Bancários do BB protestam contra plano que reduz salários

Funcionários se concentraram em frente à agência Pio XII

Hoje foi dia de protesto no Banco do Brasil contra o pacote de reestruturação lançado pela direção do banco, que muda a remuneração dos funcionários e coloca o BB no caminho da privatização. A agência Pio XII, no Centro de Vitória, abriu às 11 horas. O prédio onde funcionam as superintendências Regional e Estadual e a agência Empresa Vitória, além de outros setores administrativos, também teve a abertura retardada.

“O plano de funções vem literalmente para reduzir remuneração dos funcionários. Até os mais otimistas percebem que o BB está vendendo gato por lebre, pois esse plano não beneficia os bancários em nenhum aspecto”, afirmou o diretor do Sindicato Dérik Bezerra no ato público realizado na Praça Pio XII. O plano reduz o valor de referência (VR) da gratificação de função que o bancário recebe mensalmente.

Dérik Bezerra lembra que apenas 40% dos funcionários terão acesso ao plano, que leva o nome de Programa Performa: Desempenho e Reconhecimento e é baseado em meritocracia, vinculado à venda de produtos.  Ele destaca que essa política de metas vem levando muitos funcionários a descomissionamentos de forma arbitrária, inclusive por responsabilidade do próprio banco, por projetos que não deram certo, como no caso da centralização de gerentes PJ em escritórios para atendimento de micro e pequenas empresas (MPE). A mudança fez com que o banco perdesse 51% da carteira de crédito de clientes MPE. Agora, depois desta grande perda, o banco retoma o modelo anterior, de 2015. E gerentes que não conseguiram cumprir metas no último período estão perdendo suas comissões.

“Nós começamos a sentir o terror do descomissionamento quando aconteceu na agência Porto, onde dois gerentes de relacionamento perderam a comissão em janeiro por não atingir a performance esperada na carteira de pessoa jurídica, apesar de a agência ter cumprido a meta. No dia 30 de janeiro foi o gerente de relacionamento da nossa agência que perdeu a função pelo mesmo motivo. Esses descomissionamentos são feitos por critérios subjetivos”, afirma o delegado sindical da agência Empresa Vitória, Bruno Balarini.

A diretora do Sindicato Evelyn Flores classificou o Programa Performa como uma grande fake news, pois a direção do banco divulga como algo positivo para os funcionários. Evelyn destacou que essa reestruturação é parte de um projeto maior do governo. “Não podemos naturalizar medidas como essa; temos que enfrentar o medo do descomissionamento, olhar para o outro, para o lado. O que está acontecendo no Banco do Brasil também está acontecendo na Petrobrás, cujos trabalhadores estão em greve, na Caixa Econômica Federal, nos Correios”, afirmou, referindo-se ao projeto do Governo Bolsonaro de desmonte do patrimônio público em prol do setor privado. Ela também convocou os funcionários para engrossar os movimentos de luta em curso no Brasil. “Somos exemplo de categoria organizada, ainda temos muito o que negociar, e temos que dar uma resposta já neste início de ano”, afirmou, lembrando que a última greve dos bancários foi há quatro anos.