Centenas de mulheres capixabas do campo e da cidade foram às ruas do Centro de Vitória nesta sexta-feira (07) e juntas ecoaram o grito de basta de feminicídio, de machismo, de racismo e de violação de direitos. O ato político-cultural foi alusivo ao Dia Internacional de Luta das Mulheres – 08 de março – e organizado por diversos movimentos feministas do Espírito Santo. As mulheres se concentraram na Praça Costa Pereira com bandeiras e faixas de luta e em seguida marcharam até o Museu Capixaba do Negro (Mucane), no Parque Moscoso.

Durante todo o ato, lideranças feministas discursaram sobre as principais pautas da luta das mulheres, como a garantia de políticas públicas de inclusão social, de promoção da igualdade de gênero, o fim da violência contra as mulheres, da escala 6×1, da fome e dos altos preços.

“O Sindicato dos Bancários do Espírito Santo se une todas as mulheres nesta data, que resgata a luta de mulheres que se sacrificaram e batalharam para conquistar o mínimo de dignidade que temos hoje. Não podemos desistir de lutar. Hoje dizemos basta de escala 6×1 e reivindicamos uma escala de trabalho menor sem redução de salário. É inadmissível que essa exploração continue na nossa sociedade. Também exigimos o fim da fome e dos altos preços. É urgente que sejam implantadas políticas de combate à inflação dos alimentos, para que todos e todas tenham acesso ao básico necessário para comer. E não podemos esquecer dos juros altos, que corrói nosso poder de compra e afeta nossa qualidade de vida. Clamamos pela reforma agrária, queremos alimentos baratos e saudáveis e a valorização das mulheres do campo, essenciais na nossa sociedade. Seguimos juntas na luta até que todas nossas reivindicações sejam atendidas”, destacou a diretora do Sindibancários/ES Bethania Emerick.

Giovania Cordeira Duarte

As trabalhadoras rurais também levaram suas bandeiras para as ruas do centro da Capital. Giovania Cordeira Duarte, integrante do Movimento dos Sem Terra (MST) e moradora do acampamento Índio Galdino, em Aracruz, falou sobre a luta pela reforma agrária e os desafios das mulheres do campo.
“Estamos na luta pela reforma agrária há 14 anos, resistindo no acampamento. Enquanto mulheres do campo ainda sofremos com a ausência de políticas públicas. Nosso acampamento foi todo construído pelas famílias e ainda lutamos pelo acesso à saúde e à educação. Para nós estar aqui em ato como esse é importante para dizer para toda sociedade o que queremos. E o que queremos é mudança social e a garantia de igualdade de direitos para nós, mulheres”, declarou.

Pelo fim do feminicídio

A luta pelo fim da violência contra a mulher foi uma das principais bandeiras do ato. No Brasil, 258.941 mulheres foram vítimas de violência doméstica em 2023. Desse total, 2.455 vítimas eram do Espírito Santo. O número de feminicídios no mesmo ano cresceu 0,8% em relação a 2022. Foram 1.467 mulheres assassinadas simplesmente pelo fato de serem mulheres. Esse é o maior número registrado desde 2015, quando foi publicada a lei nº 13.104/2015 que tipifica o crime de feminicídio. Os dados são do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2024.

Vanessa Espíndula“Feminismo é lutar por direitos e por oportunidades iguais entre homens e mulheres. O feminismo nunca matou, mas o machismo mata todos os dias. Hoje ocupamos as ruas para dizer não ao machismo e ao feminicídio”, bradou a dirigente do Sindicado dos Bancários/ES Vanessa Espíndula, também representante da Intersindical.

Marta dos Santos

Integrante do MST, Marta dos Santos esteve presente nas ruas ao lado das companheiras do movimento e falou sobre a violência contra as mulheres no campo. “Nos unimos hoje para lutar contra o feminicídio, o trabalho escravo de mulheres e por direitos iguais. Infelizmente, o feminicídio no campo ainda é uma triste realidade, mas não é tão divulgado como os casos que ocorrem nas cidades. No nosso acampamento nos organizamos e realizamos um trabalho de conscientização com todas as companheiras. Essa luta é de todas nós”, frisou Marta que está há dois anos no acampamento Padre Gabriel em Aracruz.

O ato desta sexta-feira (07) marca o Dia Internacional da Mulher, mas a organização das mulheres em defesa da vida e de uma sociedade livre do machismo que violenta e mata segue para além da data, como destaca Bethania.

“Queremos um mundo em que as mulheres sejam protagonistas da sua própria história, onde todas as pessoas sejam tratadas com respeito independente do seu gênero, raça, orientação sexual ou qualquer escolha que façam. Queremos um mundo em que meninas e mulheres não sejam violentadas e mortas pelo simples fato de serem mulheres. A luta por um futuro melhor é um processo contínuo, moldado pela história e pelas ações de cada uma de nós. Hoje levamos essas ações a um outro patamar. Queremos todas vivas e com direitos garantidos. Queremos viver sem medo”.

Confira fotos do ato