A rodada desta quarta-feira (11) foi a sexta. Como as negociações não avançaram, uma nova rodada deve ser anunciada até amanhã (13)

Nessa quarta-feira (11) houve mais uma rodada de negociação com o Santander no âmbito das discussões para a renovação do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) específico dos empregados do banco. A proposta do Santander não avançou nos pontos-chave da pauta de reivindicações dos trabalhadores. A Comissão de Organização dos Empregados (COE) se manteve firme na defesa desses eixos. Ante o impasse, os interlocutores do Santander se comprometeram a  levar as demandas para uma nova análise do banco. Eles prometeram que até sexta-feira (13) anunciam a data de uma nova reunião para apresentar devolutiva à COE. 

Durante a rodada dessa quarta-feira, a sexta desde o início das negociações, os integrantes da COE criticaram a política de diferenciação entre os funcionários do Santander no Brasil e na Espanha. A representação dos empregados destacou, por exemplo, que os bancários espanhóis gozam de benefícios como isenção de tarifas e taxas de juros diferenciadas para linhas de crédito, ao passo que os funcionários brasileiros não têm esses benefícios. “É aviltante que haja essa diferenciação de direitos entre os empregados brasileiros e espanhóis. A política do banco deveria ser única. Não cabe mais em pleno século 21 essa visão colonialista do banco espanhol.”, ressalta Claudio Merçon (Cacau), dirigente do Sindicato dos Bancários/ES e membro da COE-Santander. 

Negociações travadas
A negociação não avançou porque o banco se mantém intransigente em atender alguns eixos considerados prioritários para os empregados. Um dos pontos de divergência é a proposta do banco de compensar o Programa de Participação nos Resultados do Santander (PPRS) com a Participação nos Lucros e Resultados (PLR). “Cacau adverte que essa compensação do PPRS, como propõe o Santander, representaria perdas de direitos para os trabalhadores. Vamos para a mesa sempre com o propósito de avançar nas negociações, não de recuar”, afirma. 

Avanço parcial
Houve um avanço parcial em relação à concessão de isenção da coparticipação do plano de saúde para os funcionários PcDs, com doenças crônicas, degenerativas e AIDS. “O avanço foi parcial porque o Santander se recusa a estender o benefício para filhos dos trabalhadores com as mesmas demandas de saúde, com destaque para os neurodivergentes”. Cacau diz que pediu aos interlocutores do banco a relação dos funcionários com filhos com essa demanda. “Alegaram que não tinham o dado, mas que poderiam levantar e nos apresentar. O dado seria importante para mostrar esse universo. O banco esquivou-se de apresentar os dados na mesa porque sabe que os gastos para atender essa reivindicação seriam irrisórios”, assinala Cacau.  

Os membros da COE voltaram a cobrar o fim das terceirizações, tema de discussões em uma das rodadas de negociação. “Esse processo de terceirização é inaceitável. Não podemos normalizar a precarização da categoria, porque é isso que o processo de terceirização está causando. É notório que o Santander aceitou a missão dada pelos bancos de fazer o papel de laboratório das terceirizações. Reverter esse processo não é só importante para os empregados do Santander, mas para toda a categoria bancária”, alerta. 

Expectativa
O dirigente da base capixaba afirma que as negociações ainda não foram encerradas. “O importante agora é seguir negociando com o propósito de avançarmos nas nossas pautas. É essencial também que os empregados e as empregadas se mantenham engajados e mobilizados. A luta não acabou e ainda há pautas importantíssimas em disputa. Vamos aguardar a nova rodada com a expectativa de que o banco volte para a mesa com avanços”, projeta Cacau.