Vitória dos trabalhadores! Depois de muitas batalhas, a Cassi (Caixa de Assistência dos funcionários do Banco do Brasil) finalmente derrubou o gatilho das coparticipações. A decisão foi aprovada à unanimidade graças à intensa mobilização dos trabalhadores e das trabalhadoras do BB. Com a decisão, fica extinto o mecanismo de aumento automático de 10% para 20% nas coparticipações em exames, e de 30% para 40% nas consultas e terapias na Cassi. Caso não fosse derrubado, o aumento poderia ser implementado a partir de janeiro de 2024.
A decisão se deu em torno da existência de um mecanismo de gatilho, atrelado ao nível de sinistralidade do plano e criado na gestão anterior, que vinha sendo questionado desde sua aprovação por sindicatos e pelos eleitos da chapa Unidos por uma Cassi Solidária desde que tomaram posse.
“Foi muito importante que os eleitos estarem alinhados aos interesses dos associados. Foi essa união que garantiu nossa vitória. Vetando o gatilho, cai a possibilidade de pessoas mais adoecidas serem penalizadas, como vinha acontecendo. As práticas de saúde preventiva, como consultas e exames, cada vez mais caras, acabavam prejudicando quem mais precisa de atendimento à saúde, além de onerar ainda mais Cassi”, explica a diretora do Sindibancários/ES Goretti Barone.
Além do fim do gatilho, o Conselho Deliberativo determinou que a diretoria da Cassi procure o Banco do Brasil, a Contraf e demais entidades representativas do funcionalismo para que seja instalada mesa de negociação, com objetivo de facilitar o início das tratativas para análise e aperfeiçoamento do modelo de custeio.
Conquista dos associados
No início de 2019, foi aberta uma mesa de negociação, que incluiu o patrocinador Banco do Brasil, a Contraf e outras entidades representativas dos associados, para tratar da revisão estatutária e equalização do custeio da Cassi. Na época, por conta do voto de alguns eleitos da diretoria e do Conselho Deliberativo da gestão anterior, foi aprovado o aumento das coparticipações dos associados sem nenhuma contrapartida do patrocinador.
Em dezembro de 2019, com a aprovação do novo modelo de custeio, que levou a um aporte financeiro do BB e o início das novas contribuições de associados, a Cassi voltou a apresentar superávit e ter as reservas recompostas, no entanto, os percentuais de coparticipação mantiveram-se altos.
Somente em janeiro de 2022, às vésperas das eleições da Cassi, a redução foi aprovada. Entretanto, em contrapartida, aprovaram também um gatilho, atrelado ao índice de sinistralidade, que elevaria os níveis de coparticipação.
Desde a posse, em 1º de junho de 2022, os eleitos pela chapa Unidos por uma Cassi Solidária vinham se contrapondo às tentativas de aplicação do gatilho e do plano de contingenciamento para aumento das coparticipações. Entre junho de 2022 e fevereiro de 2023, os conselheiros eleitos conseguiram impedir o aumento das coparticipações em cinco oportunidades – julho, outubro, novembro e dezembro de 2022, e fevereiro de 2023.
A partir de março de 2023, com a mudança de governo federal, a aplicação do gatilho passou a ser adiada no Conselho Deliberativo, embora não extinto, por impasse entre eleitos e indicados, até ser, finalmente, derrubada na última reunião.
Com o fim do gatilho, novas propostas de aumento precisam ter maioria de votos na diretoria e no Conselho Deliberativo, ou a partir de reforma estatutária negociada em mesa de negociação e aprovada pelo corpo social.

