Diretores do Sindicato realizaram manifestação nesta manhã nas agências do Santander de Jardim Camburi, em Vitória, e de Cachoeiro de Itapemirim. Os protestos integraram o Dia Nacional de Luta por mais agências, mais bancários contratados, mais segurança nos locais de trabalho e mais respeito.

O Santander está fechando centenas de agências em todo o país. Só em 2022 o banco espanhol fechou 286 agências e 118 postos de atendimento no Brasil. O banco tem apostado em um novo formato de atendimento, sem caixas e sem gerente operacional. Isso causa sobrecarga de trabalho nas poucas agências que mantêm o atendimento tradicional, com filas e mais tempo de espera.

O banco espanhol lucrou R$ 4,7 bilhões em tarifas e pacotes de serviços só nos últimos doze meses encerrados em março. Mesmo assim, empurra a população para o atendimento digital e automatizado. E os problemas são muitos: os sistemas e o aplicativo do banco apresentam constantes problemas operacionais, o que mostra que a aposta do banco nessas ferramentas é apenas uma tentativa de reduzir custos, sem preocupação com a qualidade dos serviços prestados aos clientes.

Outro problema vivido nas agências é o número insuficiente de bancários. No primeiro trimestre deste ano eram 1.150 clientes por empregado, um crescimento na proporção de 11,2% em relação ao mesmo período de 2022.

Não bastasse tudo isso, a negligência com a segurança é flagrante. O Santander retira vigilantes das agências alegando que os locais não movimentam dinheiro e quer remover até portas giratórias, item obrigatório nas unidades do Espírito Santo.

“Nós estamos lutando contra o fechamento de agências, contra a demissão de trabalhadores, contra a retirada das portas de segurança e por mais respeito. O Sindicato luta pelos trabalhadores, mas também por toda a população, que fica prejudicada com poucos funcionários e poucas agências”, afirma o diretor da entidade e membro da Comissão de Organização dos Empregados do Santander (COE/Santander), Cláudio Merçon (Cacau).

A psicóloga Hilda Pereira Aragão, cliente antiga da agência Jardim Camburi, diz que sente na pele a queda no atendimento. “Não tem mais caixa, não tem água, são poucos gerentes, não tem ninguém para dar orientação no caixa eletrônico. É uma desconsideração com funcionários e clientes. Não sei se outros bancos estão nesse nível, mas aqui está assim”, afirma. Ela, que é psicóloga e atende bancários no seu consultório, critica a política de metas: “Isso dá ansiedade, dá pânico. Dá depressão. É muito difícil trabalhar assim sob pressão”.