A partir desta terça-feira (20), o Sindicato dos Bancários/ES não conseguiu impulsionar conteúdos em seu perfil institucional do Instagram. As postagens censuradas faziam alertas à categoria bancária sobre a ameaça de privatização de empresas públicas, especialmente Caixa e Banco do Brasil, caso o candidato Flávio Bolsonaro seja eleito presidente. O coordenador-geral do Sindicato, Carlos Pereira de Araújo (Carlão), classificou a medida da Meta como censura.
“A censura imposta pela Meta impede que o Sindicato exerça seu papel legítimo de se comunicar livremente com a categoria à qual representa. Somos um Sindicato classista. Nossos posicionamentos, como não podia ser diferente, são políticos. Consequentemente, nossos conteúdos também o são. A política é orgânica para nós. Defender os direitos da classe trabalhadora significa obrigatoriamente fazer política o tempo todo. Nesta eleição, as declarações e o programa do candidato da extrema direita representam uma ameaça concreta à categoria bancária. As privatizações da Caixa e do BB não podem ser desconsideradas. Flávio afirmou à imprensa que pretende privatizar 95% das empresas públicas. É legítimo alertar os bancários e bancárias sobre os planos do candidato. Afinal, os empregos desses trabalhadores estão em jogo”, adverte Carlão.
A Meta, que administra plataformas como Instagram, Facebook e WhatsApp, informa que apenas as contas e páginas de candidatos, partidos políticos, federações e coligações, registrados previamente no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), podem continuar impulsionando conteúdos até zero hora do próximo dia 23, quando todos os impulsionamentos passam a ficar suspensos até o final do segundo turno das eleições, que acontecem neste domingo (25).
Critério genérico
A Resolução do TSE veda o impulsionamento para instituições e organizações que estão fora dessa lista, caso de ONGs, sindicatos e centrais. Carlão argumenta, no entanto, que a Meta está impondo a foice da censura mesmo a conteúdos que não fazem menção a candidatos ou programas de governo. O dirigente cita como exemplo o caso do Banestes.
“Tentamos impulsionar um vídeo que destaca a importância de mantermos o Banestes público e estadual”. Nesse post, explica Carlão, não são citamos os nomes de candidatos, partidos ou programas de governo. “O conteúdo faz um alerta da ameaça de privatização do banco e aponta as consequências para os empregados do Banestes e para o povo capixaba. Mesmo com esse recorte editorial voltado exclusivamente à categoria, a Meta barrou o impulsionamento do conteúdo, ou seja, fomos impedidos de levar a informação para mais trabalhadores”, critica.
Impulsionamento orgânico
O dirigente pede à categoria que continue, ainda com mais força, compartilhando os conteúdos postados pelo Sindicato. “Com a censura imposta pela Meta, dependemos agora exclusivamente do impulsionamento orgânico de vocês para fazer nossos conteúdos chegarem a mais gente. Dê like, comentem e reposte nossos conteúdos para que possamos contornar a censura imposta pela Meta”, pede Carlão, que completa: “Não vamos aceitar que a comunicação entre o Sindicato e os trabalhadores seja censurada por imposição de uma big tech norte-americana que age a serviço dos interesses geopolíticos de Donald Trump”.
Big techs interferem nas eleições
O coordenador-geral do Sindicato afirma que há diversas evidências nas eleições atuais e anteriores de que as chamadas big techs interferem nas eleições e, não por coincidência, sempre guinando para o lado da extrema direita.
O dirigente tem razão e os estrategistas do presidente Lula já perceberam que não há tratamento isonômico entre as duas campanhas por parte das big techs. No último sábado (17), a campanha de Lula apontou casos nos quais o TSE e a ANPD (Agência Nacional de Proteção de Dados) deveriam analisar sobre a possível interferência da Meta no processo eleitoral.
Houve uma mudança estratégica na campanha de Lula no segundo turno para ampliar os engajamentos nas redes sociais em torno da candidatura do petista. A equipe de Lula flagrou que há um possível privilégio no alcance das publicações de Flávio, apesar de o senador ter um quinto a menos de seguidores (14,1 milhões) no Instagram em relação a Lula (17,3 milhões).
Segundo a equipe de Lula, que formalizou os questionamentos à empresa norte-americana, a Meta reconheceu o favorecimento ao perfil de Flávio, alegando problemas técnicos. No último dia 14, a campanha de Lula voltou a questionar a Meta. Segundo a equipe petistas, os apoiadores do presidente se queixaram que não conseguiam criar conteúdos na IA (Inteligência Artificial) oferecida no WhatsApp com os termos “Lula 13”. A IA, no entanto, gerava normalmente o conteúdo “Flávio 22”. A empresa alegou novamente problemas técnicos e descartou viés ideológico.
“Esse histórico das big techs dá margem para que o Sindicato classifique as restrições impostas a conteúdos exclusivamente voltados à categoria como censura. Mas se eles insistem em limitar o alcance de nossas posições, vamos responder com mais mobilizações, informações e lutas. Censura não se enfrenta com silêncio, mas com coragem e organização”.






