
Momento em que os diretores e diretoras empossados fazem a leitura do termo de compromisso (Fotos: Sérgio Cardoso/Sindibancários/ES)
“Se muito vale o já feito, mas vale o que será”. Foi com essa frase de Milton Nascimento que a jornalista Sueli Freitas, que fazia as vezes de mestre de cerimônia, abriu no último sábado (31), no Centro Sindical, em Vitória, a cerimônia de posse do novo Sistema Diretivo do Sindicato dos Bancários/ES. Claudio Bastos, que presidiu a Comissão Eleitoral ao lado Raphael Dantas Barcelos e Paulo do Nascimento, declarou que o processo eleitoral foi conduzido rigorosamente de acordo com o estatuto da entidade. Em seguida, ele empossou oficialmente os 64 diretores e diretoras da chapa “Sindicato é pra Lutar – O Futuro se Faz Juntos e Agora”. Os empossados irão representar a categoria bancária capixaba no quadriênio 2025 – 2029. O evento também marcou a despedida de 10 dirigentes e registrou uma homenagem póstuma a dois diretores do Sindicato.
Rita Lima, que esteve à frente do Sindicato na gestão 2021 – 2025, após agradecer a presença dos mais de 300 convidados, disse o quanto aquele dia era especial para ela. “É um dia especial porque simboliza um novo ciclo. “Um novo ciclo de desafios, de propostas e também de trabalho para essa nova diretoria que assume”. Rita, que na nova diretoria assume a Secretaria de Comunicação, relembrou das dificuldades da sua gestão, destacando a pandemia da covid e os ataques do governo Bolsonaro à classe trabalhadora. “Não foram fáceis esses quatro anos. Assumimos essa gestão em meio a uma pandemia. Um momento extremamente difícil para a nossa categoria. Tivemos que enfrentar o negacionismo de um governo fascista, que não poupou esforços para que muita gente morresse”.
Rita agradeceu a parceria do Sindicato com os movimentos sociais, centrais sindicais e federações. E fez um agradecimento especial à categoria: “Esta é uma categoria que está sempre junto, que atende aos nossos chamados e está presente nos momentos de lutas e celebração de nossas conquistas. Nós tivemos coragem para viver um tempo de perigo, perigo de vida. Fizemos essa luta sem medo. Nosso grande desafio foi atravessar esse período vivos, sem morrer politicamente, sem morrer literalmente”.
Ela destacou o legado da gestão em preservar a história do Sindicato por meio do lançamento do livro dos 80 anos da entidade, da revista que registrou os últimos 10 anos e da exposição fotográfica permanente que pode ser conferida no Centro Sindical. “Fomos capazes, com muita unidade, de fazer com que a nossa história fosse resgatada em livro, em fotos, em revistas. Porque é assim que a gente resiste. É lembrando o que fomos e o que fizemos é que nós atualizamos a nossa vontade de luta. Isso foi possível porque tínhamos uma diretoria unitária, pensando na mesma direção”. Rita encerrou sua fala agradecendo os empregados e as empregadas do Sindicato pelo trabalho e apoio à sua gestão.
No final de sua fala, ela desejou uma ótima gestão a Carlos Pereira de Araújo, que assume a coordenação-geral do Sindicato pela quinta vez. “Desejo ao meu amigo Carlão, meu companheiro de muitas lutas, uma ótima gestão. Estamos juntos nesse sonho. Nosso sonho socialista não envelheceu, continua presente. Não é por acaso que a gente diz que vamos juntos construir o futuro agora. Viver nesses tempos é muito perigoso, Carlão, e é preciso ter coragem. Mas, se ousarmos lutar, venceremos”.
