O encerramento do mês de março, dedicado à mulher, foi marcado por uma vigília no fim da tarde de ontem, 31, na calçada em frente à praça Costa Pereira, no Centro de Vitória. Velas acesas, cruzes, calçados femininos e cartazes foram expostos para representar as 29 mulheres assassinadas somente neste ano no Estado. O ato foi organizado pelo Fórum Estadual das Mulheres e teve a participação de vários movimentos, entidades e fóruns feministas capixabas.

(Foto: Sérgio Cardoso)
Durante a vigília, foram distribuídos panfletos com denúncias da violação dos direitos das mulheres e as reivindicações do movimento feminista para a população. Maior compromisso por parte do Governo na implementação dos mecanismos de proteção exigidos pela Lei 11.340, a Lei Maria da Penha está na pauta de luta das mulheres.
“É importante ocuparmos o espaço da rua, mobilizando as pessoas pelo fim da violência contra as mulheres e por nossos direitos. Também mantemos um diálogo com o Governo, mas diante dessa realidade é necessário continuar com a manifestação na rua para denunciar a situação em que nós, mulheres, vivemos”, enfatiza a integrante do Fórum Estadual das Mulheres, Edna Martins.
Em 2012, segundo o Fórum Estadual das Mulheres, cerca de 113 mulheres foram assassinadas no Espírito Santo. No ano de 2013 esse número subiu para 158. “Não podemos aceitar que a cada dia, nas capas dos jornais, estejam estampados mais casos de mulheres vítimas de violência. Temos que nos indignar com esse número que cresce de forma alarmante. Cobramos das autoridades mais políticas públicas, educação, saúde e atenção para as mulheres”, destaca a diretora do Sindibancários/ES, Lucimar Barbosa.
Marcas
Ana Cristina Ribeiro de Castro Goulart, 48 anos, passava pelo Centro de Vitória quando viu o ato e resolveu participar. Vítima de violência doméstica durante anos, Ana contou que não poderia ficar imóvel diante da vigília e logo resolveu carregar um cartaz e contribuir com a manifestação.
“Já passei por essa situação de violência e tive que aguentar apanhar do meu marido até meus filhos se formarem. Consegui me livrar porque reagi e fui até a delegacia denunciar e tornei minha dor em uma queixa. Hoje, minha luta é a minha reconstrução. Acredito que o maior empecilho para as mulheres é conseguir ir até uma delegacia e denunciar. Esse crime deveria ser inafiançável e as mulheres deveriam ter apoio psicológico e a garantia de que se denunciarem não vão apanhar ou morrer”, disse.
O Espírito Santo permanece como primeiro no ranking de homicídios femininos e a maioria das mulheres é vítima de violência doméstica e de crime passional. Coordenador do Fórum de Homens Capixabas pelo Fim da Violência contra a Mulher, João José Barbosa Sana, também participou do ato. “Somos solidários a essas companheiras que hoje lutam pelo fim da violência. É fundamental que os homens repensem suas práticas e, assim, possamos construir relações igualitárias de gênero”, frisa.
O presidente do Sindibancários/ES (de 1988 a 1991 e de 1991 a 1994), Paulo Pinto também participou da vigília. “Esse número é assustador. Acho que o combate à violência contra a mulher deveria começar na pré-escola até o nível superior e ser tema de encontros em centros comunitários. Caso contrário, daqui a 30 anos estaremos novamente acendendo mais velas para mulheres vítimas de violência”, declarou.

