Uma caminhada seguida de ato público para marcar o Dia Internacional de Luta da Mulher (8 de março) será realizada na próxima sexta-feira, 6, em Vitória. A concentração será a partir das 15 horas, em frente à Defensoria Pública, na Avenida Jerônimo Monteiro, no Centro, com caminhada até o Museu do Negro (Mucane). No domingo, 8, as atividades continuam no Parque Moscoso, a partir das 15 horas. Dentre as atrações, haverá oficina de contação de histórias, oficina de automaquiagem para LGBT’s, oficina de ervas (sabonetes, incenso, etc.), música e feira de trabalhos manuais. A programação do Dia Internacional da Mulher está sendo organizada por diversas entidades, incluindo o Sindicato dos Bancários.
Neste ano, o lema que as capixabas vão apresentar é “Basta de violência! Mulheres nas ruas por direitos!”. As mulheres vão denunciar todas as formas de violência, desde os crescentes índices de feminicídio, passando por trabalhos aviltantes, relacionamentos abusivos, dupla jornada de trabalho, menor acesso a vagas no mercado de trabalho e a cargos de comando, quando empregadas, assim como rebaixamento salarial, assédio moral e sexual.
O movimento também vai exigir a revogação das reformas trabalhista e da Previdência, cujos impactos são enormes na vida das mulheres tendo em vista que, além do trabalho externo, a elas ainda é dado o papel do cuidado doméstico com idosos e crianças. Denunciará a política do Governo Bolsonaro e será também um dia de luta por justiça à Marielle Franco, vereadora carioca assassinada há dois anos.
“O 8 de Março é um dia de luta. Este ano, em especial, com tantas reformas que penalizam ainda mais as mulheres, estaremos colocando nossas pautas nas ruas com a perspectiva de denunciar o machismo estrutural, o feminicídio, os relacionamentos abusivos, o desemprego, a violência do Estado direcionada principalmente contra as mulheres negras, quilombolas e indígenas. Juntas, estaremos nas ruas por nossos direitos e por uma sociedade diferente da que estamos vivendo”, afirma a diretora do Sindicato Lindalva Firme.
Feminicídio
No Brasil, uma das formas de violência que tem crescido assustadoramente é o feminicídio. De acordo com a Comissão Internacional de Direitos Humanos (CIDH) – órgão autônomo da Organização dos Estados Americanos (OEA) – 13 mulheres são assassinadas por dia no país. Só no primeiro mês de 2019, foram 126 feminicídios e 67 tentativas de assassinatos. Em 2019, 124 pessoas transexuais foram assassinadas no Brasil, o país mantém a liderança mundial com o maior número de assassinato da população LGBT.
“Os assassinatos de mulheres são a forma mais extrema de violência e discriminação contra elas e representam uma violação flagrante de seus direitos humanos”, disse a comissária Antonia Urrejola, relatora para o Brasil da CIDH.
O ES ocupa o quinto lugar no ranking brasileiro de homicídios de mulheres e o primeiro lugar nos homicídios de mulheres negras. Foram, em 2019, 89 homicídios dolosos contra mulheres e 33 feminicídios. Total de 122 mulheres assassinadas. Somente esse ano, já temos 15 feminicídios no ES.
Os casos de feminicídio não podem ser tratados como questões individualizadas e isoladas, mas sim sintomas de um padrão de violência de gênero resultado de valores machistas profundamente arraigados na sociedade capitalista.
Apesar dessa situação preocupante, o Brasil não conta com um governo que tenha uma política de atenção às mulheres. Muito pelo contrário. Os investimentos na manutenção e ampliação da rede “Casa da mulher brasileira” – Centros Integrados de Atenção às Vítimas de Violência – foram zerados em 2019. Para 2020, o orçamento da Secretaria da Mulher teve sua verba reduzida de R$ 119 milhões para R$ 5,3 milhões, segundo levantamento das organizadoras do 8 de Março.
Contribuições
As organizadoras do movimento 8 de Março estão recebendo contribuições para cobrir os custos do evento pelo aplicativo PicPay: @8m.es.2020 – https://picpay.me/8m.es.2020
Foto de capa: Sérgio Cardoso










