direito ao auxílio saúde/cultura/bem-estar. Por isso é importante que esses direitos venham para dentro do Acordo. Sobre o abono, estamos falando de qualidade de vida”, afirmou Idelmar Casagrande.

