O grito de “basta de violência, parem de nos matar” ecoou pelas ruas do Centro de Vitória, na tarde desta quarta-feira, 08, no ato do Dia de Luta das Mulheres. Trabalhadoras do campo, da cidade, domésticas, mães, jovens e adolescentes, todas se uniram na mesma marcha para denunciar as diversas formas de violência contra as mulheres e a dificuldade de acesso a direitos fundamentais básicos, como os serviços públicos de saúde, educação, moradia e transporte. A manifestação teve início na Praça Getúlio Vargas e seguiu até o Palácio Anchieta. Bancárias e bancários fortaleceram a manifestação.
Na concentração, o grito por justiça, direitos, igualdade e pelo fim da violência foi expresso por meio de apresentações musicais, de danças e de declamação de poesias. Com cartazes e faixas erguidas, as mulheres seguiram até o Palácio Anchieta, onde novos atos culturais foram realizados. No percurso, as manifestantes dialogaram com a população e comerciantes da região.
“Estamos nas ruas mais uma vez neste 08 de Março para denunciar o machismo que ainda está entranhado na nossa sociedade, que violenta e mata mulheres todos os dias. Nosso grito é pela vida das mulheres e por justiça por aquelas que foram assassinadas apenas por serem mulheres. Não vamos nos calar enquanto o machismo não for derrotado, nossa vida e nossos direitos respeitados. Essa luta é de toda a sociedade”, declarou a diretora do Sindibancários/ES Cláudia Garcia do alto do carro de som que seguia na manifestação.
Luta por direitos
A ausência de creches, postos de saúde, hospitais e transporte público em comunidades menos desenvolvidas ou distantes dos grandes centros são problemas comuns enfrentados por mulheres no Brasil. Ana Paula de Aragão, 44 anos, mora em Barra Seca, no município de São Mateus, e conhece essa realidade bem de perto. Em novembro de 2015, no entanto, ela viu sua condição de vida piorar com o crime ambiental do rompimento da barragem da Vale em Mariana. Hoje, ela é militante do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB).
“Onde moro era uma área pesqueira e nós, mulheres, mexíamos com o pescado. Depois do rompimento da barragem de Mariana desenvolvi vários problemas de saúde. Atualmente recebo uma indenização mensal, mas não é o suficiente para a sobrevivência da minha família. A nossa luta não pode parar e estamos nas ruas hoje reivindicando nossos direitos e a garantia do acesso adequado à saúde e à educação que não temos em nossa comunidade”, contou Ana Paula, que tem orgulho em dizer que é cozinheira no MAB.

Bethânia Emerick
Durante a marcha, a representante da Intersindical Bethânia Emerick também destacou a urgência em derrotar as reformas trabalhista e da Previdência para que hava avanço na garantia dos direitos das trabalhadoras. Bancária do Banco do Banco do Brasil e diretora do Sindibancários/ES, Bethânia falou ainda sobre a desigualdade salarial entre mulheres e homens.
“Representamos a luta daquelas que vieram antes de nós, a da geração de hoje e pela construção da luta das futuras gerações; pois essa luta por um mundo melhor é um processo construído ao longo da história e também por cada um e cada uma de nós que estamos vivenciando o processo. Por isso, hoje ocupamos as ruas buscando um mundo sem opressão e sem exploração, por nenhum direito a menos, pela revogação das reformas trabalhista e da Previdência, por aumento salarial e igualdade salarial entre mulheres e homens, pelo fim da dupla jornada de trabalho, pelo fim da violência às mulheres e da impunidade aos que agridem e matam, pela garantia de acesso à saúde integral das mulheres e pela punição aos que praticaram e financiaram aos atos golpistas: cadeia para Bolsononaro”, bradou Bethânia.
A bandeira de luta pela terra também foi erguida no ato pelas mulheres do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST). Vanderleia dos Santos Barbosa Fonseca, 54 anos, é militante do MST e há oito anos mora com a família em uma barraca de lona em um acampamento em Linhares. Além da moradia precária, ela conta que ainda tem que enfrentar o medo do despejo.

Vanderleia dos Santos, militante do MST
“Digo que nós somos mulheres guerreiras, como muitas. Acordamos às 5h da manhã, temos o trabalho doméstico e trabalhamos na roça com o plantio de hortaliças, café, pimenta, entre outros alimentos. Nosso sonho é conseguir o documento da terra para trabalharmos com segurança, com a garantia de que não seremos despejados. Também sonho com uma casa boa para morar”, confidenciou a agricultora.
*Fotos: Sérgio Cardoso




