
Lula durante discurso da vitória ao lado de apoiadores (Foto: Paulo Pinto/Ag. Brasil)
Alívio! Talvez esta seja a palavra que melhor represente a sensação dos 64.256.232 de brasileiros e brasileiras que foram às urnas nesse domingo (25) para eleger Luiz Inácio Lula da Silva presidente do Brasil pela quarta vez. Por tudo que estava em jogo, e não era pouca coisa, a vitória de virada entra para a história como a mais emocionante e importante da nossa jovem democracia.
Após o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decretar Lula eleito, o presidente fez um discurso ao povo brasileiro. Sem teleprompter ou anotações, Lula falou de improviso, ainda na emoção da vitória, mas sem deixar de pontuar os principais eixos do seu quarto e último mandato.
Em seguida, Lula agradeceu à população brasileira, especialmente aos jovens, que tiveram um papel central na virada histórica sobre o candidato Flávio Bolsonaro (PL). A maior liderança política do Hemisfério Sul classificou a onda puxada pelos jovens como um movimento orgânico que tomou as ruas em várias cidades do país para promover uma mobilização sem precedentes.
Lula afirmou que a pulsação das ruas criou um ambiente de retroalimentação e sinergia entre o mundo digital e o presencial. Ele creditou o sucesso no universo digital no segundo turno ao fenômeno chamado Exército do Lula. O grupo de WhatsApp organizado pelo deputado federal reeleito André Janones (Rede/MG) reuniu na reta final da campanha mais de 10 milhões de “soldados”, que se mobilizavam nas redes a cada ordem unida de Janones, o general, sintetizada no grito imperativo: “Explode!”.
“De fato explodiu e nós saímos vitoriosos. O campo da esquerda conseguiu assumir o protagonismo nas redes jamais visto. Nesses 20 dias de disputa no segundo turno, pautamos os assuntos das redes praticamente todos os dias. Driblamos os algoritmos e enfrentamos as Big Techs americanas, que agiam em conluio com o governo Trump para sabotar a campanha de Lula nas redes e favorecer a de Flávio. Essa vitória de domingo não é só sobre Flávio, mas contra o imperialismo norte-americano que queria submeter o Brasil ao chamado ‘Escudo das Américas’. Como ressaltou Lula no discurso da vitória, o Brasil não será o quintal de ninguém”, enfatizou o coordenador-geral do Sindicato dos Bancários/ES, Carlos Pereira de Araújo (Carlão).
Ele acrescentou que a vitória de Lula evitou um retrocesso em cadeia em diversos setores da sociedade. Os projetos sociais, advertiu Carlão, seriam alvos preferenciais do tesouraço de Flávio. “Novas reformas retirariam proteções trabalhistas e promoveriam ataques às regras de aposentadoria e Previdência. No caso da categoria bancária, a privatização do Banco do Brasil e a desestruturação da Caixa como banco de fomento social estavam nos planos do candidato da extrema direita. O ataque aos sindicatos também estava contratado. Aliás, destruir os sindicatos é quase uma obsessão dos Bolsonaro, que classificam o movimento sindical como um estorvo para os trabalhadores”.
Povo nas ruas
O dirigente destacou que as mobilizações nas ruas combinadas com as ações coordenadas nas redes sociais foram sem dúvida o grande trunfo do campo progressista para vencer as eleições. Os dirigentes sindicais e os bancários se somaram à militância que tomou as ruas de Vitória especialmente no segundo turno. “Em cada novo ato, a gente sentia que o movimento crescia espontaneamente. O ato do sábado aqui em Vitória, véspera da eleição, foi histórico. A massa humana atravessando a Terceira Ponte é uma fotografia que ficará eternamente gravada nas nossas mentes. Foi inesquecível sentir o chão literalmente tremer no vão da ponte. Era a massa humana pulsando pela reeleição de Lula”.

Capixabas atravessam a Terceira Ponte em ato de apoio a Lula na véspera do segundo turno (Foto: Sérgio Cardoso/Sindibancários/ES)
Segundo Carlão, as pessoas estavam confiantes na vitória de Lula, apesar de todas as pesquisas eleitorais cravarem o candidato da extrema direita como franco favorito. “A sensação naquele momento é de que a onda da virada que se formava ao mesmo tempo na Terceira Ponte, Avenida Paulista, Cinelândia e em outras cidades do país, seria capaz, mais uma vez, de interromper a marcha fascista no Brasil e eleger Lula pela quarta vez”, disse Carlão.
No discurso da vitória, Lula também compartilhou com a população brasileira essa sensação de virada no ato final da Paulista. “Estou dizendo isso porque vocês sabem que o que eu vi nesse segundo turno, nessas eleições, o que eu vi em todos os estados brasileiros, mas principalmente o que eu vi na Avenida Paulista ontem [sábado, 24], é algo que eu não acredito, que o Alckmin, que foi governador [de São Paulo por quatro mandatos], que participou das Diretas Já. A gente nunca conseguiu ver, não só pela quantidade de gente, mas pelo entusiasmo. E eu fiquei muito emocionado, porque me deu vontade de pedir, na frente do mastro, para cantar o Hino da Independência. Eu fiquei boquiaberto de ver a excitação das pessoas cantando em independência, principalmente quando falava ou ‘ficar a pátria livre ou morrer pelo Brasil’. Numa demonstração de que esse país não aceita ser quintal de ninguém”, afirmou o presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva.