O novo coordenador-geral do Sindicato agradeceu a presença dos bancários e bancárias, da ativa e aposentados, dos representantes das entidades sociais, federações, centrais e dos movimentos do campo e da cidade, além de saudar os novos membros da diretoria. Carlão disse o quanto era especial para ele assumir a coordenação do Sindicato. Apesar da experiência acumulada em quatro mandatos, ele afirmou que a gestão da vez é sempre a mais desafiadora. “Estamos atravessando um momento muito singular das conjunturas mundial e nacional com o franco crescimento da extrema direita. O fascismo está se organizando a passos largos e ameaçando as democracias mundo afora. A extrema direita anda de mãos dadas com o capitalismo neoliberal. Não por acaso, a classe trabalhadora vem sendo atacada por todos os lados nos últimos anos”.
Apesar da conjuntura adversa, o dirigente ponderou que a classe trabalhadora está se organizando para a luta. Ele citou como exemplo o movimento Vida Além do Trabalho (VAT) e destacou a centralidade da pauta que propõe a redução da jornada de trabalho em diversas categorias. “Na categoria bancária, o movimento sindical já colocou na mesa de negociação a redução da jornada para a 4X3. O Sindicato está apoiando incondicionalmente o fim da escala 6X1. A escala 6X1 é o escravismo reacionário do século XXI que os empresários impuseram ao trabalhador brasileiro após o golpe na presidenta Dilma, em 2016”. O dirigente acrescentou que esse modelo de trabalho, a partir de metas abusivas, jornadas exaustivas e cada vez mais intensas, é o principal gatilho do adoecimento da classe trabalhadora. Ele lembrou que os bancários detêm um dos maiores índices de adoecimento mental entre todas as categorias.
Além da luta pela redução da jornada e do adoecimento, Carlão inclui a defesa do emprego bancário e a defesa dos bancos públicos como pautas centrais da sua gestão. Ele citou especialmente o Banestes, que está mais uma vez na mira dos oportunistas de plantão que querem privatizá-lo a qualquer custo.
Carlão saudou os membros na nova diretoria, agradeceu a votação da categoria bancária no grupo que inicia esta nova gestão. “Como disse a companheira Rita, ousando lutar, venceremos. Essa é a consigna que vamos levar a cabo em conjunto com a categoria para construirmos um mundo novo, mais justo e igualitário. Obrigado a todos e a todas”.
Homenageados
A gestão de Rita Lima homenageou os diretores e diretoras que deixaram o Sindicato: Adriana Pessotti, João Bosco, Deraldo Pereira, Dilmar Pezzin, Goretti Barone, Isaque Cesarino, Jonas Freire, Júlio Passos, Marco Rodrigues (Marquinho), Pedro Luchi. Foram homenageados também postumamente os dois diretores que faleceram durante a gestão 2021 – 2025: Sebastião Ceschim e de Gilmar Barroso. Foi exibido um vídeo, que registrou, por meio de fotografias, momentos especiais de cada um dos dirigentes no dia a dia da luta.
Goretti, com quase quatro décadas de militância, fez uma fala emocionada de despedida. “Este é um momento de muita emoção. Primeiro eu quero ser grata a Deus pela vida e por uma vida compartilhada. Agradecer a minha família que me ensinou a compartilhar, a viver e acolher as pessoas”. Ela apontou para a mesa em que estavam o marido e os dois filhos e disse: “Obrigada por dividirem esse tempo todo a luta, as dificuldades. Queria dizer que faria tudo de novo”. Goretti disse que o Sindicato foi um espaço de aprendizado. “Aprendi ainda mais a acolher o outro. Aprendi a lidar com o diferente. A gente aprende a ouvir as dores das pessoas”.
Antes de encerrar sua fala, Goretti deixou uma mensagem para os que seguem no Sindicato. “Quem continua tem o compromisso de fazer da construção coletiva o desafio principal, que é acolher, entender o outro e se colocar no lugar do outro. É assim que percebemos as pessoas como companheiros, mesmo que ela pense diferente de nós. Estou me aposentando institucionalmente, mas da luta a gente não se aposenta nunca”.
