Sobrecarga gera insatisfação e adoecimento emocional em mulheres, diz estudo

26/10/2023 14:47

Mulheres convivem com estresse, irritabilidade, sonolência, fadiga, baixa autoestima, insônia e tristeza. As causas apontadas por elas são principalmente a sobrecarga, a insatisfação no trabalho e a falta de dinheiro

Você já se sentiu sufocada, desorientada ou simplesmente estafada diante das tarefas que compõem a sua rotina? O estudo “Esgotadas”, publicado pelo Laboratório Think Olga, traz dados atualizados de como a sobrecarga tem levado mulheres ao adoecimento emocional.

Segundo a pesquisa, 45% das mulheres brasileiras já foram diagnosticadas com ansiedade, depressão ou algum transtorno mental, convivendo com sintomas de estresse, irritabilidade, sonolência, fadiga, baixa autoestima, insônia e tristeza. As causas apontadas por elas são principalmente a sobrecarga, a insatisfação no trabalho e a falta de dinheiro.

Para a diretora do Sindibancários/ES Cláudia Garcia, os dados são sintomáticos de como as desvantagens sociais e de gênero se relacionam com a saúde feminina.

“A maioria das famílias brasileiras (50,8%, segundo o IBGE) é chefiada por mulheres e elas são as que mais sofrem com o desemprego no mercado de trabalho. Nos últimos anos o Brasil bateu recorde de inflação e de desemprego, indicadores que estamos melhorando muito lentamente. Com esse cenário econômico e o enfraquecimento das políticas públicas, o endividamento das famílias chegou a 80%. Não é estranho, portanto, que as questões financeiras sejam motivo de preocupação e pressão emocional para tantas brasileiras”, pondera a diretora.

A pesquisa procurou saber sobre a satisfação das mulheres em diversas áreas da vida e quais delas têm gerado mais sofrimento e impacto na sua saúde emocional. A resposta foi chocante e mostrou que muitas mulheres vivem insatisfeitas em todas as dimensões da vida. O índice de satisfação foi de apenas 32% nas relações amorosas; 30% nas relações familiares, 27% em relação à autoestima; 24% na relação com a comunidade e amizades; 24% em saúde emocional; 24% na relação com o trabalho; 21% na capacidade de conciliar diferentes áreas da vida e 14% em relação à situação financeira.

Mulheres querem melhor remuneração e mudanças no trabalho

Falta de dinheiro e sobrecarga de trabalho são as questões mais associadas aos problemas de saúde emocional entre as brasileiras: 60% delas desejam mudar a sua situação financeira e 30% querem mudanças no trabalho. Além da baixa remuneração, elas reclamam da sobrecarga de trabalho doméstico, de jornada excessiva, da falta de reconhecimento e da impossibilidade de crescer na carreira profissional.

“É uma realidade conhecida por muitas bancárias que precisam se desdobrar entre o banco e o cuidado com a família. O cansaço e a pressão por metas, que atingem todos os bancários, pesam mais sobre as mulheres quando considerada a dupla ou até a tripla jornada”, diz Cláudia. “Muitas ainda são alvo de violências machistas no ambiente de trabalho que atrapalham o seu desempenho e afetam o lado emocional, como o assédio sexual”, conclui.

A pesquisa também mostra diferenças significativas entre mulheres brancas e negras que reforçam o impacto do racismo na sociedade brasileira. Enquanto 39% das mulheres brancas se dizem insatisfeitas com a sua situação financeira, entre as pretas e pardas esse percentual sobe para 54%.

A informação condiz com outros indicadores socioeconômicos. De acordo com o IBGE, em 2021, quase um em cada três brasileiros estavam na pobreza, segundo o Banco Mundial, e a proporção de pessoas pobres era de 18,6% entre os brancos e praticamente o dobro entre pretos (34,5%) e pardos (38,4%).

“Quanto maior a vulnerabilidade socioeconômica, maior a vulnerabilidade emocional e a vulnerabilidade em saúde mental”, explica Juliane Callegaro Borsa, psicóloga especialista em saúde mental feminina que analisou os dados da pesquisa a convite do Laboratório Think Olga.

A pesquisa ouviu 1.078 mulheres com mais de 18 anos de todas as classes e regiões do país, entre os dias 12 e 26 de maio de 2023. A margem de erro é de 3 pontos percentuais e o intervalo de confiança é de 95%.

Encontro Estadual da Mulher Bancária

Diversos aspectos das relações de gênero na sociedade capitalista, no mundo do trabalho e na categoria bancária serão debatidos no IV Encontro Estadual das Mulheres Bancárias, que acontecerá nos dias 10 e 11 de novembro, no Centro Sindical, em Vitória.  O evento traz o tema “Nada sem nós, porque tudo é sobre nós”, e, além dos debates, terá uma programação recheada com teatro, música e oficinas. Mães que levarem seus filhos contarão com creche durante o sábado, e bancárias do interior terão direito a hospedagem e transporte gratuitos, desde que solicitados na ficha de inscrição. Confira a programação e outras informações.