O Encontro Nacional dos Funcionários do Itaú reuniu, nesta quinta-feira (6), bancários e bancárias de todo o Brasil para aprovar a pauta de reivindicações específica. Defesa do emprego bancário, respeito à saúde, melhores condições de trabalho, valorização salarial, segurança bancária, respeito à diversidade e convênio médico estão entre as principais reivindicações aprovadas.
O documento será debatido na 26ª Conferência Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro, realizado até domingo (09), em São Paulo, e posteriormente entregue ao banco. Os bancários e bancárias capixabas do Itaú foram representados pelos dirigentes do Sindibancários/ES Carlos Pereira de Araújo (Carlão) e Alcendino Anderson dos Santos (Sãozinho). O fim das metas e das demissões imotivadas foram as questões centrais defendidas pelos delegados capixabas durante o encontro.

Dirigentes do Sindibancários/ES, Carlos Pereira de Araújo (Carlão) e Alcendino dos Santos (Sãozinho)
“A questão da saúde, das condições de trabalho e a defesa do emprego bancário são nossos principais desafios. Fizemos, inclusive, esse debate com o diretor do Itaú Daniel Pastore que estava presente no encontro. Precisamos jogar pesado na negociação específica com o Itaú e com a Fenaban”, enfatizou Carlão. O modelo de gestão do Itaú também foi criticado pelo dirigente, que apontou o adoecimento da categoria bancária como principal consequência da cobrança de metas.
“A estratégia do banco é demitir quem não bate as metas. Por isso, reafirmamos nossa reivindicação pelo fim das metas. Os bancos alegam que a gestão é privada, mas denunciamos que é perversa, autoritária e está adoecendo os trabalhadores bancários. Destacamos que o modelo de gestão, portanto, é sim da nossa conta, das entidades sindicais que representam os bancários. Defendemos que as equipes, sobretudo nas agências, têm que ter poder de definir o que é possível ou não, ou seja, é preciso considerar quem executa o planejamento do ponto de vista dos desafios. Por isso defendemos o fim das metas, pois elas são expressão desse ambiente tóxico, depressivo e adoecedor”, afirmou Carlão.
Debates
O primeiro debate do encontro abordou as questões políticas e econômicas da atual conjuntura. A mesa contou com a participação de Ivone Maria da Silva, presidenta do Instituto Lula, que apontou o crescimento do fascismo como um fenômeno recente e preocupante, exacerbado pelo governo Bolsonaro. Ivone também ressaltou a necessidade de aprender com os desafios enfrentados nos últimos anos. “Temos também de avançar em pautas fundamentais para o nosso dia a dia, como da diversidade, dos direitos dos LGBT+, das mulheres, de raça e dos PCDs”.
O encontro também contou com uma análise do balanço do primeiro trimestre da holding Itaú e dos dados de 2023, feita pela economista e técnica do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Cátia Uehara. e debates sobre as ações do Grupo de Trabalho (GT) de Saúde e sobre diversidade e segurança bancária.
Ao final do evento foram escolhidas as novas coordenadoras da COE Itaú encontro: Valeska Pincovai e Maria Izabel Menezes. Valeska apontou os desafios com o avanço tecnológico, a criação e propagação da inteligência artificial, e a disputa dos bancos e fintechs no mercado financeiro.
“O fechamento de postos de trabalho e a mudança de modelo bancário afetam os trabalhadores bancários que estão sendo pressionados o tempo todo. Espero que consigamos passar por estas mudanças de uma maneira humana, apesar da IA, na construção de saídas conjuntas por um melhor ambiente de trabalho, com respeito e preservação de direitos, criação de alternativas para conter os desligamentos e gerar novos postos de trabalho, tudo isso articulado com os sindicatos e os trabalhadores bancários de todo país.”
Isabel apontou como o grande compromisso de assumir a coordenação é manter o diálogo com o banco. “Estamos enfrentando momentos difíceis, com fechamento de agências e demissões. Queremos, com muita luta e negociação, conquistar novos direitos. Este é o grande desafio”.

