Votação das diretrizes – Foto: Sérgio Cardoso

Após três dias de intensos debates, bancários e bancárias, reunidos no VIII Congresso Estadual, aprovaram durante a plenária final, na manhã de domingo, 29, os princípios e diretrizes para a gestão 2025-2029 do Sindicato dos Bancários.

As prioridades da gestão são a defesa do fim da escala 6×1 e a luta pela jornada 4×3; a defesa dos bancos públicos e das estatais; saúde e condições de trabalho; defesa do emprego; formação; comunicação; assistência jurídica; combate ao machismo e a todas as formas de discriminação/opressão; interiorização das ações; equilíbrio das finanças (adequar as estruturas às necessidades da luta, discutir o financiamento); preservação da memória e do patrimônio e ações para aposentados e aposentadas.

Coube à dirigente Rita Lima apresentar as diretrizes, destacando, primeiramente, os princípios norteadores da gestão de um sindicato classista.  “O sindicalismo classista compreende que temos uma sociedade de classes antagônicas entre si. E precisamos entrar em luta sempre, observando as condições históricas. Para além das pautas específicas dos bancários, a atuação do Sindicato deve se pautar e desenvolver-se em torno de uma pauta ampla, de caráter de classe, e superar a visão restritiva a corporações, categoria profissional e à pauta econômica”, afirmou a dirigente. “O que diz respeito à vida da classe trabalhadora, seja educação, saúde, transporte, mobilidade, os direitos sexuais e reprodutivos, tudo é parte dessa pauta ampla que nós abraçamos”.

Rita Lima também afirmou que a liberdade e autonomia em relação a patrões, partidos e religiões são fundamentais na ação sindical. “Por mais que nós, da direção, tenhamos filiações a partidos políticos e nossas preferências eleitorais e religiosas, nada disso pode influenciar ou determinar uma ação da diretoria”.

A democracia é um valor fundamental que se expressa, por exemplo, na forma como são tomadas as decisões. “A assembleia como o espaço fundamental e prioritário para a tomada de decisões: o que assinar, como organizar a luta, como preservar, dispensar e aumentar o patrimônio, tudo isso é decidido democraticamente em uma instância maior que são as assembleias. Na eleição, por exemplo, apresentamos à categoria um programa da chapa, que, agora, precisa ser o programa da diretoria para esses próximos quatro anos, e é o que estamos fazendo neste VIII Congresso”, disse a dirigente sindical.

O pluralismo de ideias também foi destacado na apresentação. “É óbvio que as pessoas que estão hoje na diretoria se agruparam na chapa por identidade de pensamento, de concepção e de princípios. Mas a categoria é ampla, diversa. Não podemos agir achando que a humanidade não é plural. Temos que respeitar as ideias, e isso é parte dos princípios democráticos. As ideias podem convergir ou divergir, mas isso não pode excluir as pessoas”.

No âmbito da categoria, a gestão reafirma que é preciso estar juntos para vencer. “A organização por local de trabalho é um princípio, pois sem ela não tem sindicato, só tem a diretoria e os prédios. A gente precisa estar enraizado no local de trabalho”, afirmou Rita Lima.

A luta por mais saúde e menos metas se tornou central e urgente na categoria bancária, conforme as diretrizes aprovadas. A defesa do emprego bancário e a valorização dos trabalhadores; o compromisso de lutar contra todas as formas de discriminação nos bancos e na sociedade, sejam elas a opressão de gênero, o racismo, a homofobia, o capacitismo, o etarismo ou qualquer outra, também estão entre as principais bandeiras de luta.

A transparência é outro compromisso do Sindicato. “A categoria tem que ser informada de como pretendemos gastar o dinheiro que é dela, e depois ter a prestação de contas. Pelo menos, duas vezes por ano, a gente faz essa prestação de contas. Não é só o dinheiro, é política também. A aplicação dos recursos arrecadados pelo Sindicato é direcionada para as ações de luta, a preservação da memória e da documentação do Sindicato”.

Após a apresentação, o coordenador-geral do Sindicato, Carlos Pereira de Araújo (Carlão), destacou a importância de a categoria se envolver nas ações propostas pela gestão. “Somos nós, bancários e bancárias, que construímos o Sindicato. A direção coordena a execução do que foi legitimado na eleição e aprovado neste Congresso, mas a categoria junta é mais forte”, afirmou.

 Eixos de atuação

  • Defesa da vida.
  • Anseios da categoria (emprego, contra o assédio moral e as metas).
  • Redução da jornada com defesa da 4×3.
  • Fim das formas de contratação precária nos bancos.
  • A valorização do trabalho bancário (carreira, remuneração).
  • Nenhum direito a menos.
  • Fortalecer a unidade e a solidariedade de classe.

Diretrizes

Saúde e condições de trabalho

  • Ampliar e intensificar a luta pelo fim das metas e do assédio moral.
  • Combater as causas de adoecimento mental e físico da categoria.
  • Seguir com ações de fiscalização das condições de trabalho e a segurança bancária.
  • Promover o atendimento e acolhimento aos bancários e às bancárias adoecidas.

