Enquanto o bolso do trabalhador pede socorro, os cofres do Santander seguem esbanjando riqueza, mesmo num longo período de estagnação econômica agravado ainda mais pela crise sanitária. É o que aponta o balanço do primeiro trimestre: o Santander obteve no Brasil um lucro líquido gerencial de R$ 4,012 bilhões, só nos três primeiros meses de 2021.

O resultado é 4,1% maior do que o obtido no mesmo período em 2020 e 1,4% maior do que o obtido no trimestre passado. É o maior lucro trimestral do banco desde o segundo trimestre de 2010.

Para o diretor do Sindibancários/ES Cláudio Merçon (Cacau), esse resultado está intimamente ligado a uma política severa e abusiva de metas que adoece a categoria. “A cobrança de metas está muito forte no Santander, chega a ser uma postura desumana. Enquanto o banco está lucrando, os empregados estão ficando doentes, ‘se matando’ para trabalhar”, critica o diretor. 

Tarifas e demissões

Análise feita pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) indica que a cobrança de tarifas e a demissão de empregados também tiveram peso importante no resultado final. “É o Santander lucrando às custas do desemprego e da exploração dos seus clientes, mesmo com o quadro de vulnerabilidade social e econômica que vivemos durante a pandemia”, diz Cacau.  

A receita com a cobrança pela prestação de serviços e tarifas bancárias cresceu 8,3% em doze meses, totalizando R$ 4,9 bilhões. Os gastos totais com os funcionários tiveram queda de 4,4% no ano, somando um total de R$ 2,2 bilhões. Ou seja, os R$ 4,9 bilhões arrecadados com a cobrança de serviços e tarifas é 215,74% maior do que os gastos com funcionários.

A discrepância é melhor explicada quando associada ao número de demissões do período. A holding encerrou o primeiro trimestre de 2021 com 44.806 empregados, 2.386 postos de trabalho a menos do que o banco tinha há 12 meses. No período também foram fechadas 140 agências e 91 Postos de Atendimento Bancário.

Demissões contribuíram para lucro trimestral

O ano de 2020 foi marcado por protestos contra as demissões no Santander, que ocorreram apesar de acordo de não demissão durante pandemia, assumido pelo banco em negociação (16/06/2020). Foto: Sérgio Cardoso

Carteira

A Carteira de Crédito Ampliada do banco, no país, teve alta de 7,4% em doze meses, atingindo R$ 497,6 bilhões (alta de 11,4% desconsiderando o efeito da variação cambial). As operações com pessoas físicas cresceram 13,4% em doze meses, chegando a R$ 178,4 bilhões, com crescimento em todas as linhas e impulsionadas por Veículos/Leasing (+27,5%) e pelo crédito imobiliário (+23,2%). A Carteira de Financiamento ao Consumo, originada fora da rede de agências, somou R$ 61,1 bilhões, com alta de 3,4% em relação a março de 2020. Do total desta carteira, R$ 51,8 bilhões (ou 84,7% da carteira) referem-se aos financiamentos de veículos para pessoa física, apresentando aumento de 4,1% no período.

O crédito para pessoa jurídica cresceu 14,3% em doze meses, alcançando R$ 185,3 bilhões. O segmento de pequenas e médias empresas cresceu 28,4%, e o de grandes empresas cresceu 9,2%. O Índice de Inadimplência Total superior a 90 dias, incluindo Pessoa Física e Pessoa Jurídica, ficou em 2,1%, com queda de 0,9 pontos percentuais em comparação ao primeiro trimestre de 2020. Já as despesas com provisões para créditos de liquidação duvidosa (PDD) foram reduzidas em 5,8%, totalizando R$ 3,4 bilhões.

Rentabilidade

Tudo isso garantiu ao banco uma rentabilidade (retorno sobre o Patrimônio Líquido Médio Anualizado –ROE) de 20,9% no Brasil, levando o país a responder por 21% do lucro mundial do Santander, que chegou aos € 2,138 bilhões, valor 385,8% maior do que obtido no primeiro trimestre de 2020.

Leia a íntegra da análise Dieese.

Com informações da Contraf