Levantamento da subseção de Brasília do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), encomendado pela Fenae, com base nos dados do novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), aponta que os desligamentos por morte cresceram 253% entre os empregados da Caixa no comparativo dos quatro primeiros meses de 2021 com o mesmo período do ano passado. São 46 mortes este ano contra 13 do ano passado.
No comparativo com todos os bancários, foram 84 mortes nos quatro primeiros meses de 2020 contra 208 de janeiro a abril deste ano, aumento de 147%. Importante destacar que o campo desligamento do Caged não especifica a causa da morte. Isso quer dizer que não se pode afirmar que o incremento de mortes no primeiro quadrimestre de 2021 possa ser atribuído exclusivamente à covid. Mas os aumentos percentuais significativos permitem deduzir que as mortes estejam relacionadas à doença (ver quadro abaixo).

Para Ronan Teixeira, diretor que está à frente da Secretaria de Saúde do Sindicato dos Bancários/ES, o levantamento do Dieese confirma a grande vulnerabilidade dos empregados da Caixa em relação à covid-19. “Desde o início da pandemia, os empregados e as empregadas da Caixa estão todos os dias cara a cara com o vírus. Entre 2020 e 2021, mais de 100 milhões de brasileiros foram a uma das agências da Caixa para receber o auxílio emergencial, sem contar os outros benefícios sociais que também são pagos pelo banco público. Os empregados continuaram na linha de frente mesmo durante as fases mais agudas da doença, como nos primeiros meses deste ano, quando as mortes dispararam com as novas cepas que passaram a circular”.
Categoria em risco
Ronan acrescenta que o risco é alto não só para os empregados da Caixa, mas para a categoria bancária de maneira geral. “Na Caixa, a incidência de casos e consequentemente de óbitos é maior porque o pagamento do auxílio emergencial tem levado milhões de pessoas às agências, mas o risco é grande para todos os bancários. As agências são verdadeiras caixas de concreto, sem ventilação natural, que foram concebidas para proteger o patrimônio e não garantir o bem-estar de empregados e clientes. Ambientes propícios para a propagação do vírus”.
O dirigente afirma que por todos esses motivos as centrais e entidades sindicais de todo o país têm se mobilizado para incluir a categoria bancária no Plano Nacional de Imunização (PNI). Na semana passada, a Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 1011/20, que estabelece prioridade para novos grupos dentro do plano de vacinação contra a covid-19, e inclui os bancários, entre outras categorias. A proposta ainda será analisada pelo Senado.
Repercussão
O Valor Econômico repercutiu nesta quarta-feira, 23, o estudo do Dieese que aponta o crescimento das mortes entre os empregados da Caixa. O jornal ouviu a direção do banco, que afirmou que a Caixa cumpre seu papel na operação de pagamento dos benefícios emergenciais. E salientou que tem buscado proteger a saúde dos seus funcionários. “A Caixa é referência em prevenção à saúde no setor. Cuida de seus empregados, colaboradores e clientes, seja na oferta de soluções, definição de protocolos de prevenção e aquisição de equipamentos de proteção individual”.
“Essa afirmação da Caixa é completamente apartada da realidade vivida no dia a dia pelos bancários. Fosse a direção do banco tão empenhada em adotar medidas para proteger as vidas dos seus empregados, não teríamos um número tão alto de casos da doença e mortes”, critica Ronan. Ele diz ainda que é um escárnio a direção do banco afirmar que é “referência em prevenção à saúde no setor”.
O dirigente alega que é difícil a Caixa tentar brigar com os números levantados pelo Dieese. “O aumento das mortes confirma, como a própria Caixa admite, que os empregados estiveram e estão o tempo todo na linha de frente expostos ao vírus, consequentemente, acabam adoecendo mais e as mortes disparam”.
Lizandre Borges integrante da CEE/Caixa também desconstrói os argumentos de que a Caixa zela pela saúde de seus empregados. Ela lembra que havia quase um ano que os protocolos da covid não eram revisados. Na semana passada, em reunião com a CEE/Caixa, a direção do banco apresentou uma atualização dos protocolos.
A diretora do Sindicato diz que as medidas chegam tardiamente porque as demandas eram antigas. Ela aponta também que esse protocolo apresentado pela Caixa ainda é insuficiente. “De julho para cá, quando foi feita essa última revisão nos protocolos, já passou muita água por debaixo da ponte. Tivemos o aumento de casos e óbitos nos primeiros meses deste ano, como confirma o estudo, e o surgimento das novas variantes. A doença é dinâmica e os protocolos precisam ser atualizados. Caso contrário, se tornam obsoletos e perdem a efetividade. O resultado é o aumento das mortes”, assinala Lizandre.
CAT
Os bancários e as bancárias infectados pelo coronavírus devem comunicar à Secretaria de Saúde do Sindicato. As informações repassadas são mantidas em total sigilo. Com base nessas informações, a Secretaria de Saúde abrirá a CAT (Comunicação de Acidente de Trabalho) e dará as orientações necessárias ao bancário. Além de garantir direitos, o registro da CAT é importante para o Sindicato ter o controle sobre o número de bancários infectados. Esses dados são muito importantes para fundamentar a luta por melhores condições de trabalho e saúde durante e também depois da pandemia.
Secretaria de Saúde (27-99650-8033) . Você também pode utilizar o Canal de Denúncias do nosso site.

