“Não ganhamos, mas conseguimos evitar um arrocho esmagador que os bancos tentaram nos impor. Ainda assim, ficamos muito aquém do esperado, considerando o setor que mais lucra no país”. A avaliação é do diretor do Sindibancários/ES Carlos Pereira de Araújo (Carlão), durante plenária virtual nesta quarta-feira, 31, convocada para debater a proposta da Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) para a Convenção Coletiva de Trabalho 2022-2024. Apesar das críticas, a orientação do Sindicato é pela aprovação do texto, bem como dos acordos específicos do Banco do Brasil e da Caixa.
A votação já está aberta e acontece pelo sistema on-line do Sindicato. Trabalhadores podem votar até as 19 horas desta quinta-feira, 01. Em caso de dificuldade de acesso, entre em contato pelo telefone 27 99241-4667 (atendimento até as 22h).
“O Comando Nacional, majoritariamente, avalia que saímos vitoriosos; nós discordamos. Sabíamos que seria uma Campanha difícil, que os bancos vieram para nos impor um arrocho – essa era a orientação do governo e da extrema direita. Acreditamos, no entanto, que nossa luta não deve ficar restrita à mesa de negociação. Era fundamental convocar a categoria para a greve, testar nossa força de mobilização e pressionar os bancos para garantir, no mínimo, a reposição da inflação, mas isso não aconteceu”, criticou Carlão, que defendeu junto ao Comando Nacional a rejeição da proposta. Além do Espírito Santo, votaram pela rejeição do acordo o Sindicato dos Bancários de Salvador e região; o Sindicato dos Bancários de Sergipe e a Federação dos Bancários da Bahia e de Sergipe, mas a posição permaneceu minoritária.
O diretor avalia, no entanto, que não há espaço isoladamente para mudar o cenário, uma vez só um movimento de greve unificado e com forte adesão poderia arrancar novos avanços. “Somos uma categoria organizada nacionalmente e temos que considerar uma estratégia conjunta”, conclui Carlão.
Inflação maquiada
A coordenadora geral do Sindicato, Rita Lima, também problematizou o acordo. “Considerando o reajuste de 2022 e de 2023, acumularemos perda salarial de aproximadamente 0,3%. Isso porque tivemos uma deflação provocada pela redução recente dos preços dos combustíveis que maquiou a inflação do período”, lembrou. A diretora ponderou, contudo, que a gravidade da conjuntura política e econômica poderia ter empurrado a categoria para um acordo pior. “Num contexto de crise, com os bancos públicos submetidos à gestão de Bolsonaro e à pressão para retirar direitos, manter nossas conquistas é algo que não pode ser menosprezado”.
Além da perda econômica, bancários e bancárias apontaram também uma “perda organizativa”: é o sexto ano consecutivo em que a categoria encerra sua Campanha Nacional sem greve. “O trabalhador precisa ser protagonista de suas lutas e o saldo organizativo de uma estratégia centrada apenas na mesa de negociação é muito ruim”, pontuou Rita.
Proposta econômica
Após mais de dois meses de tratativas os bancos propuseram, para 2022, reajuste de 8% nos salários; 10% no vale-alimentação (VA) e vale-refeição (VR), com adicional de R$ 1.000 em vale-alimentação a ser creditado até outubro de 2022, e reajuste de 13% para a parcela adicional da Participação nos Lucros e Resultados (PLR). Para 2023, o acordo prevê aumento real de 0,5% (INPC + 0,5%) para salários, PLR, VA/VR e demais cláusulas econômicas.
Veja a proposta completa da Fenaban

Acordos específicos
Também estão em votação as propostas específicas do Banco do Brasil e da Caixa, cuja orientação do Comando Nacional e do Sindicato é pela aprovação.
Na Caixa, a proposta final do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) assegura a manutenção da PLR Social; o adiantamento de férias; o adicional noturno; a Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA); o acordo de teletrabalho nos moldes da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), com controle de jornada, pagamento de ajuda de custo, direto à desconexão e previsão de compensação das horas extras para quem está em teletrabalho, além de outros pontos. A Participação nos Lucros e/ou Resultados (PLR) também se mantém igual ao acordo de 2020.
“Enfrentamos durante todo o processo negocial a pressão da Caixa para a retirada de direitos. Tivemos que ser firmes pra que o banco recuasse e conseguimos arrancar um acordo que preserva direitos. Diante do difícil cenário, temos um bom acordo e por isso orientamos a aceitação”, afirmou a diretora Lizandre Borges, que acompanhou as negociações pela CEE/Caixa.
A proposta final do Banco do Brasil foi apresentada na tarde desta quarta-feira. Além de cumprir a Fenaban, o acordo assegura a continuidade da GDP em três ciclos avaliatórios, além de outros pontos reivindicados pelos funcionários. “Enfrentamos a ofensiva do Banco do Brasil e garantimos um acordo possível, com o reposicionamento do banco em pontos centrais como a GDP. Agora temos que focar na mesa de negociação permanente e nos grupos de trabalho para consolidarmos outros avanços”, diz a diretora do Sindicato Goretti Barone, reforçando a orientação para aceitação do acordo específico.
No Banestes, o banco ainda não apresentou proposta global e uma nova reunião está agendada para a tarde desta quinta-feira, 01, para o fechamento das negociações. “Todos os bancos resolveram seus prolemas específicos e o Banestes é o único que mantém a categoria insegura. É uma demonstração de desrespeito com os empregados. Esperamos que o banco tenha postura diferente nesta quinta e apresente uma proposta satisfatória”, afirma Jonas Freire, diretor do Sindicato.
Bancários e bancárias do Bandes também serão convocados para assembleia específica ainda nesta quinta-feira para avaliação da proposta de acordo. Na negociação, o Bandes atendeu a várias revindicações dos funcionários, como formalização do auxílio-academia no valor de R$ 150; pagamento da 13º cesta-refeição; quatro dias de abono para acompanhamento de familiares em internação hospitalar; manutenção dos tíquetes alimentação e refeição por até 24 meses para empregados afastados por motivo de doença e inclusão, no Acordo Coletivo, do Plano de Cargos e Salários.
“São pontos aditivos à Convenção Coletiva e que ampliam o escopo de direitos dos empregados do Bandes. Alguns, como a inclusão do Plano de Cargos e Salários no Acordo Coletivo, são reivindicações históricas dos funcionários”, afirmou o diretor do Sindicato Cláudio Merçon (Cacau).
Votação
O Sindicato reforça que a votação das propostas da Fenaban, do Banco do Brasil e da Caixa vai até as 19 horas desta quinta-feira, 1 de setembro. Acesse a área de votação do Sindicato e registre seu voto.

