Condições de trabalho: fim da GDP é a meta dos funcionários do BB

02/07/2023 09:33

A GDP é um mecanismo de tortura e assédio moral, de cobrança indevida dos funcionários

O fim da Gestão de Desempenho Profissional (GDP) é uma das principais reivindicações dos bancários do Banco do Brasil para amenizar as condições de trabalho precárias, que têm adoecido o funcionalismo. “A gente lamenta muito que ainda exista a GDP como absurdo mecanismo de tortura e assédio moral, de cobrança indevida dos funcionários. Esse é o nosso principal foco hoje: derrubar esse mecanismo, que, infelizmente, é o principal causador dos problemas de saúde do trabalhador”, afirmou Danilo Funke, diretor da Fetraf na Comissão dos Empregados do Banco do Brasil

Funke, que participou do Congresso Estadual dos Funcionários do BB, na sexta-feira, 30, na mesa sobre condições de trabalho – ao lado da diretora do Sindicato Cláudia Patrícia Pinheiro – , afirmou que a agenda de negociações com o Banco do Brasil prevê mais seis reuniões para a apresentação das reivindicações. “A gente vê que a cobrança ainda é muito alta por metas e isso de fato ainda não teve um resultado efetivo. Porém, percebemos que nessas mesas de negociação a gente tem sido mais ouvido e, pelo menos, o retorno tem sido mais efetivo, tem se tentado buscar uma solução de forma rápida dos problemas que levamos. O fim do assédio moral, tendo a GDP como a principal ferramenta, é o que vamos lutar para conquistar”.

Conquistas X benefícios

A diretora Cláudia Patrícia abriu sua apresentação alertando os bancários para não confundirem as conquistas da categoria com o que o Banco do Brasil lista como benefícios recebidos pelo funcionalismo. “PLR, jornada de seis horas, auxílios alimentação e refeição, assistência médica e outros são direitos conquistados, nada foi dado de graça”, afirmou como premissa. Ela também lembrou que “proporcionar condições de trabalho adequadas é obrigação legal do banco, mas nem sequer isso é cumprido sem que haja comprometimento da saúde física e psíquica dos funcionários do BB”.

Além das boas condições de trabalho, que englobam desde equipamentos adequados e orientação de como utilizá-los até pausas para descanso e a segurança necessária nas agências e departamentos, a diretora do Sindicato falou sobre Qualidade de Vida no Trabalho (QVT) que é o nível de satisfação que o funcionário tem com o seu ambiente de trabalho e suas atividades exercidas, um conceito trabalhado desde os anos 1970.

Qualidade de vida no trabalho

Segundo Cláudia Patrícia, o estudioso Richard Walton, propôs, em 1976, oito categorias com o objetivo de avaliar a QVT dentro das organizações: remuneração justa e adequada; condições de preservação da saúde com jornada condizente, bem-estar físico e mental e salubridade; uso e desenvolvimento das capacidades; oportunidade de crescimento profissional; integração social, que reúne a inexistência de preconceitos, respeito ao estilo de vida do outro;  constitucionalismo, que significa respeito as normas trabalhistas; equilíbrio entre tempo de trabalho e espaço total de vida; e a relevância social do trabalho.

“Quanto disso existe nos nossos ambientes de trabalho no Banco do Brasil”, questionou  Cláudia Patrícia?  E continuou: “O que a gente percebe hoje é desconsideração total disso. O que temos são trabalhadores exaustos, estressados, esgotados, muitas vezes depressivos, sem ânimo e sem felicidade em seu ambiente de trabalho. Muito pelo contrário, o que encontram é um ambiente hostil, sob constante pressão, com metas rígidas e inalcançáveis, além de recorrente assédio moral, com ameaças de registros negativos e descomissionamento na GDP, desrespeito e menosprezo. E muitas vezes, o trabalhador escuta dos seus superiores (ou até mesmo de colegas) ‘não vamos reclamar, que pelo menos a gente tem emprego!’. É como se tivéssemos a obrigação de sermos gratos pelo que recebemos, quando tudo que recebemos provém do nosso trabalho, do nosso esforço”, afirmou.

Por outro lado, destacou a dirigente sindical, o Banco do Brasil cria falsas tentativas de promoção da Qualidade de Vida no Trabalho. Ela exemplificou as dicas do banco: “organize uma caminhada ou passeio no parque”, “organize competições de vídeo games”, “divulgue dicas de alimentos e hábitos de vida saudável”, “divulgue dicas de alimentos aliados ao bom funcionamento do organismo”, “contrate um profissional (educador físico, personal trainer, fisioterapeuta) para ministrar palestra ou orientar a prática de atividade física”.

Por outro lado, lembra Cláudia Patrícia, “o banco promove exatamente o oposto do que significa qualidade de vida, provocando o adoecimento do trabalhador, com frequentes horas extras (e não remuneradas); ausência ou insuficiência de intervalos para descanso; jornada de trabalho excessiva; esforço mental excessivo; quantidade de funcionários insuficiente para atender à demanda; constante pressão de clientes; pressão para o atingimento de metas inatingíveis; inexistência de reconhecimentos por parte dos “líderes” e direção do banco.

“É preciso estar atentos e vigiar. Cada bancário precisa ser um vigilante, e as situações de desrespeito e excesso precisam ser denunciadas”, afirmou Claudia Patrícia lembrando que o Sindicato tem um canal de denúncias no seu site.