A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apontou que o rendimento do trabalhador brasileiro caiu 1% em 2022 em relação a 2021. De acordo com o levantamento, cada trabalhador recebeu, em média, R$ 2.715 por mês em 2022. Valor R$ 28 a menos no comparativo com 2021. Observando a série histórica, o rendimento do trabalhador praticamente permanece congelado há dez anos. De 2012 para cá, a média do ganho mensal cresceu apenas 1,3%. Nesse período, a inflação oficial acumulou alta de 81%. 

“Esse dado confirma a percepção do trabalhador que sentiu que vem perdendo seu poder de compra nos últimos anos, com o agravamento da situação. Sob Temer e Bolsonaro, o trabalhador vem acumulando perdas ano a ano. No ano passado, essa política liberal de Bolsonaro e Paulo Guedes dificultaram as negociações salariais para quase todos os trabalhadores. Muitas negociações ficaram abaixo da inflação ou empataram. Poucas categorias conseguiram conquistar ganhos reais acima da inflação”, recorda Carlos Pereira de Araújo (Carlão), diretor do Sindicato dos Bancários e membro do Comando Nacional dos Bancários. 

Segundo o IBGE, em julho de 2022, 57,1% dos reajustes salariais ficaram abaixo do INPC; 22,5% das categorias conseguiram apenas repor a inflação e apenas 20,5% dos trabalhadores conquistaram reajustes acima da inflação. Em janeiro de 2023, 75,3% dos trabalhadores conquistaram reajustes acima da inflação; 16,5% empataram e 8,2% ficaram abaixo do INPC (veja tabela abaixo). 

O dirigente, com base nos dados do IBGE de janeiro, afirma que há uma perspectiva, ainda que tímida, de melhora para 2023. Segundo o IBGE, a variação real média dos reajustes (média simples dos reajustes após descontar a inflação) em janeiro foi de 1% acima do INPC. O resultado mantém a tendência de melhora observada nas últimas datas-bases. 

Precariado

De acordo com a pesquisa do IBGE, o total de ocupados chegou a 98 milhões, maior média anual da série, com crescimento de 7,4% sobre 2021. Mas o número de empregados sem carteira no setor privado (12,9 milhões) cresceu mais que o de trabalhadores com carteira (35,9 milhões). Os aumentos foram de 14,9% e 9,2%, respectivamente.

“Esse dado reflete o que foi o governo Bolsonaro. Redução dos postos de trabalho formais e crescimento da informalidade. O aumento do precariado significa salários mais baixos, fim dos direitos e das garantias trabalhistas e, consequentemente, aumento da pobreza e da desigualdade. Bolsonaro foi promotor da precarização do trabalho. Por meio de medidas provisórias, Bolsonaro elevou o risco social dos trabalhadores, que ficaram cada vez mais desprotegidos. Esse ambiente de instabilidade repercutiu nas mesas de negociações salariais dos trabalhadores formais, que tiveram dificuldade para negociar reajustes acima da inflação, como mostrou o estudo do IBGE”, destaca Carlão.

Ainda segundo o estudo do IBGE, o número médio de trabalhadores por conta própria subiu 2,6%, para 25,5 milhões. De outro lado, os empregados no setor doméstico, onde predomina a informalidade, aumentou 12,2%, chegando a 5,8 milhões. Com esses resultados, a taxa média de informalidade oscilou de 40,1%, em 2021, para 39,6%. As taxas ficaram bem acima das registradas em 2016 (38,6%) e mesmo em 2020 (38,3%).

(Foto capa: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)