A Greve geral dos trabalhadores capixabas parou literalmente os municípios da região metropolitana de Vitória, nesta quinta-feira, 11. A adesão dos trabalhadores à paralisação foi praticamente total. No início da tarde, manifestantes que estavam concentrados em diversos pontos da Grande Vitória se encontraram em frente à Assembleia Legislativa do Estado (Ales), onde fizeram uma vigília em apoio ao grupo que permanece ocupando o prédio pelo fim do pedágio da Terceira Ponte.
A proposta inicial era de que uma comissão dos trabalhadores fosse recebida pelo presidente da Casa, Theodorico Ferraço, para entregar a pauta de reivindicações ao legislativo. Contudo, diante do pedido de reintegração de posse feito pela Ales, que aguarda apreciação da Justiça, os trabalhadores decidiram permanecer do lado de fora para garantir a integridade física do grupo que ocupa a Assembleia, no caso de uma tentativa de desocupação do prédio.
“Não podemos sair desse ato com o risco iminente de uma desocupação à força pela Polícia Militar, que pode colocar em risco a integridade dos militantes que seguem lutando por um direito do povo capixaba”, explica Idelmar Casagrande, diretor do Sindicato dos Bancários/ES. De acordo com Idelmar, a pauta será entregue posteriormente, de forma individual, a todos os 30 parlamentares da Assembleia.
O movimento Ocupa Ales divulgou uma nota reafirmando o posicionamento de permanecer na Assembleia até a votação do decreto legislativo que propõe o fim do pedágio da Terceira Ponte, prevista para a próxima segunda-feira, 15. Em nota, eles apresentaram outras reivindicações, como “o corte de ponto dos deputados que boicotam as sessões, uma reunião do movimento diretamente com o governador e a instituição de um espaço permanente destinado aos movimentos sociais dentro da casa do povo”.
Bancos ficam fechados
Apesar da pressão de alguns gestores para a não adesão à greve, quase todas as agências bancárias na Grande Vitória ficaram fechadas durante todo o dia. “A participação dos bancários foi fundamental para a construção e fortalecimento desta greve. É com esse mesmo espírito, de união e resistência, que devemos iniciar a nossa Campanha Salarial. Só assim conseguiremos garantir conquistas para a nossa categoria”, afirma Rita Lima, diretora do Sindicato dos Bancários/ES.
Greve é vitoriosa
Após um dia inteiro de mobilizações, o sentimento predominante para os trabalhadores capixabas foi o de conquista. “O trabalhadores do campo e da cidade construíram uma greve unificada e forte, uma demonstração de que o povo brasileiro quer uma pátria livre de corrupção, livre da exploração dos banqueiros e livre de todas as opressões”, destaca Idelmar Casagrande.
Para a diretora Rita Lima, a data ficará na história do povo brasileiro. “Esse grande dia de luta por direitos sociais é um marco na história dos trabalhadores. Construímos, no Espírito Santo, uma das paralisações mais fortes de todo o país, com ampla adesão. Agora é preciso seguir em frente, cobrar do governo estadual os compromissos assumidos com os trabalhadores e avançar a resistência popular no nosso Estado”, conclui.

