O Santander registrou lucro líquido ajustado de R$ 3,3 bilhões no segundo trimestre deste ano, alta de 44,3% em relação ao mesmo período de 2023. O resultado, que ficou acima das projeções do mercado, aponta que o banco já superou o calote das Americanas e deve seguir com o lucro ascendente no segundo semestre. A rentabilidade sobre o patrimônio líquido (roe) ficou em 15,5%; a margem financeira alcançou R$ 14,8 bilhões – salto de 10,6% no ano. O lucro ascendente e os indicadores mais consistentes, porém, não afastaram as ameaças de demissões. Nas mesas de negociações com o banco para a construção do acordo específico, dentro da Campanha Nacional dos Bancários, os trabalhadores têm pedido o fim das demissões.  

A dirigente do Sindibancários/ES Cláudia Garcia chamou atenção para a contradição do lucro ascendente e a insensibilidade do banco para atender uma das principais reivindicações dos empregados: a defesa do emprego. Ela afirmou que, não por acaso, a Comissão de Organização dos Empregados (COE) do Santander, nas mesas de negociações deste ano, concentra seus esforços para incluir no acordo específico novas cláusulas para a proteção dos empregados.

Nas mesas, como apontou a dirigente, os representantes dos trabalhadores têm cobrado do banco o fim das demissões. A pressão para a manutenção dos postos de trabalho e a garantia de direitos têm sido pilares fundamentais para a COE nas negociações deste ano.

Cláudia relembrou da recente manobra do Santander de demitir os funcionários e depois contratá-los em condições precarizadas. A dirigente se refere à decisão do banco, do primeiro semestre deste ano, de migrar a área de crédito consignado para a empresa SX Tools, também do grupo, caracterizando claramente uma fraude na contratação. “Essa migração precariza as relações de trabalho. O objetivo do banco é reduzir  gastos com pessoal para aumentar ainda mais as margens de lucro. Pelo resultado do segundo trimestre, parece que a estratégia está funcionando”, criticou Cláudia. 

A COE tem denunciado que há um clima de apreensão entre os empregados. Mais de 56% dos trabalhadores do Santander afirmam viver num clima apreensivo, temendo demissões e contratações fraudulentas de mão de obra. 

Os integrantes da Comissão dos empregados pediram que o banco apresente, na próxima reunião, os números de desligados da categoria, de demitidos como bancários e admitidos como terceirizados das empresas coligadas.