Os funcionários e funcionárias do Bradesco no Espírito Santo estão sendo pressionados pelos gestores a dificultar ao máximo o acesso de clientes e usuários aos serviços de caixa. A ordem é que o cliente seja orientado a procurar atendimento alternativo ao serviço presencial de caixa, como os canais digitais do banco ou os correspondentes bancários (Bradesco Expresso). “É a chamada autenticação zero, ou seja, a ordem é zerar o atendimento na boca do caixa”, explica o dirigente do Sindibancários/ES Fabrício Coelho.
O dirigente acrescenta que a autenticação zero está combinada com outra política do Bradesco que visa a eliminação de postos de trabalho nas agências e a transferências desses serviços para os correspondentes bancários. “Além das demissões dos bancários, essa política tem impacto na qualidade do atendimento. Clientes e usuários são atendidos no Bradesco Expresso, ‘puxadinhos’ de agências que funcionam em estabelecimentos comerciais, quase sempre sem estrutura e segurança. Esse trabalhador, que não é bancário, mas comerciário, também é extremamente precarizado do ponto de vista dos direitos e das condições de trabalho”, aponta Fabrício. “A estratégia é acabar com a função de caixa nas agências do Bradesco”, completa.
Barrados na porta
Em junho do ano passado, o Sindicato aderiu à campanha “Dia Nacional de Luta Contra as Demissões e os Fechamentos de Agências”. Fabrício recorda que durante a campanha, o Sindicato esclareceu aos clientes/usuários que o Bradesco estava dificultando o atendimento presencial. O banco estava, e continua, literalmente barrando os clientes na porta”. Segundo o dirigente, essa prática fere a Resolução nº 4.746, de 29/08/2019, do Conselho Monetário Nacional (CMN), que veda às instituições financeiras “impedir acesso, recusar, dificultar ou impor restrição ao atendimento presencial em suas dependências”. Fabrício reforça que os clientes/usuários cerceados desse direito devem denunciar o banco aos órgãos competentes. “O Sindicato tem feito esse alerta aos clientes e usuários durante essas ações de mobilização”, afirma.
Encolhimento
O número de bancários e bancárias do Bradesco está encolhendo ano a ano no Espírito Santo. Ao mesmo tempo em que o Bradesco fecha postos de trabalho nas agências bancárias, aumenta o número de correspondentes bancários no Bradesco Expresso. “O número de trabalhadores nas unidades do Bradesco Expresso já passa de 700 no Estado, superando o total de bancários do banco, que gira em torno de 650 trabalhadores. A política do Bradesco contra o trabalhador está cada vez mais agressiva”, afirma Fabrício. O dirigente diz que os trabalhadores devem se solidarizar uns com os outros. “Hoje são os cargos de caixa que estão no olho do furacão, mas amanhã serão outros. A política do banco é muita clara: eliminar paulatinamente o contingente de bancários e bancárias, jogando esses serviços para fora das agências”, alerta.
O diretor destaca que o papel do Sindicato é fazer a luta em defesa do emprego com qualidade e dos direitos. “Nossa Convenção Coletiva de Trabalho é uma conquista histórica da categoria. Os direitos garantidos em lei também são conquistas da nossa luta. Vamos seguir criticando essa política nefasta do Bradesco que ataca o bancário, o correspondente bancário e precariza o atendimento a clientes e usuários. O único que sai ganhando nessa equação capitalista é o banco, que segue aumentando suas margens de lucro por meio da exploração da classe trabalhadora”, enfatiza.

