O Santander viu seus resultados oscilarem em 2023. O lucro, naquele ano, teve uma queda 27,7% em relação a 2022 – caiu de R$ 12,9 bilhões para R$ 9,3 bilhões. Motivo: o calote que o banco tomou das Americanas. O resultado do primeiro trimestre deste ano (1T24), no entanto, aponta que o banco já superou o efeito Americanas e voltou a registrar alta no lucro, que atingiu R$ 3,02 bilhões, 41,2% superior ao do mesmo período de 2023, e 37,1% em relação ao trimestre imediatamente anterior (4T23). O resultado foi 16% maior ao estimado pelo mercado.
“Há um alarde no mercado, que repercute fortemente na imprensa especializada, em dar contornos dramáticos a qualquer tropeço dos bancos, como ocorreu com o Santander em 2023. Ora, a redução da margem de lucro, não significa que a instituição mergulhou numa crise sem precedentes. Oscilações fazem parte do mercado financeiro. O Santander arriscou numa operação de crédito com a Americanas e pagou o preço. Faz parte do jogo”, afirma o dirigente do Sindibancários/ES e da Fetraf RJ/ES Cláudio Merçon (Cacau).
No quesito lucro, continua o dirigente, os bancos não têm do que reclamar. “Não podemos esquecer que os bancos tiveram lucro recorde durante a pandemia da covid-19, que abalou as finanças de boa parte das empresas mundo afora. Os bancos ganham de todo jeito, com inflação alta ou baixa, com desemprego em alta ou com pleno emprego, com a Selic nas alturas ou estável”, assinala Cacau.
Outros dados do resultado 1T24
O retorno sobre o patrimônio do banco (ROAE) ficou em 14,1%, o que representou um acréscimo de 3,5 pontos percentuais (p.p.) em 12 meses. Segundo o Santander, o resultado “está fundamentado na evolução da margem, evidenciando a nossa retomada do crescimento, aumento da nossa carteira de crédito no varejo e melhora do custo de crédito.” O lucro do período no Brasil representou 19,7% do lucro global do banco, de € 2,852 bilhões, 19,6% em 12 meses.
A holding Santander Brasil fechou 2022 com 55.210 empregados. Neste ano, foram fechados 400 postos em relação ao trimestre anterior. A base de clientes aumentou em 4 milhões em relação a março de 2023, totalizando 67,1 milhões. Em relação à estrutura física, foram fechados 374 pontos de atendimento (incluindo agências físicas, postos de atendimento bancário e lojas) em 12 meses (89 no trimestre).
Contratação fraudulenta
Sem qualquer comunicação prévia ao movimento sindical, o Santander decidiu migrar a área de crédito consignado para a empresa SX Tools, do grupo. Os trabalhadores foram comunicados nessa terça-feira (30) que serão transferidos para a empresa do grupo a partir desta semana. Os funcionários permanecerão lotados no mesmo prédio, em São Paulo, e desempenhando as mesmas funções.
Cacau diz que a migração para uma terceirizada do grupo é uma fraude na contratação. “Essa migração está afetando os colegas de São Paulo, mas é pedagógica para mostrar que o Santander não respeita seus funcionários”. Cacau adverte que com a transferência para a SX Tools, os trabalhadores não terão as garantias da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) bancária, que assegura direitos como PLR, VA e VR, auxílio-creche e outras conquistas. “Com a migração, as relações de trabalho são precarizadas e os gastos com pessoal caem, aumentando ainda mais as margens de lucro do Santander. Para o Santander, o lucro está acima dos trabalhadores e das trabalhadoras”, critica.
O dirigente afirma ainda que a postura adotada com relação aos seus funcionários mostra que o banco mantém o espírito colonizador dos espanhóis com os povos da América. “O banco continua reproduzindo a relação colonial de opressor versus oprimido. Eles precisam entender que o colonialismo acabou. O Brasil não é quintal do banco espanhol. Os bancários e as bancárias do Santander estão sendo vítimas de um vilipêndio dos seus direitos trabalhistas”, enfatiza Cacau, que completa: “Não podemos aceitar que o Santander continue desrespeitando seus trabalhadores”, finaliza.

