VIII Congresso: guerras imperialistas e avanço da extrema direita são destaques da conjuntura

29/06/2025 10:21

Análises apontam necessidade de ampliar diálogo com a sociedade e fortalecer a garantia de direitos

A mesa de análise de conjuntura do VIII Congresso Estadual dos Bancários e das Bancárias se debruçou na manhã de sábado, 28, sobre os principais acontecimentos e as tendências políticas e econômicas do cenário internacional, nacional e estadual.

“Entender a realidade é o primeiro passo para transformá-la, para orientarmos nossa ação para a mudança”, alertou Fernando Carneiro, historiador e ex-vereador de Belém (PA). O convidado abriu os trabalhos refletindo sobre o cenário das guerras imperialistas no Oriente Médio e no Leste Europeu, destacando o papel estratégico de Israel e dos Estados Unidos no genocídio de Gaza.

“O genocídio promovido pelo estado sionista de Israel coloca à prova a nossa humanidade. Não podemos deixar que isso aconteça impunemente. Israel escalou a violência contra o Iran, o Iêmen, a Síria, o Líbano. Israel não é simplesmente um país, é um enclave com interesses geopolíticos muito importantes na região e vem sendo financiado pelos EUA desde a sua fundação”, destacou.

Segundo Carneiro, as guerras imperialistas atuais refletem uma nova polarização política que coloca Estados Unidos de um lado, China e Rússia do outro, numa disputa que envolve hegemonia econômica, tecnológica e militar. O palestrante também destacou o avanço da extrema direita no mundo, a gravidade da crise climática como efeito do capitalismo, o aumento da concentração de riqueza, o crescimento da informalidade e da precarização do trabalho.

Brasil

O professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) João Cezar de Castro Rocha falou sobre o contexto nacional a partir de uma análise crítica do bolsonarismo e do projeto neoliberal. Ele defendeu que ainda há um projeto de golpe em curso no país, cuja finalidade seria a “pinochetização do Brasil”, uma alusão ao ditador chileno Augusto Pinochet, que após o Golpe Militar no Chile liderou amplo projeto de desregulamentação estatal na década de 1970.

“O governo Lula está sitiado pela mídia corporativa, a Faria Lima, a elite financeira e o Congresso. E por quê? Porque se trata de manter a estrutura favorável ao rentismo e ao saque permanente do Estado pela elite política, empresarial e financeira”.

E qual é a finalidade do golpe, ele pergunta. “É o projeto que o Bolsonaro não foi capaz de levar adiante. É a pinochetização do Brasil, a retirada do Estado das suas funções sociais. É a onipresença de uma palavra mágica de Paulo Guedes, a ‘voucherização’. Escola pública, para quê? Dê voucher. SUS, para quê? É a venda indiscriminada de todos os ativos da nação, com supressão ainda mais radical dos direitos do trabalho. Isso só se consegue com um projeto político autoritário e com uma concepção militarizada da segurança pública para militarizar o cotidiano”, explicou.

Guerra cultural

O professor também analisou a forma como o bolsonarismo se relaciona com a extrema direita transnacional, as técnicas de sedução, manipulação e convencimento, e como isso impactou os processos eleitorais no Brasil. “A guerra cultural pretende naturalizar o neoliberalismo predador que esgota a natureza, promove a uberização do trabalho, a precarização da vida e um projeto autoritário de sociedade”, diz.

O caminho, para o especialista, passa pela garantia de direitos. “Precisamos defender uma democracia que não seja apenas formal, mas que garanta acesso a direitos”, sinaliza.

Espírito Santo

André Moreira, advogado militante de direitos humanos e ex-vereador de Vitória, conectou as análises ao contexto do Espírito Santo.

“Nos últimos 20 anos, o projeto de desenvolvimento do Espírito Santo é comandado pelo mesmo grupo. E os que se apresentam como próximos candidatos ao Governo do Estado são todos da direita”.

O impacto desse projeto também envolve a implementação de políticas neoliberais que ameaçam o patrimônio público e os direitos dos trabalhadores. É o caso das investidas contra o Banestes.

“A tentativa de vender o Banestes é cíclica, cada governo tem uma estratégia específica. Agora estamos enfrentando a venda de subsidiárias, a criação de parcerias privadas em concorrência desleal com o interesse do banco e o lançamento de um PCS [Plano de Cargos e Salários] que, se for implementado, limpa a área para a privatização”, alertou.

André defende a ampliação do diálogo com a sociedade para evitar o avanço da direita. “Por que, no Espírito Santo, a Codesa e a Cesan foram vendidas e o Banestes não? Porque o Sindibancários conseguiu dialogar com a sociedade e reafirmar que Banestes é nosso, é do povo capixaba. Temos que ganhar espaço pras nossas pautas, lutar pela garantia dos serviços públicos, essa luta precisa continuar”, concluiu.

A mesa foi transmitida ao vivo e o debate está disponível na íntegra no canal do Sindicato no youtube.