
Dirigentes atuais e ex-dirigentes do Sindicato na comemoração dos 90 anos (Fotos: Zanete Dadalto)
A jornada que se iniciou em 12 de janeiro de 1934 completou exatos 90 anos este ano. Essa trajetória de lutas, conquistas, glórias e também derrotas, teve sua apoteose na última sexta-feira (12). A festa de celebração dos 90 anos do Sindicato dos Bancários do Espírito Santo reuniu, em Vitória, na Casa Mizzi, dirigentes do Sindicato, de centrais sindicais e o convidado mais especial da noite: a classe trabalhadora, representada por bancários e bancárias (aposentados e da ativa) que ajudaram a escrever um pedacinho dessa história quase centenária.
Na cerimônia de abertura da festa, a coordenadora-geral do Sindibancários, Rita Lima, confidenciou que durante todo o dia havia se emocionado diversas vezes com os flash que lhe vinham à mente. “Boa parte desses 90 anos a gente esteve presente. São muitas lembranças, memórias. E quando vejo aqui ex-diretoras, ex-diretores, companheiras e companheiros de luta, não tem como não se emocionar. Passa um filme na cabeça que nos gratifica”. A dirigente assinalou que a história do Sindicato é escrita a partir de cada uma dessas lutas, a cada nova conquista e também nas derrotas. “Porque também se aprende com as derrotas”.

Rita Lima lembrou que a história do Sindicato é viva, construída todos os dias
Rita afirmou que a história do Sindicato é composta de diversas camadas. “Essa é uma história viva. Esta categoria é herdeira de uma histórica tradição de resistência e luta. Desde a luta contra escravidão e contra o extermínio dos indígenas. As revoltas populares, em especial, Canudos. Queremos reivindicar Palmares, queremos reivindicar a resistência indígena e de toda essa variedade de diversidade de povos que antes de nós já estavam aqui, já faziam história. Há quem diga que a luta dos trabalhadores começou com os sindicatos. Não é verdade. No Brasil escravista já havia vários embriões de resistência e de organização dos escravos”, pontuou.
Ela lembrou que ao longo dessas nove décadas as conjunturas política, econômica e social foram mudando e tiveram impactos diretos sobre a classe trabalhadora. “É uma história de muitas subidas e descidas e, às vezes, de muitas conquistas”. Rita assinalou que o Sindicato logo após a sua criação enfrentou a ditadura de Getúlio Vargas (1937 – 1945). Em seguida teria suas liberdades tolhidas sob ditadura cívico-militar (1964 – 1985), que trouxe um retrocesso de 20 anos para o país. Ela destacou ainda, na história mais recente do Sindicato, os ataques à classe trabalhadora com a reforma trabalhista do governo Temer e o aprofundamento da precarização das relações de trabalho sob Bolsonaro. “Essa última década foi muito difícil para nós, mas em nenhum momento desanimamos ou pensamos em desistir. Pelo contrário, a gente luta porque essa é a nossa história, porque sabemos que sua luta nos garante. Se ousarmos lutar, venceremos”, repetiu Rita três vezes com a mão esquerda erguida e cerrada, sendo seguida por vários dos presentes.
Sindicato classista
Quadro histórico do Sindibancário, Carlos Pereira de Araújo (Carlão) destacou a singularidade de uma entidade sindical completar 90 anos de existência. “Nesses 90 anos, temos honrado a tradição dos que passaram pelo Sinidcato, que resistiram e construíram esse legado. Nossos passos vêm de longe”, sublinhou Carlão, se referindo ao mote comemorativo dos 90 anos do Sindicato.
Carlão, que também integra o Comando Nacional dos Bancários, recordou algumas passagens dessa trajetória do Sindicato, destacando a defesa dos bancos públicos. O dirigente lembrou que além da luta contra a privatização dos bancos públicos, o Sindicato sempre defendeu o papel social de instituições como o Banestes, Banco do Brasil, a Caixa e o Banco do Nordeste. “Não somos um Sindicato corporativista. Somos um Sindicato classista que além de defender a categoria de forma firme, também lutamos pelo conjunto da classe trabalhadora, em defesa do trabalhador do campo, do desempregado. Lutamos contra todas as formas de opressão: social, econômica, ideológica, de gênero, de raça”, enfatizou. Ao final, o dirigente parabenizou o Sindicato e a categoria.

