Não houve avanço na reunião da última sexta-feira, 26, do Grupo de Trabalho de Promoção por Mérito da Caixa. As negociações sobre os critérios a serem adotados para o pagamento dos valores referentes ao Plano de Cargos e Salários (PCS), os chamados “deltas”, referentes a 2021, serão retomadas na próxima quarta,1.

O impasse permanece porque a Caixa insiste em considerar apenas o programa de Gestão de Desempenho de Pessoas (GDP) como parâmetro para o cálculo. Os representantes dos empregados reivindicam que o banco considere questões objetivas, como a frequência, cursos na Universidade Caixa, PCMSO (Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional), ações de autodesenvolvimento e, da GDP também sejam usados apenas os critérios objetivos.

Pela proposta apresentada pelo banco, apenas 62% dos empregados receberiam a promoção: 57% um delta e 5% dois deltas. Neste momento (base outubro/2021), estes 5% estão enquadrados como desempenho excelente na GDP, mas isso pode mudar até o final do ano.

O diretor do Sindicato dos Bancários/ES Igor Bongiovani lembra que, mesmo com algumas críticas ao modelo que vigorava até então, historicamente, sempre houve na Caixa uma política permanente de valorização salarial dos empregados e das empregadas. “Havia um delta por ano e outro a cada dois anos por antiguidade. Esta atual gestão quer retirar essa parcela de valorização e premiar somente com um delta aqueles que atingirem um resultado excepcional”, critica Bongiovani.

O dirigente diz que está cada vez mais difícil para os empregados atingirem esse patamar “excepcional” exigido pela Caixa. Ele afirma que a realidade no dia a dia é outra. “O Sindicato tem recebido cada vez mais denúncias de assédio moral e informações de empregados que estão adoecendo, inclusive gerentes, devido à cobrança cada vez maior por metas”.

Bongiovani acrescenta: “A Caixa empurra o empregado para o abismo. Se por sorte ele conseguir atingir a excepcionalidade, ganha um delta”.

Curva forçada

A nova GDP também é instrumento de discriminação dentro da Caixa, ao adotar o mecanismo  “curva forçada” para excluir 5% dos empregados, que mesmo tendo  cumprido todas as tarefas não receberão o desempenho excelente.

“Como considerar que 5% dos empregados não merecem uma promoção por mérito? Entendemos que todos contribuem para o resultado final do banco, que neste ano já alcançou o lucro acumulado de R$ 14,1 bilhões, nos nove primeiros meses do ano”, enfatiza a diretora do Sindibancários/ES Lizandre Borges.

Negociações serão retomadas

Os representantes dos empregados e da Caixa farão conversas internas para se chagar a uma proposta de consenso e voltam a negociar na próxima quarta-feira (1º/12), às 15h.