A Conferência Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro 2023 vai acontecer de 4 a 6 de agosto, conforme indicativo aprovado pelo Comando Nacional dos Bancários em reunião realizada nesta quarta-feira (3). Por maioria, contra os votos da Intersindical, representada pelo diretor do Sindicato dos Bancários/ES, Carlos Pereira de Araújo (Carlão), e da Central de Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), o Comando também decidiu que neste ano não acontecerão congressos específicos dos bancos públicos nem dos bancos privados.
“Esse é um grande equívoco, principalmente neste momento que precisamos fortalecer a luta no Banco do Brasil e na Caixa Econômica Federal, tão fragilizados ao longo dos últimos quatro anos. E também deixaremos de fazer todo um debate nos bancos privados sobre questões específicas que nos afligem no dia a dia. Sempre foi essa a dinâmica: discutimos o específico nos dias que antecedem a conferência para depois debatermos o geral da categoria e da classe. Votamos contra essa proposta de suspensão dos congressos específicos, eu e o camarada da CTB”, afirmou Carlão.
A decisão também pegou de surpresa a coordenadora-geral do Sindicato e bancária da Caixa, Rita Lima. “São 39 anos de Conecef (Congresso Nacional dos Empregados da Caixa), sem falhar em nenhum momento. Qual o sentido de não fazer um congresso num ano que temos negociação no Saúde Caixa e outras diversas questões pendentes de negociação?”, questiona ela. Na sua avaliação, a decisão do Comando foi “arbitrária, desrespeitosa e afronta a organização autônoma dos empregados de bancos públicos”. Rita Lima completa: “Não tem cabimento desmobilizar um espaço organizativo dos trabalhadores. Queremos a revisão imediata dessa decisão arbitrária”.
Outras decisões
Na reunião desta quarta ficou definido que, antecedendo a Conferência Nacional, que será presencial e realizada em São Paulo, vão acontecer as conferências estaduais e regionais, nos meses de junho e julho. Nesse mesmo período, o Comando irá promover uma consulta à categoria para levantar prioridades para a campanha deste ano, que não tem negociação de cláusulas econômicas. O Comando discutiu temas como a reforma tributária, o papel do sistema financeiro e do crédito para a geração de emprego renda, além da democratização e uso dos meios de comunicação e de questões que envolvem o futuro da categoria como itens a serem questionados na consulta.
O Comando indicou a manutenção das mesas permanentes de negociação com os bancos sobre igualdade de oportunidades, saúde e segurança bancária e que as comissões de trabalhadores específicas de cada banco devem definir suas agendas de negociações e seus calendários de luta. Também orientou pela continuidade da campanha #JurosBaixosJá tendo em vista a manutenção da Selic em 13,75%, o que prejudica a geração de empregos e renda.
Outras lutas dos bancários reafirmadas pelo Comando são: regulamentação das redes sociais e democratização dos meios de comunicação; pela reforma sindical; pela regularização do trabalho realizado por trabalhadores de aplicativos, como entregadores, motoristas e outros; por uma reforma tributária justa, com aumento da faixa de isenção de imposto de renda de pessoa física, assim como da isenção da participação nos lucros e resultados (PLR).
Com informações da Contraf

