
O Projeto de Lei 1043, que trata da abertura dos bancos aos sábados e domingos, só voltará a ser discutido na Câmara Federal após o período eleitoral. Esse foi o compromisso assumido pelo presidente da Comissão de Direitos do Consumidor, deputado Sílvio Costa Filho (Republicanos-PE), ao final da audiência pública realizada na manhã desta quarta-feira, 6, por requerimento do deputado Ivan Valente (PSOL-SP), atendendo a pedido dos bancários.
Valente propôs na audiência que, além de suspender a discussão, seja feita uma conversa com o autor e o relator do PL, deputados David Soares (União-SP) e Eli Corrêa Filho (União-SP), respectivamente, para tentar o arquivamento definitivo do projeto. Diversos deputados presentes concordam que a proposta é descabida e deve ser arquivada.
A coordenadora geral do Sindibancários/ES, Rita Lima, comemorou o adiamento. “A jornada de trabalho da categoria é uma conquista histórica e é com frequência atacada pelos bancos, e nossa mobilização tem conseguido barrar essas iniciativas. Mais uma vez precisamos estar atentos para enterrar de vez esse projeto. Nada justifica o trabalho aos sábados e domingos, a não ser a ganância dos banqueiros”.
Debate
O representante da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Amaury Oliva, tentou sustentar que falava na perspectiva do consumidor bancário, mas não convenceu os deputados, ficando claro que o interesse dos bancos é aumentar a lucratividade sobre a força de trabalho da categoria.
As intervenções dos representantes dos trabalhadores foram enfáticas ao descontruir o argumento dos banqueiros.
Marcelo Gonçalves, representante da Associação dos Funcionários do Grupo Santander Banespa, Banesprev e Cabesp (Afubesp), esclareceu que o projeto não é para melhor atender à população, mas para ampliar a jornada a fim de vender produtos. “Se fosse para atender à população, deveria contratar mais bancários para diminuir as filas, sobretudo a população mais carente. O que interessa ao consumidor é a redução dos juros, é acabar com a venda casada, esse é o debate urgente que o parlamento precisa fazer”.
Alexandre Caso, dirigente da Intersindical que representou a Agenda Legislativa das Centrais Sindicais, completou. “Deveríamos discutir a ampliação de serviços bancários a quem vai às agências de segunda a sexta-feira. Hoje, a maioria da população não passa do autoatendimento e é direcionada para canais digitais e correspondentes. Então os bancos não farão aos finais de semana o que já não fazem de segunda a sexta. Esse projeto é elitista e busca atender a um segmento de mercado específico”, disse Caso, lembrando que apenas 3% das operações bancárias hoje são realizadas nas agências físicas.
Juvandia Moreira, presidenta da Contraf, relacionou o projeto ao atual modelo de gestão dos bancos, responsável pelo adoecimento da categoria e pelo tratamento abusivo ao consumidor.
“Os bancários são obrigados a vender produtos, seguros, títulos de capitalização, e são tão cobrados que adoecem pela imposição de metas. Os clientes estão saturados disso. Acabamos de ver na Caixa o assédio moral sendo aplicado como método de gestão, e o resultado é o adoecimento da categoria, os transtornos mentais e comportamentais, síndrome do pânico, estresse. Adoecem os bancários e o adoece o bolso dos clientes. E é isso que os bancos querem ao abrir aos finais de semanas, vender mais produtos”, advertiu Juvandia.
#TrabalhoSábadoNão
#TrabalhoDomingoNão

