Em reunião que terminou nesta quarta-feira, 22, o Banco Central manteve a taxa básica de juros, a Selic, em 13,75%, frustrando as expectativas de redução. O índice representa 8% de juro real, ou seja, acima da inflação, o que pressiona toda a economia e o cotidiano do povo brasileiro.

Na terça-feira, 21, em todo o Brasil, as entidades sindicais realizaram um amplo movimento pela redução das taxas de juros. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também tem defendido que o Banco Central corte as taxas para evitar a desaceleração da economia.

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, no entanto, reafirmou o patamar mais elevado da taxa de juros desde 2016. Disse no seu comunicado que os juros continuarão nesse patamar até que se consolide não apenas o processo de desinflação como também a ancoragem das expectativas em torno de suas metas. “O Comitê enfatiza que os passos futuros da política monetária poderão ser ajustados e não hesitará em retomar o ciclo de ajuste caso o processo de desinflação não transcorra como esperado”.

Os aumentos da taxa básica de juros trazem consequências para a população. Uma delas é a dificuldade de concessão de crédito, paralisando a economia, impedindo a geração de empregos e o fomento de negócios.

“Não podemos tolerar que o Banco Central trabalhe numa perspectiva de política econômica a serviço do capital financeiro e do rentismo. Os bilhões de lucro hoje vêm da miséria, da fome e do desemprego do povo brasileiro. Defendemos mudanças na legislação para o fim da autonomia do Banco Central e a saída do presidente da instituição Campos Neto”, afirmou o diretor do Sindicato dos Bancários/ES Carlos Pereira de Araújo (Carlão).

Indicado por Jair Bolsonaro, o atual presidente do BC, Roberto Campos Neto, tem mandato até dezembro de 2024, conforme previsto na Lei de Autonomia do Banco Central, sancionada em fevereiro de 2021.