Divulgado nessa segunda-feira (3), o lucro líquido recorrente do Itaú Unibanco no primeiro trimestre deste ano foi de 6,4 bilhões, o que corresponde a uma alta de 63,5% se comparado ao mesmo período de 2020, e de 18,7% em relação ao trimestre anterior (outubro, novembro e dezembro).
“Os lucros revelam que a pandemia não atingiu a todos os setores. Os bancos continuam com um lucro exorbitante, inversamente proporcional à fome, à miséria e ao desemprego, que afeta especialmente a classe trabalhadora”, afirma o diretor do Sindibancários/ES Carlos Pereira de Araújo (Carlão).
Calote não veio
Carlão recorda que o Itaú, assim como a maioria dos bancos, elevou de maneira significativa as despesas com provisão em 2020, prevendo um prejuízo devido a inadimplências que nunca se concretizou. “Foi um aumento de 52,1% se comparado a 2019. Os bancos superdimensionaram a inadimplência, mas o índice de 2020 acabou sendo inferior ao de 2019”. De acordo com o dirigente, a provisão exagerada faz com que parte do lucro não entre nos resultados e “achate” o valor da PLR.
“Foi uma jogada dos bancos para mascarar os grandes ganhos e justificar para a opinião pública que os bancos também sofreram com a crise sanitária. Essa narrativa de vitimados da pandemia foi usada para justificar as demissões em massa, o fechamento de agências e o aumento da pressão sobre os funcionários para exigir o cumprimento de metas desumanas”, denuncia.
Ditadura do sistema financeiro
Para Carlão, o Brasil vive uma ditadura econômica do sistema financeiro, com a conveniência do Banco Central e do Governo Bolsonaro, que adota uma política necroliberal favorável aos bancos. Os lucros das instituições financeiras brasileiras, afirma, são os maiores do mundo. Ele destaca que, durante a pandemia da covid-19, os banqueiros enriqueceram ainda mais, sendo um dos motivos para isso o trabalho home office.
Essa mudança no cotidiano das trabalhadoras e trabalhadores possibilitou, por exemplo, que as instituições financeiras economizassem com gastos referentes a energia, água e segurança, enquanto as bancárias e os bancários receberam uma pequena ajuda de custo (em média de R$ 80 mensais) para arcar com essas despesas que não cobrem integralmente os gastos do home office. A crise sanitária também favoreceu aos bancos por meio do aumento da utilização de aplicativos para fazer transações bancárias.
A reflexão de Carlão é evidenciada por meio de um estudo publicado pelo Departamento Intersindical de Economia e Estatística (Dieese), que aponta os bancos passaram “imunes” à pandemia em 2020. Juntos, os cinco gigantes do sistema financeiro nacional lucraram R$ 79,3 bilhões no ano passado. Entretanto, reduziram, em todo o Brasil, cerca de 13 mil postos de trabalho no ano anterior, sendo os líderes das demissões o Bradesco, com 7.754 bancários; seguido por Santander (3.220), Caixa (2.611) e Itaú (2.228). Além das demissões, os cinco maiores bancos fecharam 1.364 agências.

