A sexta rodada de negociação com a Fenaban, realizada nesta sexta-feira, 14, discutiu as questões sociais da categoria, mas teve a pauta ampliada para contemplar as cláusulas econômicas. Nesse sentido, além de temas como o fim das terceirizações, isenção de tarifas para bancários e estabilidade pré-aposentadoria, o Comando Nacional apresentou e debateu as propostas de índice de reajuste salarial, PLR e auxílios.
A preocupação do Comando era discutir os pontos prioritários para que a Fenaban já apresente na próxima negociação, no dia 18, uma proposta global. “Chegamos à sexta rodada sem avanços significativos. Já que a Fenaban não aceitou a proposta de prorrogar a validade dos acordos coletivos, garantindo a ultratividade da norma, é essencial que eles nos apresentem uma proposta global antes da data-base (01/09) para que a categoria tenha tempo para avaliar coletivamente e se organizar. Sabemos que os bancos estão se utilizando do fator tempo. Os bancários estão dispostos a negociar, mas não aceitaremos proposta que reduza direitos”, avaliou o diretor do Sindibancários/ES Carlos Pereira de Araújo (Carlão), que integra o Comando Nacional.
Em relação às cláusulas econômicas, os bancários reivindicam reajuste de 5% mais inflação; PLR de três salários mais valor fixo de R$ 9.369,75; auxílio-refeição, auxílio-alimentação e auxílio-creche/babá no valor de R$ 1.045 cada.
A argumentação do Comando na mesa teve como base a alta lucratividade dos bancos. A Fenaban apresentou posição divergente e, de forma desavergonhada, lamentou o balanço positivo de R$ 28 bilhões, que reúne o lucro de 4 entre os cinco maiores bancos brasileiros no primeiro semestre do ano, alegando que os resultados vêm caindo.
“Mesmo em cenário de crise, o setor financeiro é o que mais lucra. Alguns tiveram resultados um pouco menores, mas ainda assim altamente positivos, e se utilizaram de provisionamentos duvidosos para manipular os balanços. É inadmissível que um setor tão rentável se utilize de argumento financeiro para não avançar na negociação”, critica Carlão.
Os bancos não negaram formalmente as reivindicações dos bancários, mas apresentaram resistência. Nas últimas rodadas, propuseram inclusive uma pauta de retirada de direitos já consolidados.
O Comando Nacional reforçou a capacidade financeira dos bancos e a urgência em garantir melhorias salariais e de condições de trabalho para a categoria.
Segundo dados presentados pelo Dieese, metade das categorias que fecharam acordo este ano, inclusive de setores que realmente apresentaram prejuízo, tiveram aumento real com reajustes acima da inflação. Os bancos, além de seguirem lucrando, economizaram R$ 267 milhões nos últimos meses só com o teletrabalho. São despesas como água, luz, gás, vigilância, segurança e viagens que foram reduzidas com boa parte da categoria em teletrabalho. Só no Banco do Brasil, Bradesco, Santander e Itaú, a despesa de pessoal caiu R$ 1 bilhão. “Enquanto isso, o trabalhador que está em home office teve aumento das despesas residenciais como água, energia, internet e supermercado, sem nenhuma contrapartida dos bancos”, ponderou Carlão.
Cláusulas sociais
Nas cláusulas sociais, o Comando apresentou reivindicações como a suspensão dos processos de terceirização pelos bancos; a criação de uma comissão para debater, acompanhar e apresentar propostas em razão dos projetos de mudanças tecnológicas. Também reivindicaram a isenção de tarifas e cobrança de juros menores aos trabalhadores das instituições bancárias, proposta que os representantes dos bancos não manifestaram concordância. A Fenaban também evitou discutir a proposta de aumentar a estabilidade de 24 para 36 meses imediatamente anteriores ao preenchimento dos requisitos para obtenção de aposentadoria.
“Entramos na reta final da campanha, é um momento decisivo. A categoria precisa estar preparada, inclusive para uma greve. Vamos avaliar as próximas rodadas e ver qual será a resposta dos banqueiros. A participação dos bancários nas plenárias de mobilização é essencial neste momento, assim como ampliar nossa mobilização nos locais de trabalho e nas redes sociais para pressionar os bancos”, conclama o Carlão.
A próxima plenária de avaliação da Campanha Nacional será na segunda-feira, 17, a partir das 19h. Os eventos estão sendo realizados em formato de videoconferência para garantir o isolamento social durante a pandemia.
Principais pontos da pauta social
Terceirização – Bancarios querem que os bancos suspendam a implantação de quaisquer projetos de terceirização, a partir da data de entrega da presente pauta de reivindicações.
Comissão sobre mudanças tecnológicas – Criar uma comissão bipartite para debater, acompanhar e apresentar propostas em razão dos projetos de mudanças tecnológicas e organizacionais, reestruturações administrativas, introduções de novos equipamentos, acesso remoto e outras situações similares das empresas abrangidas por esta convenção.
Isenção de taxas e cobrança de juros menores – Os bancos isentarão os trabalhadores abrangidos por esta convenção do pagamento de quaisquer tarifas bancárias.
Indenização adicional – o pedido é pra aumentar o valor. Caso dispensas se concretizem, os bancos pagarão indenização adicional, no valor equivalente a três vezes a maior remuneração do empregado para cada cinco anos trabalhados.
Estabilidade na pré-aposentadoria – Estabilidade para o trabalhador em período de pré-aposentadoria a partir de 36 meses imediatamente anteriores ao preenchimento dos requisitos para obtenção de aposentadoria
Comissão de segurança bancária – Manutenção e continuidade dos trabalhos da Comissão de Segurança Bancária.
Renovação da Convenção Coletiva de Prevenção à Violência contra a mulher









