Nesta sexta-feira, 11, dirigentes da Contraf entregaram ao ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, o ofício com a solicitação de inclusão da categoria bancária no Plano Nacional de Imunização (PNI) contra a covid-19. Desde o início da pandemia, os bancários e bancárias continuam na linha da frente garantindo o atendimento à população, principalmente no pagamento do auxílio emergencial. No Espírito Santo, o Sindibancários/ES ainda aguarda resposta do governador Renato Casagrande sobre pedido feito oficialmente de inclusão dos bancários no calendário estadual de vacinação.

Junto com o ofício entregue ao ministro Queiroga, foram encaminhados dados e informações complementares sobre a urgência da vacinação dos trabalhadores bancários. Sem ventilação natural e por serem ambientes fechados, as agências bancárias são um vetor de alto risco para os empregados e para as milhares de pessoas que ser atendidas. De acordo com os dados apresentados pela Contraf, houve um aumento de 176% de desligamentos por morte na categoria. A resposta do ministro ao receber o ofício é que encaminhará o pedido à equipe técnica do Ministério.

Sindibancários/ES aguarda resposta do governador

Desde abril, em reunião realizado junto com as centrais sindicais, o Sindibancários/ES entregou o pedido ao governador Renato Casagrande de inclusão dos bancários capixabas no calendário estadual de vacinação.

“Casagrande prometeu que iria pensar sobre nossa solicitação. No entanto, até o momento sequer respondeu ao nosso pleito. O governador tem autonomia para incluir os trabalhadores dos serviços essenciais no calendário de vacinação e em praticamente todos os decretos publicados durante a pandemia, os bancos foram considerados serviços essenciais e houve a manutenção do atendimento. Os bancários estão na linha de frente desde o início da pandemia e é urgente que tenham suas vidas preservadas. Por isso vamos enviar novo ofício ao governador reivindicando que os bancários e bancárias sejam incluídos na lista de categorias prioritárias para a vacinação”, enfatiza a coordenadora geral do Sindibancários/ES, Rita Lima.

A coordenadora destaca ainda que muitos estados e municípios brasileiros já iniciaram a imunização da categoria bancária. “É visível o aumento da concentração de pessoas nas agências, principalmente durante o período do pagamento do auxílio emergencial. Temos ainda os pensionistas e aposentados que precisam de apoio utilizar os serviços bancários. É urgente, portanto, ampliar nossa mobilização, planejando, inclusive, uma greve para pressionar o governo a atender nossa reivindicação por vacina, já, para os bancários e bancárias contra a covid-19”, convoca Rita.

Aumento de mortes

Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), compilados pelo Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese), mostram que a categoria bancária registrou um crescente número de encerramento de contratos de trabalho por morte, seguindo uma tendência similar aos casos de óbitos desde o início da pandemia do novo coronavírus.

No primeiro trimestre de 2020 o impacto da pandemia do novo coronavírus foi quase nulo, com uma média mensal de óbitos de 18,33 vidas. Já no mesmo período deste ano (2021), com o agravamento da pandemia no país, a média mensal de óbitos se elevou para 52 vidas, com crescimento de 176,4%.

A situação é semelhante em relação aos empregados na segurança privada nos bancos, com destaque aos envolvidos no transporte de valores em veículos blindados, também os trabalhadores das redes de farmácias que aplicam os testes rápidos de Covid-19, os servidores de cemitérios, os servidores da limpeza urbana, dentre outras categorias.

Leia a íntegra do ofício entregue ao ministro e o relatório médico do Dr. Albucacis de Castro Pereira, explicando que a “característica física do ambiente de trabalho propicia a maior concentração do vírus e o evidente contágio e, devido aos necessários cuidados com a segurança, as agências bancárias são fechadas e não oferecem ventilação e nem circulação natural de ar.” E que “estudos científicos demonstram que um indivíduo adulto, em atividade laboral leve, com jornada de 8 horas, inspira e, portanto, exala, cerca de 4.400 litros de ar (147 inspirações/minuto, 600/700 ml por inspiração x 60 minutos x 8h) com variações de acordo com o esforço físico. Nestas condições, independentemente da fala, tosse ou espirro, a emissão de aerossóis se propaga em suspensão por horas no ambiente, aumentando drasticamente as possibilidades de contágio.”

Com informações da Contraf