BB iguala Itaú e chega a R$ 26 bilhões de lucro em nove meses

09/11/2023 17:57

O resultado do 3º trimestre deste ano ficou em R$ 8,8 bilhões, 4,5% maior no comparativo com o mesmo período do ano passado. À medida que o lucro do Banco do Brasil cresce, dispara também o adoecimento dos funcionários, que sofrem com a cobrança abusiva de metas

Os analistas de mercado já olham para Itaú e Banco do Brasil como os dois principais rivais quando o assunto é lucro. Hoje os dois bancos abriram larga vantagem sobre os concorrentes Bradesco em Santander e disputam palmo a palmo a liderança do ranking de quem lucra mais. Para se ter uma ideia do acirramento da disputa, BB e Itaú acumularam nos nove primeiros meses do ano idênticos R$ 26,1 bilhões. No ano passado, o BB levou a melhor: R$ 31,8 bilhões contra R$ 30,8 bilhões do Itaú. O BB fechou o 3º trimestre do ano com lucro de R$ 8,8 bilhões , R$ 200 milhões a menos que o Itaú. O BB só não superou o concorrente no terceiro trimestre, como previa o mercado, porque aumentou a provisão para devedores duvidosos (PDD) em R$ 507 milhões por causa do calote que tomou das Americanas. 

“À medida que o lucro do Banco do Brasil cresce, dispara também o adoecimento dos funcionários e das funcionárias, que são cada vez mais pressionados para cumprir metas intangíveis”, critica a dirigente do Sindicato dos Bancários/ES Goretti Barone. Ela acrescenta que o fato de o BB estar em pé de igualdade com o maior banco privado do país deixa dois questionamentos: “O quanto esses resultados recordes estão contribuindo para o desenvolvimento do país? Será que o lucro de R$ 26 bilhões em nove meses está gerando emprego e renda para a classe trabalhadora ou apenas enriquecendo os investidores que colhem juros e dividendos sobre esses resultados?”. 

Goretti diz que o BB tem se afastado do seu papel social, ficando cada vez mais com cara de banco privado, que tem o lucro como única meta. “O lucro, que à primeira vista reluz, não deveria ofuscar o papel estratégico do BB como agente de desenvolvimento econômico e social deste país. O banco tem de assegurar um atendimento inclusivo tanto nas regiões urbanas como rurais, levando crédito aos segmentos mais vulneráveis”. 

A sindicalista defende ainda que o BB trate seus trabalhadores e trabalhadoras com dignidade e respeito, portanto, sem assédio. “A cobrança de metas é uma forma de assédio moral que tem levado os funcionários ao adoecimento, sobretudo o mental. A governança do banco precisa garantir que os funcionários trabalhem num ambiente saudável. Metas e ambiente saudável de trabalho definitivamente são incompatíveis”, assinala Goretti. 

Demissões
A dirigente do Sindibancários diz ainda que não é só em relação ao lucro que o Banco do Brasil se parece cada vez mais com os concorrentes privados. Ela lembra que nos últimos anos o BB também vem promovendo o fechamento de postos de trabalho e agências em ritmo semelhante ao do Itaú, Bradesco e Santander. “Os programas de demissão voluntária também têm sido recorrentes no BB. Só em 2021, sob o governo Bolsonaro, foram desligados mais de 1.400 funcionários e fechadas 108 agências. Ora, é preciso lembrar que o BB é uma empresa pública de economia mista cuja União é ainda a acionista majoritária. Neste momento de reconstrução do Brasil, precisamos gerar empregos e não fechar postos de trabalho. Só assim retomaremos o desenvolvimento socioeconômico do país”, pontua Goretti. 

Confira abaixo o resultado do BB do 3º trimestre de 2023