O Santander pretende abolir o registro de ponto dos chamados gerentes de contas PJ (empresariais). O banco alega que a mudança dará mais flexibilidade para que os gerentes administrem sua rotina e horários de trabalho de acordo com as demandas dos clientes.
Para Claudio Merçon (Cacau), dirigente do Sindicato dos Bancários/ES e membro da Comissão de Organização dos Empregados (COE-Santander), a medida deve prejudicar os bancários. “O movimento sindical interpreta essa imposição do Santander como mais um ataque aos trabalhadores do banco. Primeiramente, é temerário que o banco promova uma mudança que irá afetar diretamente os funcionários sem o devido debate com os sindicatos. Ora, temos uma Convenção Coletiva de Trabalho e um Acordo Coletivo que não podem ser atropelados por mera conveniência do banco”, critica Cacau.
O dirigente acrescenta que a mudança deve implicar em aumento da jornada de trabalho. “Parece bastante óbvio que o funcionário arcará com o ônus dessa medida. Os gerentes vão acabar extrapolando as oitos horas diárias de trabalho e essas horas não serão pagas como extras. Sem contar que é mais uma medida que tem impacto na saúde mental do trabalhador”.
Cacau afirma que o fechamento de postos de trabalho e agências representa sobrecarga de trabalho. “Há cada vez menos bancários e o trabalho está cada vez mais intenso, com a cobrança de metas mais abusivas. O resultado desse modelo de gestão perverso é o adoecimento em massa dos funcionários e das funcionárias do Santander”, adverte.
Os representantes da COE já pediram o agendamento de uma reunião para discutir a medida. “Como não houve discussão prévia com o movimento sindical, os funcionários estão apreensivos. Repito, promover uma mudança que afeta os trabalhadores sem discussão prévia com o movimento sindical é uma afronta aos funcionários, às representações sindicais e de empregados, à CCT e ao acordo específico”, ressalta Cacau.

