Nos duzentos anos do grito do Ipiranga, bradado por Dom Pedro I em 7 de setembro de 1822, igrejas, entidade sindicais e movimentos sociais vão às ruas mais uma vez no 28º Grito dos Excluídos e Excluídas com o questionamento: Brasil – 200 anos de (In)dependência para quem? Já são quase três décadas de protestos em contraposição às comemorações oficiais num Brasil dependente e subserviente ao Capital internacional, onde prevalecem as desigualdades sociais e ausência de um projeto de soberania nacional pautado na dignidade dos brasileiros.

Programação

Em Vitória, o Grito começa às 8 horas, na Ufes, em Goiabeiras. De lá os manifestantes seguem até a sede da Petrobras, na Reta da Penha, para um ato contra as privatizações, os altos preços dos combustíveis e do gás de cozinha. A caminhada vai até a Praça de Gurigica, local onde haverá um ato contra a carestia. O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), com apoio da Campanha Paz e Pão, da Arquidiocese de Vitória, distribuirá alimentos arrecadados entre agricultores familiares, trabalhadores rurais dos assentamentos do MST e dos acampamentos.

Mapa da Fome

A diretora do Sindicato dos Bancários/ES Claudia Patricia Pinheiro, que participa da organização da 28ª edição do Grito no Espírito Santo, lembra que neste ano o protesto ganha um significado ainda mais forte, pois “acontece num momento em que o país voltou ao Mapa da Fome, convive com a carestia, as ameaças à democracia, o desvio do dinheiro público por meio do orçamento secreto e a cultura do ódio disseminada por Bolsonaro e seus seguidores, o que torna grande parte da população ainda mais vulnerável a sofrer violência e ser excluída dos seus direitos”.

Com o tema permanente “Vida em Primeiro Lugar!”, o Grito é um chamamento ao povo “para descer das arquibancadas dos desfiles cívicos e militares e participar, ativamente, na luta por seus direitos, nas ruas e praças, nos centros e nas periferias de todo o Brasil. Para ecoar seus gritos de denúncia e de anúncio de um projeto de país mais justo e igualitário, na defesa da dignidade da vida em primeiro lugar”, afirmam os organizadores do evento.