Atualizada em 08/02, às 11h
O Bradesco anunciou nessa quarta-feira, 03, o resultado do quarto trimestre do ano passado. Lucro de R$ 6,801 bilhões, 2,3% superior ao trimestre correspondente de 2019. No acumulado de 2020, o banco apurou lucro líquido recorrente de R$ 19,459 bilhões. Resultado 24,8% menor em relação a 2019.
Os jornais se preocuparam em destacar a queda entre 2019 e 2020, apontando que o lucro do Bradesco encolheu por causa do efeito covid. “Lucro do Bradesco cai quase 25% em 2020”, escreveu a Folha de S.Paulo. “A manchete tenta convencer o leitor que os bancos também sentiram o baque da pandemia. A queda em relação a 2019, que foi um ano fora da curva, com quase todos os bancos batendo recordes de lucro, os jornais omitem”, afirma diretor do Sindicato dos Bancários/ES Fabrício Coelho.
O dirigente contesta a falsa ideia de perdas dos bancos a partir do exemplo dos resultados do Bradesco. Segundo Fabrício, entre 2015 a 2019, o Bradesco teve um lucro médio de R$ 19,976 bilhões. “Mesmo incluindo 2019, que foi um ano atípico em termos de lucro para os bancos brasileiros, o resultado do ano passado, em meio à mais trágica pandemia dos últimos 100 anos, mantém a média apurada nos últimos cinco anos. É uma tentativa desonesta de transmitir à sociedade que os bancos também estão padecendo com a crise sanitária”.
Falsa narrativa
Fabrício explica que a estratégia é construir uma narrativa para a sociedade, mostrando que os bancos também tiveram perdas com a crise, e outra para os investidores, que sabem que a saúde financeira dos bancos vai muito bem, obrigado.
“Convencer que os bancos também sofreram com a crise os ajuda a justificar à sociedade o fechamento de agências e as demissões em massa. Porque seria difícil justificar demissões num momento de grande vulnerabilidade da classe trabalhadora, com recordes de desemprego, ao mesmo tempo em que a empresa registra lucro médio na casa dos R$ 20 bilhões nos últimos seis anos”.
Em 2020, o Bradesco fechou mais de 400 agências e demitiu 7.754 funcionários. O presidente do Bradesco, Octavio de Lazari, disse esta semana que pretende fechar este ano mais 450 agências. Se confirmadas as projeções feitas pelo próprio Lazari, o Bradesco vai fechar o total de 1.533 agências em dois anos. Uma redução de mais de 1/3 no comparativo com a rede física que o banco tinha em 2019.
“Se vai fechar mais agências, haverá novas demissões. A lógica cruel do capitalismo exibe sua faceta mais perversa: demissões em massa em plena pandemia. Não há preocupação humanitária alguma com seus funcionários. A única preocupação é manter os lucros nas alturas”, protesta.
Inadimplência
O dirigente chama a atenção também para as projeções extremamente pessimistas dos bancos que previram perdas com inadimplência (PDD) que não se confirmaram em 2020. O Bradesco, a exemplo do Itaú e Santander, que também apresentaram os resultados esta semana, provisionou R$ 25,754 bilhões, valor 78,7% maior no comparativo com 2019.
“O banco praticamente dobrou o valor do PDD. A inadimplência não veio. Ao contrário, houve redução da inadimplência. Itaú e Santander também registraram queda. Agora os banqueiros transferem o pessimismo para 2021, alegando que as exageradas perdas projetadas para o ano passado devem chegar este ano. O calote ficcional é mais uma pincelada dramática no quadro do caos que os bancos pintam para se inserir na crise. Está para ser criada a crise que um dia afetará o lucro dos bancos”, vaticina o dirigente.
Outros resultados
Além do lucro de R$ 19,459 bilhões, os outros resultados confirmam o vigor financeiro do segundo maior banco privado do país, que atravessa ileso a crise sanitária. A ROAE (rentabilidade sobre o patrimônio líquido médio) ficou em 20% entre outubro e dezembro. Alta de 4,8 pontos percentuais ante o trimestre anterior. No quesito receitas com prestação de serviços, o Bradesco registrou aumento de 7,3% ante o terceiro trimestre, atingindo R$ 8,717 bilhões.
COE cobra reunião sobre reestruturação
A Comissão de Organização dos Empregados (COE) do Bradesco solicitou ao banco reunião para tratar da nova reestruturação que pretende encerrar as atividades de mais de 450 agências. A preocupação central é com a manutenção do emprego. A reunião ainda não está confirmada, mas há indicativo de que ela aconteça na segunda quinzena de fevereiro.

