
Vestindo preto, empregados se reúnem na agência Vila Velha
As agências Caixa Beira-Mar, em Vitória, e Caixa Vila Velha só abriram nesta quinta-feira, 13, às 11 horas. O retardamento da abertura das unidades integra o protesto nacional contra a reestruturação imposta pela direção do banco de forma intempestiva. Essa reestruturação, além de impactar a vida dos empregados, transforma a Caixa numa empresa comercial, distanciada da função social que é a base da sua existência nestes 159 anos. Houve também reuniões nas superintendências Norte e Sul e, no dia anterior, na Regad (Representação de Gestão de Adimplência).
“A reestruturação vem para mudar o conceito do banco, abandonando seu caráter público. É mais um passo na política de privatização lenta, que vem acontecendo com o fatiamento do banco por meio da venda de áreas lucrativas, como a Caixa Seguridades e a Lotex”, afirmou a diretora do Sindicato Rita Lima, abrindo a plenária com os empregados da Beira-Mar que ocorreu em frente à agência. “Entregando a Caixa aos bancos privados, vocês acham que haverá política habitacional para a população de baixa renda ter acesso à casa própria?”, alertou Rita Lima dirigindo-se aos clientes. “A reestruturação de rede e o fatiamento confirmam o caráter autoritário, tirano e nada transparente desta gestão”, concluiu.
Caixa não negocia
Na plenária, foram dados informes sobre a reunião entre a Comissão Executiva dos Empregados (CEE/Caixa) e a direção do banco, ocorrida na quarta-feira, 12. Após tomar conhecimento das reivindicações dos empregados, os representantes patronais saíram para ouvir a direção do banco. No retorno, apresentaram uma proposta na qual o banco não aceitava parar a reestruturação e não dava respostas às perguntas. A CEE apresentou um contraproposta, mas o banco, sem negociar, não aceitou e encerrou a reunião.

Em frente à Beira-Mar, empregados realizam plenária
“O banco não quis negociar. A CEE basicamente pedia a suspensão do processo, a resposta às inúmeras perguntas dos empregados e, a partir dos esclarecimentos, o início de uma efetiva negociação sobre essas mudanças de função. Mas o banco não quer dar garantias para as áreas que serão extintas, nem para empregados que teriam que optar por decesso”, afirma a diretora do Sindicato Rita Lima.
Na última terça-feira, a 6ª Vara do Trabalho de Brasília suspendeu a reestruturação por meio de uma liminar concedida em ação proposta pela Contraf. Com a liminar, foi retirado do ar o portal UmasóCaixa, plataforma que recebia as manifestações de interesse dos empregados que optaram pela mudança de função e lotação do plano de reestruturação, usada pela Caixa para validar a função dos empregados.
“Os empregados tinham dois dias para, sem todas as informações, fazer essa opção, mudando completamente a vida deles, sob pressão. Além disso, a revalidação não leva em conta que os empregados já passaram por processo seletivo interno. Consideramos que essa forma é desrespeitosa com a história de trabalho dos empregados da Caixa”, afirma Rita Lima.
Luto e indignação
Em várias agências e departamentos do banco, os empregados vestiram roupas na cor preta para manifestar sua discordância à proposta de reestruturação apresentada pela Caixa. Confira algumas imagens.
Fotos da paralisação: Sérgio Cardoso






