Decisão da Justiça determinou o retorno presencial dos funcionários do Banestes do grupo de risco que estavam trabalhando em home office. A decisão só se aplica, porém, aos bancários que trabalham em municípios com risco baixo. Os banestianos do grupo de risco que trabalham em municípios com risco moderado, alto ou extremo, só poderão retornar ao trabalho presencial se já tiverem tomado as duas doses da vacina contra a covid-19 há mais de 15 dias. De acordo com o Mapa de Risco do Governo do Estado que passa a vigorar neste segunda-feira, 21, há 15 municípios em risco baixo, 5 em alto e 58 em moderado (confira a classificação de risco atualizada no final desta matéria).
Diz um trecho da decisão: “O regime de teletrabalho/trabalho remoto deverá ser mantido na localidade em que o mapa de gestão de risco do Estado do Espírito Santo indicar risco extremo, alto e moderado, não havendo impedimento à Ré [Banestes] para a retomada das atividades presenciais de seus trabalhadores, em grupo de risco ou não, nas localidades de risco baixo”.
Decisão temerária
Na avaliação do diretor do Sindicato dos Bancários/ES Jonas Freire, embora a decisão mantenha em home office os funcionários do grupo de risco que não tenham sido imunizados ou tomaram apenas a primeira dose, nos municípios classificados como risco moderado, alto ou extremo, há uma preocupação enorme desses trabalhadores, mesmo imunizados, contraírem a doença.
“A ciência já esclareceu que nenhuma vacina garante cem por cento de imunização. O Sindicato considera a decisão da Justiça temerária porque deixa as pessoas do grupo de risco vulneráveis à covid. Todos os dias lemos notícias na imprensa de pessoas que contraíram a covid mesmo após a segunda dose da vacina. O risco para quem está imunizado é menor, mas existe”.
Ele lembra que os vacinados também transmitem o vírus. “As agências bancárias são verdadeiras caixas de concreto sem nenhuma ventilação natural, projetadas para proteger o patrimônio e não para garantir o bem-estar de funcionários e clientes, ou seja, são locais insalubres, quase sempre aglomerados, propícios para o contágio e a transmissão do vírus”, adverte.
Jonas acrescenta que a preocupação aumenta com relação aos funcionários do Banestes que atuam em municípios classificados como risco baixo – de acordo com a atual Matriz de Risco, são 15. “Esses trabalhadores e essas trabalhadores correm ainda mais risco, porque, de acordo com a decisão, devem retornar à atividade presencial mesmo sem estarem imunizados. Sabemos que há subjetividade nos critérios utilizados na Matriz de Risco. Hoje o município é moderado e na segunda-feira já pode passar para risco baixo e o banestiano, vacinado ou não, com comorbidade ou não, será obrigado a voltar para linha de frente a se expor ao vírus”.
O dirigente diz que o Sindicato já consultou sua assessoria jurídica e vai recorrer da decisão. “Não podemos aceitar uma decisão que põe em risco a vida de trabalhadores com mais de 60 anos, gestantes, lactantes e portadores de comorbidades”, assinala.
Reunião com Banestes
Em reunião com representantes do Banestes, nessa quinta-feira, 17, diretores do Sindibancários/ES reivindicaram a continuidade do home office para os bancários e bancárias do grupo de risco. “Independentemente da decisão da Justiça, esperamos que a direção do Banestes mantenha os bancários e as bancárias do grupo de risco, mesmo os vacinados, em home office”.
Até o fechamento desta matéria a direção do Banestes ainda não respondeu ao Sindicato se irá ou não convocar os funcionários do grupo de risco para o retorno ao trabalho presencial.
Banestes queria retorno em setembro
Em setembro do ano passado, o Banestes emitiu comunicado requerendo o retorno dos funcionários do grupo de risco ao trabalho presencial. Desde então, o Sindicato vem travando uma batalha jurídica para manter os funcionários em home office. A Justiça até então, vinha prorrogando sistematicamente as liminares e mantendo os funcionários do grupo de risco em trabalho remoto. “Agora veio a decisão e vamos recorrer para tentar revertê-la. Vamos também aguardar uma manifestação da direção do Banestes sobre o nosso pleito. Nosso compromisso é em defesa das vidas dos trabalhadores e das trabalhadoras”, finaliza.
Confira a classificação do Governo do Estado dos municípios que vigora de 21 a 27 de junho
- RISCO BAIXO: Baixo Guandu, Castelo, Colatina, Conceição do Castelo, Iconha, Itaguaçu, Jerônimo Monteiro, Mucurici, Muqui, Piúma, Ponto Belo, Santa Maria de Jetibá, São Domingos do Norte, São Roque do Canaã e Vila Pavão.
- RISCO MODERADO: Afonso Cláudio, Água Doce do Norte, Águia Branca, Alegre, Alfredo Chaves, Alto Rio Novo, Anchieta, Apiacá, Aracruz, Atílio Vivácqua, Barra de São Francisco, Boa Esperança, Bom Jesus do Norte, Brejetuba, Cachoeiro de Itapemirim, Cariacica, Conceição da Barra, Divino de São Lourenço, Domingos Martins, Dores do Rio Preto, Ecoporanga, Fundão, Governador Lindenberg, Guaçuí, Guarapari, Ibitirama, Irupi, Itapemirim, Itarana, Iúna, Jaguaré, João Neiva, Laranja da Terra, Linhares, Marechal Floriano, Marilândia, Mimoso do Sul, Montanha, Muniz Freire, Nova Venécia, Pancas, Pedro Canário, Presidente Kennedy, Rio Bananal, Rio Novo do Sul, Santa Leopoldina, Santa Teresa, São Gabriel da Palha, São José do Calçado, São Mateus, Serra, Sooretama, Vargem Alta, Venda Nova do Imigrante, Viana, Vila Valério, Vila Velha e Vitória.
- RISCO ALTO: Ibatiba, Ibiraçu, Mantenópolis, Marataízes e Pinheiros.

