Nesta quarta-feira, 14, o Sindicato dos Bancários/ES participou da mobilização integrada à agenda nacional do “Dia de Luta Contra as Demissões e os Fechamentos de Agências”. As ações aconteceram nas agências Centro e na praça San Martin, ambas em Vitória. Além das ações presenciais, o Dia de Luta também tem promovido mobilizações nas redes sociais sob a hashtag #AVergonhaContinuaBradesco.

Os dirigentes do Sindicato alertam os funcionários sobre as consequências da política de reestruturação do Bradesco (Fotos: Sérgio Cardoso/Sindibancários/ES)

Nas ações desta manhã, diretores e diretoras do Sindibancários conversaram com bancários e clientes sobre as consequências do fechamento de agências e das demissões em massa. “Essa política só beneficia o Bradesco, que quer aumentar ainda mais suas margens de lucro. A redução dos quadros sobrecarrega o funcionário, sujeito a metas de produtividade cada vez mais abusivas. Compromete também a qualidade do atendimento ofertado ao cliente. O saldo dessa política são clientes insatisfeitos e o aumento do adoecimento dos trabalhadores, submetidos a condições de trabalho cada vez mais precárias, marcadas por metas desumanas e jornadas exaustivas”, critica o diretor do Sindicato Iracélio Lomes. 

O dirigente lembra que as mobilizações do movimento sindical contra as demissões no Bradesco têm sido recorrentes, iniciadas antes mesmo da pandemia. “As demissões e o fechamento de agências é um problema crônico e não há nenhuma sinalização por parte do banco em rever essa política”. Iracélio relembra que na última reunião da Comissão de Organização dos Empregados (COE), no final de maio, a questão foi levada à mesa de discussão, mas o banco se manteve intransigente em manter sua política de cortes. 

Dirigentes do Sindicato entregaram aos clientes um panfleto explicativo sobre o direito de exigir o acesso ao atendimento dos serviços de caixa (Fotos: Sérgio Cardoso/Sindibancários/ES)

Nos últimos cinco anos (2018 a 2022), o lucro acumulado do Bradesco ultrapassou a impressionante marca de R$ 113 bilhões – média de R$ 22,7 bilhões por ano. Em 2021, no auge da pandemia, o Bradesco atingiu o lucro recorde de R$ 26,2 bilhões. Na mídia, o Bradesco comemorou o resultado e creditou parte do sucesso à política de reestruturação do banco, com os cortes de pessoal e fechamento de agências. À época, o Bradesco informou que havia economizado R$ 3,2 bilhões com aluguéis, folha de pagamento, marketing, seguros, materiais de escritório e impostos, que equivalem a 6,6% das despesas operacionais. 

Somente no ano passado o Bradesco registrou lucro de R$ 20,7 bilhões e cortou 1.276 postos de trabalho e fechou 93 agências e 174 unidades de negócios. 

Clientes barrados
Nas mobilizações, o Sindicato também tem alertado os clientes sobre o direito ao atendimento presencial nas agências. “Com cada vez menos unidades e pessoal, o Bradesco tem literalmente barrados os clientes que buscam o atendimento na boca do caixa”, afirma o diretor Ricardo Rios. O dirigente alerta que a prática fere a Resolução nº 4.746, de 29/08/2019, do Conselho Monetário Nacional (CMN), que veda às instituições financeiras “impedir o acesso, recusar, dificultar ou impor restrição ao atendimento presencial em suas dependências”. “Estamos orientando os clientes que se sentirem cerceados desse direito que denunciem aos órgãos competentes”. diz Ricardo Rios. 

Com acesso ao atendimento bancário negado nas agências do Bradesco, os clientes são direcionados para os correspondentes bancários, especialmente para o Bradesco Expresso, unidades em que o atendimento não é feito por bancários, mas por trabalhadores contratados de maneira precarizada por outras empresas. “Além das condições precárias de trabalho, nos correspondentes não há segurança nem conforto para trabalhadores e clientes. Mais uma vez, o Bradesco mostra que o lucro vale mais que o bem-estar e as vidas das pessoas”, protesta Ricardo Rios.

Confira abaixo as fotos do Dia Nacional de Luta
(Fotos: Sérgio Cardoso/Sindibancários/ES)