Defesa do emprego

  • Combater as terceirizações nos bancos, que está por trás da avalanche de demissões, do fechamento de agências e da eliminação de postos de trabalho bancário.
  • Defender o emprego bancário e a valorização dos trabalhadores.
  • Intensificar as ações contra as demissões imotivadas e articular junto com outras entidades sindicais propostas para enfrentar a fragmentação do emprego no setor bancário e a precarização do trabalho.

 Contra todas as formas de discriminação

  • Por meio da Secretaria de Igualdade e Diversidade, serão implementadas ações políticas, culturais, seminários, entre outros atos sobre questões de gênero, raça, orientação sexual, pessoa com deficiência e juventude bancária.
  • Elaborar material de formação e promover ações de combate a toda e qualquer forma de discriminação e preconceito nos locais de trabalho também são compromissos da atual diretoria.

 Unidade nacional

  • No Comando, defendemos uma atuação independente de patrões e governos, e buscamos disputar os rumos do movimento nacional para que os interesses da categoria sejam respeitados.
  • Essa atuação crítica não nos impede de fortalecer o papel do Comando Nacional.
  • Sabemos que só com unidade a categoria terá força para enfrentar os banqueiros e toda sua política de precarização da categoria.
  • Vamos continuar lutando por um sindicalismo combativo, sem atrelamento a governos e a partidos, tendo a unidade como valor estratégico da categoria.

Gestão responsável e transparente

  • Priorizar a gestão participativa ancorada no trabalho coletivo, em ações planejadas, na transparência com a categoria e com prestação de contas permanente, mantendo equilíbrio das finanças e adequando as estruturas às necessidades da luta.

Lutas gerais

  • É compromisso da atual gestão fomentar e apoiar a participação nas lutas classistas, somando forças com outras categorias e organizações da sociedade civil organizada nas mobilizações locais e nacionais em defesa de pautas políticas e sociais.

Formação política

  • Para a atual gestão, a formação política é uma arma teórica que prepara as trabalhadoras e os trabalhadores na sua atuação nos locais de trabalho. Intensificar esse trabalho com novos programas de formação básica, encontro de delegados sindicais, seminários e mesas temáticas é nosso compromisso.

Se é público é para todos

  • Combater o fatiamento dos bancos públicos, as privatizações e defender o papel social dos bancos públicos e o fortalecimento dessas empresas tão necessárias para o desenvolvimento do país.
  • Seguir vigilantes e ativos para manter o Banestes e o Bandes públicos e estadual, a Caixa 100% pública, assim como o BNB, e para frear o processo de desmonte que ameaça o Banco do Brasil.

Jurídico

  • Em tempos de inúmeras tentativas de retirada de direitos e de avanço da superexploração dos trabalhadores, a Secretaria Jurídica do Sindicato tem tido um papel fundamental para conter os abusos dos bancos que não têm respeitado as bancárias e os bancários. É compromisso do Sindicato fortalecer a atuação jurídica da entidade para proteger as bancárias e os bancários capixabas.

Por direitos e pela vida das mulheres 

  • Por meio da Secretaria de Mulheres, o Sindicato irá fortalecer e ampliar as ações de organização das mulheres bancárias na luta por mais direitos e por igualdade de oportunidades dentro dos bancos; representar as bancárias capixabas nos diversos espaços organizativos das mulheres na luta contra o machismo, a violência e todas as formas de opressão.

Conectado com a categoria

  • A comunicação com a categoria bancária é fundamental para organização e mobilização dos trabalhadores na luta por direitos. Assim, vamos: dar continuidade aos investimentos na comunicação da entidade, aprimorando suas atuais plataformas e criando novos canais para se comunicar com a categoria; enfrentar o desafio de manter a bancária e o bancário cada vez mais informados sobre os assuntos da categoria e da conjuntura política, social e econômica do país.

Unidade de classe para enfrentar o capital

  • O Sindicato defende que os trabalhadores se organizem livremente, sem intervenção do Estado, de patrões, partidos, governos ou religiões. Por isso nos comprometemos a: seguir num sindicalismo autônomo, autossustentado pela base e comprometido com os interesses da categoria e da classe trabalhadora; manter a solidariedade de classe como princípio, construindo e apoiando a luta das demais categorias profissionais, dos movimentos camponeses, de mulheres, de Direitos Humanos, das pastorais sociais, da juventude negra e de outras minorias.

Aposentados

  • A onda de ameaças a direitos e garantias também inclui hoje as aposentadas e os aposentados. Por meio da Secretaria dos Aposentados iremos: garantir mais suporte a esses trabalhadores, atuando em parceria com as associações de aposentados da categoria; lutar pelos direitos dos aposentados, incluindo o direito à Previdência, à assistência de saúde, à cultura e ao lazer.

Esporte e cultura

  • As atividades culturais e esportivas são momentos interativos, de promoção de saúde, lazer e de importante socialização da categoria bancária. Por meio da Secretaria de Cultura e Esportes nos comprometemos a fortalecer e ampliar a realização de eventos culturais e esportivos, como forma de incentivo à melhoria da qualidade de vida e à integração da categoria.

  Sindicato presente em todo o Estado

  • O Sindicato dos Bancários está presente em todo o Estado a partir da sede na capital e das cidades-polo de Colatina, Linhares e Cachoeiro de Itapemirim. Essa atuação abrangente é importante para garantir melhor assistência e representação às bancárias e aos bancários de norte a sul do Espírito Santo, fortalecendo a atuação das subsedes.