O Conselho de Administração da Caixa aprovou nessa terça-feira, 14, o nome de Henriete Bernabé para assumir a Vice-Presidência de Riscos (Vicor) da empresa. A confirmação causou surpresa e indignação porque é notória a ligação de Henriete com a gestão de Pedro Guimarães. “É preciso registrar que Henriete ascendeu aos cargos do alto comando da Caixa durante o governo Bolsonaro. Sinceramente, não esperávamos que a atual direção da Caixa permitisse que um cargo tão estratégico e que concentra tanto poder de decisão fosse ocupado por alguém com uma ligação tão estreita com Bolsonaro e o ex-presidente da Caixa. Não podemos esquecer que Pedro Guimarães manchou para sempre a história da Caixa com os casos de assédio moral e sexual”, afirma Lizandre Borges, diretora do Sindicato dos Bancários/ES e integrante da Comissão Executiva dos Empregados (CEE-Caixa).

inicialmente, Henriete, que é empregada de carreira da Caixa há 24 anos, assumiu a Vice-Presidência de Logística e Pessoal (Vilop), atuando como diretora na DEOPC e, posteriormente, como vice-presidente da área, no período em que a logística e segurança da Caixa passou por processos de reestruturação, afetando os empregados e o atendimento de demandas.

Posteriormente, Henriete assumiu a Vimar, responsável por fundos de governo, como o FCVS, FGTS e DPVAT. Em sua passagem pela Vimar, os empregados de áreas vinculadas à sua Vice-Presidência denunciaram à Apcef-SP o risco de prejuízos no resultado consolidado na GDP decorrentes de decisões arbitrárias da administração. Após intervenção dos dirigentes da entidade, foram realizadas mudanças para evitar os impactos.

À ocasião, o Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região também recebeu outras denúncias de empregados vinculados à Vice-Presidência sob o comando de Henriete, como o cancelamento unilateral de férias que já estavam acordadas e programadas, com a justificativa de “alta demanda” na Cevat. As queixas dos empregados eram recorrentes, sobretudo as relacionadas ao desrespeito à jornada de trabalho e à imposição de metas abusivas, com relatos do uso do teletrabalho como forma de evitar o controle da jornada e seus reflexos, “viabilizando” o atingimento das metas. Após sair da Vimar, Henriete assumiu a vice-presidência de Habitação (Vihab).

Lizandre afirma que não considera coincidência o fato de a carreira profissional de Henriete ter decolado na gestão de Pedro Guimarães. “A trajetória de Henriete mostra claramente que ela ganhou a confiança de Guimarães. Quando olhamos para o legado de Pedro Guimarães, não podemos conceber que as pessoas que compartilharam e apoiaram de alguma maneira a gestão de um assediador tenham condições de assumir qualquer cargo de relevância na instituição ”, diz Lizandre. Mesmo com a queda do então presidente da Caixa, após os casos de assédio virem à tona, completa a dirigente, Henriete continuou gozando de grande prestígio dentro do grupo de Bolsonaro. “Tanto é que substituiu Pedro Guimarães interinamente até Daniella Marques assumir a presidência da instituição em definitivo”, recorda Lizandre.

No dia 20 de janeiro deste ano, a Caixa publicou fato relevante para comunicar a destituição de quatro vice-presidentes nomeados pelas gestões de Pedro Guimarães, entre eles, Henriete Bernabé, que estava à frente da Vice-Presidência de Habitação à ocasião. A Caixa nomeou substitutos interinos até a conclusão do processo seletivo. Por isso causou tanta estranheza nos meios sindicais e entre os empregados que Henriete voltaria para assumir uma nova Vice-Presidência, já sob a gestão de Rita Serrano à frente da Caixa.