A Comissão de Organização dos Empregados (COE) do Santander se reuniu com a direção do banco, na tarde desta terça-feira (6), para cobrar explicações quanto ao processo de reestruturação na rede nacional de agências, batizado de Multicanalidade.

O Santander publicou um comunicado no dia 22 de janeiro para informar que os gerentes Van Gogh e os gerentes de empresa, não frequentarão mais as agências. Os gerentes Empresas passarão a maior parte do tempo visitando seus clientes e os Van Gogh farão visitas e atendimentos pela plataforma digital. Houve também uma mudança na carteira de clientes. A divisão foi feita baseada num diâmetro de cinco quilômetros da residência de cada um.

A COE cobrou respeito às cláusulas do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT). A Comissão apresentou diversos pontos de preocupação com as mudanças de alto impacto para os trabalhadores. A primeira é a falta de treinamento para os GNS.

Para o dirigente do Sindibancários Cláudio Merçon (Cacau), o Santander está, mais uma vez, desrespeitando trabalhadores. “São mudanças de alto impacto para os trabalhadores que não foram devidamente discutidas com os clientes e os trabalhadores. As pessoas não tem treinamento e vão ficando cada vez mais sobrecarregadas. Precisamos nos lembrar que o Santander é campeão de assédio moral, e isolar os trabalhadores é uma ferramenta para que esse assédio ocorra cada vez mais impunemente”, declara Cacau.

Quanto aos gerentes Van Gogh e Empresas, o movimento sindical questionou as condições de segurança dos trabalhadores. “Eles andarão a todo momento perto das suas casas. Todo mundo saberá quem eles são e qual o cargo que ocupam. Além disso, eles precisam de condições para fazer o trabalho, como um chip ou celular exclusivo do banco, uma mochila para carregar todo o equipamento necessário e convênio no Uber Corporativo para a realização das visitas aos clientes”, alertou a coordenadora da COE, Wanessa Queiroz. “O objetivo é fazer adequação da rede, melhorar a plataforma digital, mas não houve nenhum investimento para melhorar o espaço de trabalho dos funcionários”, completou.

A justificativa do banco é que o cenário do sistema financeiro está sendo reconfigurado, devido a mudança do perfil dos clientes e dos meios de pagamento. O objetivo do Santander é ser, nos próximos 10 anos, o banco de preferência dos seus clientes, considerando que hoje no mercado grande parte dos brasileiros usam mais de um banco.

O cliente que optar pelo atendimento presencial será recebido nas agências pelo Gerente de Negócios e Serviços (GNS) ou pelo Líder da agência.

O Santander garantiu que irá contratar 600 bancários para o cargo de GNS em todo o Brasil para atender as demandas na rede de agências e irá oferecer cursos e treinamentos para os novos e os que já estão no atendimento aos segmentos Van Gogh e Empresas.

Uma nova reunião foi agendada para o dia 22 de fevereiro, quando o banco se comprometeu a responder a todas as reivindicações. No entanto, já sinalizou a disposição de fornecer um chip ou um aparelho celular, uma mochila de transporte adequada, um plano de Uber Corporativo e criar alguns pontos de encontro em diversas localidades, nomeados de hub, para que os gerentes possam trabalhar de lá.

Com informações da Contraf