Nilza destacou a importância do Sindicato para a formação da Intersindical
Nilza Pereira, secretária-geral da Intersindical – Central da Classe Trabalhadora – entidade à qual o Sindibancários é filiado – veio especialmente de São Paulo para prestigiar a festa dos 90 anos do Sindicato. “Venho com muito orgulho participar desta festa, porque as organizações de trabalhadores como essa, resistem ao tempo. Elas resistem às crises econômicas, aos ataques do capital. É isso que faz com que nós, trabalhadores, avancemos”. A dirigente da Intersindical também destacou as dificuldades enfrentadas pelo movimento sindical a partir do impeachment da presidenta Dilma (2016) e com a reforma trabalhista imposta por Temer. “Nos mantivemos firmes e este Sindicato foi fundamental nessa luta”. Nilza destacou que o Sindibancários tem um papel muito importante na construção da Intersindical, uma das mais novas centrais do país.
A dirigente relembrou do tempo de militância sindical nos anos 1990 ainda na CUT, quando conheceu Rita Lima. “Passamos um tempo distante e voltamos a nos encontrar, porque assim também é a nossa classe. Ela constrói no seu cotidiano e na história”. A dirigente afirmou que as pessoas passam, mas as organizações ficam. “Prova disso é o Sindicato dos Bancários completando 90 anos. Desejo vida longa a essa diretoria, à classe trabalhadora e ao Sindicato”.
Defesa do Banestes
Cláudio Merçon (Cacau), representando Nilton Damião, presidente da Federação dos Bancários do Rio de Janeiro e Espírito Santo (Fetraf Rj-ES), saudou os 90 anos do Sindicato. “Em nome de Rita Lima, coordenadora-geral do Sindicato, queria fazer uma saudação especial a todas as mulheres aqui presentes. Nossa categoria tem mais mulheres do que homens. Por causa dessa representatividade, o Sindicato sempre foi referência nessa luta das mulheres, tanto para nossa Federação quanto para a nossa Confederação, e para toda a categoria bancária”, apontou.
Cacau assinalou que o Sindicato construiu uma referência que vai além da categoria bancária. “O Sindicato é referência na luta de classe. O dirigente lembrou ainda da luta do Sindicato em defesa do Banestes. “Infelizmente, o Banerj foi vendido e o Rio de Janeiro não tem mais um banco público estadual. Mas aqui no Espírito Santo temos a honra de dizer que temos um banco público e estadual”. Cacau disse que ante as diversas tentativas de privatização, o Sindicato, com muita mobilização e luta, conseguiu manter o banco nas mãos do povo capixaba. “Hoje vemos que este Sindicato não é só bom de luta, de greve, é bom de festa também”, registrou o dirigente.

Clemildes registrou que o Sindibancários foi importante para a construção da CUT no ES
CUT-ES marca presença
A presidenta da Central Única dos Trabalhadores (CUT-ES), Clemildes Cortes Pereira, também participou da comemoração e se disse honrada com o convite. “Quero parabenizar toda a categoria bancária. Afinal, não é todo dia que se faz 90 anos”. Clemildes lembrou do período em que Rita Lima fazia parte da CUT e disse que o Sindicato ajudou a construir a CUT no Espírito Santo. Embora estejam hoje vinculadas a centrais sindicais diferentes, Clemildes pontuou que a luta as mantêm próximas. “Nunca deixamos de estar juntas. O Sindicato dos Bancários é um parceiro. Quero saudar a todos e todas por essa data tão importante. É disso que a gente precisa, de preservar as nossas instituições e valorizar a luta da trabalhadora e do trabalhador. Parabéns e que venham mais 90 anos!”.
Se a noite era de comemoração e alegria, a trilha sonora parece ter se harmonizado bem com o clima festivo. Serginho Oliveira abriu os trabalhos musicais com um repertório bastante variado, do melhor da MPB, mandando Chico Buarque e Elis, até clássicos internacionais como Queen, passando pela rumba-flamenca do Gipsy Kings (Bamboléo), que fez muito sucesso nos anos 1990. A segunda parte e encerramento da festa ficou por conta de Amaro Lima, que interpretou as músicas do show “Noite Manimal”. A mistura de Congo com música Pop não deixou ninguém sentado até o fim da festa.
Sindicato foi decisivo
Entre uma música e outra, bancárias e bancários se manifestaram sobre os 90 anos do Sindicato. Empregada da Caixa de 1990, Gerusa Curcio deu um depoimento bastante emocionado. Ela lembrou que estava na leva de empregados demitidos pelo então presidente Collor (1990 – 1992 – sofreu impeachment) e contou que o Sindicato foi decisivo na readmissão dos demitidos. “Hoje [12 de janeiro] também é aniversário da Caixa, 163 anos. As histórias da Caixa e do Sindicato são voltadas para as causas sociais. Eu tenho orgulho disso”. Ela destacou ainda a força que o Sindicato dá aos trabalhadores nos momentos difíceis, “e nos momentos alegres iguais a esse”.
Gabriel Gama, do Banestes, disse que era uma alegria comemorar os 90 anos do Sindicato. “As grandes conquistas são frutos da luta coletiva e da organização dos sindicalizados. Hoje a categoria é muito forte e reconhecida pelo trabalho sério do Sindicato”.
Para Rafael Melo, funcionário do Banco do Brasil, o Sindicato é essencial para a categoria, porque vai sempre estar do lado do trabalhador, “protegendo os nossos direitos. Parabenizo os 90 anos do Sindicato”, finalizou.
Confira as fotos dos 90 anos do Sindibancários/ES
(Fotos: Zanete Dadalto)

