A classe trabalhadora capixaba viveu um dia histórico com a realização da Greve Geral, no último dia 11. Mais de 400 mil trabalhadores aderiram à paralisação, na Grande Vitória, o que levou à interrupção da produção nas grandes indústrias instaladas na região, das atividades portuárias, dos serviços, das atividades do poder público. A Greve Geral aconteceu nacionalmente, em grandes e pequenas cidades. Proporcionalmente, considerando tamanho e população, o Espírito Santo ficou entre os estados que alcançaram os maiores índices de paralisação.
Uma greve com tal proporção entra para a história da militância capixaba por muitos aspectos. Um deles foi o impacto que teve na vida dos moradores da Grande Vitória. De fato, a Greve Geral parou as cidades, interrompeu a produção e o consumo em massa. Outro aspecto relevante foi a união da classe trabalhadora do campo e da cidade para a realização do ato. Participaram da ação de maneira organizada e unificada entidades sindicais, movimentos sociais do campo e da cidade, partidos políticos, populares.

Nos últimos anos, a sociedade tem tomado às ruas do país e do estado em busca de melhores condições de vida e trabalho, entretanto, essas manifestações têm sido marcadas por ações segmentadas. As categorias dos bancários, servidores públicos, professores, entre outros, fazem suas respectivas greves. Os trabalhadores do campo e da periferia das grandes cidades têm fortalecido suas lutas por mais dignidade. Indígenas e povos tradicionais revindicam, em protestos, as terras que lhes são de direito. Mulheres e homossexuais estão nas ruas em luta por mais respeito. E a juventude, nas últimas semanas, tem demonstrado sua insatisfação com os modelos de cidade e governo instalados no Brasil, lotando ruas, ocupando prédios públicos, se manifestando.
O dia da Greve Geral entra para a história por ter sido um dia onde todos esses movimentos se uniram para realizar um ato coletivo e de grandes proporções. “O que vimos nas ruas foram pessoas defendendo diferentes bandeiras que tinham em comum o desejo de mudar uma realidade opressora e perversa com a maioria da população. A classe trabalhadora organizada mais os movimentos sociais construíram a maior greve da nossa história”, afirma o Coordenador Geral do Sindicato dos Bancários/ES, Carlos Pereira de Araújo, o Carlão.
A greve do dia 11 foi marcada pelo fechamento das principais vias de acesso às cidades da Grande Vitória e por atos que percorreram as ruas da capital até a Assembleia Legislativa, onde houve a união dos manifestantes. “Muitas pessoas quiseram participar dos atos, mas não conseguiram chegar, justamente, porque havíamos interrompido as vias. Parar as cidades e interromper o setor produtivo era o principal objetivo da greve. Ainda assim, milhares de pessoas se reuniram em frente a Assembleia. Esse foi um dia de vitórias para a classe trabalhadora”, comenta o diretor do Sindicato dos Bancários/ES, Jessé Gomes de Alvarenga.
Cobertura
O que temos visto nas últimas semanas com as grandes marchas pelas ruas de Vitória, com a Greve Geral, com a ocupação durante 12 dias da Assembleia Legislativa por manifestantes é a força da sociedade que, coletivamente, tem dado visibilidade a suas demandas, pressionado o poder público e conquistado vitórias para a população, como a redução do pedágio da Terceira Ponte.
Apesar disso, a grande imprensa capixaba insiste em criminalizar as manifestações e, principalmente, em desqualificar as organizações coletivas entre elas os sindicatos, os partidos políticos, os movimentos sociais, os protestos estudantis. A grande imprensa tem servido de ferramenta para desmobilizar a sociedade e fortalecer o projeto político e econômico implementado no estado.
Por isso, uma das pautas de reivindicação dos movimentos que tem tomado as ruas do país e do estado é a democratização dos meios de comunicação. O fim do monopólio das mídias é necessário para que uma nova forma de comunicação, mais plural e democrática, possa ser desenvolvida no Brasil.
Unidas à bandeira de democratização da mídia, estão outras reivindicações que compuseram a pauta da Greve Geral. Em nível estadual são reivindicações o fim do pedágio da Terceira Ponte e uma reforma urbana que priorize questões de mobilidade e habitação na região da Grande Vitória. Na pauta nacional os trabalhadores cobram uma auditoria na dívida pública brasileira; o fim do PL 4330, que libera a terceirização no país; a destinação de 10% do PIB para a educação pública e 10% do Orçamento da União para a saúde.

