Diretores do Sindibancários/ES realizaram protesto na agência Bradesco de Cachoeiro de Itapemirim, no sul do Estado, nesta quarta-feira, 25, como parte da campanha #AVergonhaContinuaBradesco, contra o fechamento de agências e as demissões em massa que vêm ocorrendo nos últimos meses. Outros bancos da cidade também estão sendo visitados em mais uma ação da campanha Menos Metas, Mais Saúde.
A política do Bradesco prejudica tanto os bancários que perdem o emprego quanto os que continuam trabalhando, que ficam sobrecarregados, pressionados por metas e adoecidos. Os clientes e a população também são afetados pelo aumento das filas, a demora no atendimento e dificuldades de acesso aos serviços bancários.
O panfleto distribuído pelos sindicalistas denuncia: o Bradesco é reincidente. Em 2020, em plena pandemia, o banco obtinha lucro recorde, mas seus empregados eram submetidos a assédio moral com a cobrança de metas abusivas, ameaça de demissão, sobrecarga de trabalho. Na ocasião, sindicatos de todo o país realizaram a campanha “Que vergonha Bradesco”. Agora, mesmo com um lucro de mais de R$ 20 bilhões no ano passado, o banco fechou 1.276 postos de trabalho, 93 agências e 174 unidades de trabalho. Por isso, a Comissão de Organização dos Empregados (COE), Contraf, federações e sindicatos estão com a campanha #AVergonhaContinuaBradesco nas ruas e nas redes sociais.
Quadro enxuto
O quadro de bancários do Bradesco já é extremamente enxuto. O banco alega que os empregados são reaproveitados, mas na prática, muitas das agências transformadas em unidades de negócios são fechadas logo em seguida, restando o desemprego.
A conversão de agências em postos de atendimento, conhecidos como PAs, prejudica também os clientes, que passam a ter mais dificuldades em acessar os serviços bancários básicos. Além disso, o fechamento de agências afeta a economia e o comércio das localidades que, muitas vezes, ficam sem nenhuma agência bancária.
“A política do Bradesco afeta sobretudo funcionários, clientes e usuários de comunidades mais afastadas. Empurra as pessoas para o digital e o autoatendimento, mas nem todos querem ou podem ter acesso a esses mecanismos. Os clientes também são levados pra lojas de correspondentes bancários, locais onde temos pessoas trabalhado e atendendo em condições precárias. O Bradesco demite, pressiona e adoece os que continuam nas agências, precariza o emprego e o atendimento, impactando negativamente o mundo do trabalho e o atendimento ao povo. Não podemos aceitar essa situação. Por isso expomos essa vergonha e lutamos por soluções”, afirma o diretor do Sindicato Fabrício Coelho.
Menos Meta, Mais Saúde
Ainda em Cachoeiro, foi realizada nesta quarta-feira mais uma ação da campanha Menos Metas, Mais Saúde. Diretores do Sindibancários/ES percorreram as agências do Santander e da Caixa para dialogar com bancários e clientes sobre as más condições de trabalho nos bancos, que geram adoecimento físico e emocional para a categoria bancária. A pauta de saúde e condições de trabalho é uma prioridade da Campanha Nacional deste ano.
O problema do adoecimento na categoria é percebido em números. De acordo com o Observatório de Segurança e Saúde no Trabalho, nos últimos 5 anos o número de afastamentos nos bancos aumentou 26,2%, enquanto no geral a variação foi de 15,4%, ou seja, entre os bancários a variação foi 1,7 vezes maior do que na média dos outros setores. Nos afastamentos Acidentários (B91) as doenças mentais e comportamentais saíram de 30% em 2012 para 55% em 2021 e as doenças nervosas saíram de 9% para 16%.
Durante as manifestações, foram entregues aos bancários e clientes exemplares da cartilha Vamos falar sobre violência no trabalho? produzida pelo Sindicato, que trata de assédio moral, assédio sexual e as diversas formas de discriminação no trabalho, com orientações para identificação dessas práticas e como denunciá-las e combatê-las.