Jonas Freire, outro histórico militante do Sindicato, recordou do dia em que viu um dirigente entregando o jornal sindical na agência do Banestes da Serra, onde iniciou sua carreira no banco, e se sensibilizou. “Aqueles momentos de receber o jornal, de trocar ideias com os camaradas do Sindicato eram tão especiais que também quis fazer parte daquilo”. Ele acrescentou: “Em lugar nenhum eu teria conquistado tanto conhecimento, vivido e aprendido tanto como aqui. Isso tudo sempre com muito prazer e satisfação. Esse é um lugar de aprendizado que me deu prazer de viver”.
Entidades saúdam a nova gestão
A Intersindical – Central da Classe Trabalhadora foi representada na cerimônia pelo dirigente Manoel Elídio Rosa, o Mané Gabeira. Ele saudou Rita e Carlão e elogiou a trajetória das entidades sindicais em geral e do Sindicato dos Bancários. “Se vocês olharem, não tem uma organização mais antiga do que o sindicato”. Ele lembrou que muitas entidades sindicais são centenárias. Mané Gabeira deu como exemplo o próprio Sindicato dos Bancários, que passou dos 90 anos. “O sindicato é o principal instrumento de organização dos trabalhadores. O sindicato é uma escola política”.
O presidente da Fetraf Rj-ES, Nilton Esperança (Niltinho) exaltou o trabalho do Sindibancários. “É motivo de orgulho e satisfação para nós da Fetraf Rio e Espírito Santo ter um Sindicato desta qualidade conosco. Sabemos que vocês fazem um trabalho exemplar não só voltado para a categoria bancária, mas também para toda a classe trabalhadora capixaba”.
“Minha fala é de agradecimento. Rita, como você resgatou agora há pouco, nos momentos mais difíceis estivemos juntos. O Sindicato dos Bancários sempre esteve ao lado das centrais na luta. O Sindicato é fundamental na vida dos trabalhadores, porém, mais fundamental, Rita, é a vontade de lutar é a força para estar na luta que vocês têm. Eu quero parabenizar você pelo mandato que muito nos orgulhou. Foi muito bom ver uma mulher na coordenação-geral de um Sindicato deste tamanho”, afirmou Clemilde Cortes. A presidente estadual da CUT-ES também desejou sucesso para Carlão na sua nova gestão.
Quem também marcou presença na cerimônia da nova diretoria foi a deputada estadual Camila Valadão (PSOL), que vem empenhando o seu mandato na defesa da categoria bancária capixaba, especialmente na luta para manter o Banestes público e estadual. “Eu tenho acompanhado no âmbito da Assembleia, um trabalho fundamental do Sindicato, no sentido de denunciar como que esses mecanismos cada vez mais perversos de exploração adoecem trabalhadores e trabalhadoras. Mesmo que não mate diretamente, mata indiretamente através das condições cruéis de trabalho que levam todos os dias a categoria ao adoecimento e com um compromisso com a saúde mental, com a qualidade de vida, o Sindicato promove pesquisa, promove campanhas, promove mobilizações em defesa da saúde do trabalhador. Nós acompanhamos ainda na Assembleia a luta permanente do Sindicato em defesa do Banestes como banco público e estadual”.
A deputada reafirmou que seu mandato está à disposição da categoria no sentido de pautar os temas que são de interesse dos banestianos, mas também de toda a categoria bancária.
Hino da Internacional
O vídeo que homenageou os dirigentes que deixaram o Sindicato emocionou os presentes. Mas no encerramento da cerimônia, houve um outro momento de emoção na execução do Hino da Internacional. Durante seis vezes, ao longo da música de mais de cinco minutos, as pessoas entoaram, cada vez mais forte o refrão do hino dos trabalhadores:
“Bem unidos façamos
Nesta luta final
Uma terra sem amos
A Internacional”
Depois do encerramento da cerimônia, houve um almoço de confraternização ao som do grupo de samba Três Elementos.
Confira a galeria de fotos da cerimônia (Fotos: Sérgio Cardoso/Sindibancários/ES)








