Nesta sexta-feira, 24, os capixabas acompanharam atônitos a repercussão na imprensa de um sequestro de uma jovem de 18 anos pelo ex-companheiro, Lucas Ribeiro de Souza, de 23 anos, no bairro Castelo Branco, em Cariacica. Imagens de vídeo registraram quando a vítima foi abordada. Ela se dirigia a pé para o trabalho em uma rua movimentada, por volta das 7h40 da manhã, e foi surpreendida pelo ex-companheiro, que desceu de um carro e conseguiu arrastá-la para dentro do veículo. Nada foi feito pelos que presenciaram o sequestro.
O crime aconteceu na véspera do Dia Internacional pela Eliminação da Violência Contra a Mulher, celebrado neste sábado, 25 de novembro. “Diariamente vemos casos de violência como esse ou ainda mais graves, que terminam com a morte de mulheres por seus familiares. É a prova cotidiana de como a luta das mulheres é urgente e precisa mobilizar toda a sociedade”, diz a diretora Cláudia Garcia de Carvalho, Secretária de Mulheres do Sindibancários/ES.
De acordo com o jornal A Gazeta, Lucas de Souza manteve a vítima presa por duas horas. Ele foi convencido a liberá-la, tentou fugir, mas foi localizado e preso ainda na parte da manhã. Ele se recusava a aceitar o término do relacionamento. Em depoimento ao jornal, a vítima relatou seu desespero: “Achei que ia morrer. Ele dizia o tempo todo que ia me matar”, disse.
O medo expresso por essa jovem, infelizmente, é justificado pelas estatísticas. No Brasil, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2023, uma mulher é morta por feminicídio a cada seis horas, em média. São quatro mulheres assassinadas por dia por motivação de gênero. Do total de 1437 casos de feminicídio registrados em 2022, o Espírito Santo responde por 33. E as estatísticas mais recentes continuam preocupantes. Nos quatro primeiros meses de 2023, foram emitidas 4.218 medidas protetivas a vítimas de violência no Estado, uma média de 1.054 por mês e 35 por dia. O número representa um aumento de 22% em relação ao mesmo período do ano passado. E de janeiro a abril, 31 mulheres foram assassinadas, sendo 10 desses assassinatos classificados como feminicídio, de acordo com a Secretaria de Segurança Pública (Sesp).

Feminicídio também foi pauta no 8 de março de 2023, Dia Internacional de Luta das Mulheres
“Nesse 25 de novembro, queremos cobrar mais uma vez medidas efetivas de combate à violência contra a mulher, e destacar que esse debate vai muito além da pauta de segurança pública. Precisamos de ações que garantam trabalho digno para as mulheres, equidade salarial, políticas de assistência social, saúde e educação para elas e para suas famílias e segurança em todos os aspectos”, ressalta a diretora Cláudia Garcia.

Bancárias participam de ato durante o 8 de março, no Centro de Vitória
Canal de denúncia para bancárias
Desde a Convenção Coletiva de 2020, as mulheres da categoria contam com um canal interno para denúncias de casos de violência. Nos primeiros dois anos, o canal recebeu em média 11 denúncias de violência doméstica ou familiar a cada mês, totalizando 273 atendimentos no período. Desse total, 11 bancárias tiveram que ser transferidas da sua localidade de trabalho para viver em condição de segurança.
“Estamos lutando na mesa de negociação permanente para garantir novos e maiores avanços na pauta de igualdade de oportunidades, e todos os instrumentos de apoio e proteção que conquistamos devem ser utilizados. A violência doméstica tem impacto severo na saúde emocional das mulheres e também nas relações de trabalho, e é fundamental ter um canal seguro para tratar desse assunto tão delicado no ambiente de trabalho”, afirma Cláudia.
Com informações de A Gazeta e G1

