
Por André Tosta, bancário da Caixa
A cada ano cresce o número de marcas, produtos e instituições que se vestem com as cores do arco-íris em junho para ‘celebrar’ o Mês do
Orgulho, em um pinkwashing* conhecido e esperado: outdoors coloridos, embalagens com frases de efeito, um sem-número de ações de marketing que logo serão apagados e esquecidos no próximo mês. Uma visibilidade pelo mercado, mas ainda sim uma visibilidade.
Não que a estratégia de apostar na visibilidade com o objetivo de alcançar a inclusão tenha sido um fracasso. Não foram poucas as críticas elaboradas quanto ao alcance político das chamadas “Paradas Gays” iniciadas na década de 1990 (geralmente críticas quanto ao aspecto festivo e pouco militante, acusando as paradas de serem ‘Carnavais’ e esquecendo que o Carnaval também é político). Mas, se não fossem as grandes manifestações publicas teríamos tido sucesso em nossos avanços? O matrimonio para os casais de mesmo sexo, a equiparação da homo e transfobia com o crime de racismo, o direito de LGBTQIAPN+ de doarem sangue e adotarem?
Agora, devemos ter em mente como os direitos adquiridos são na prática exercidos e acionados. E de como esses desafios chegam, de forma direta, em nosso ambiente de trabalho. Não temos políticas de inclusão de pessoas trans nos quadros de pessoal, muito menos uma resposta consistente dos bancos para atendimento dessa população nas agências. Nossas e nossos colegas, quando contratadas e contratados, encontram um ambiente hostil, voltado à competição e aos resultados, em que suas vivências pessoais devem passar “apagadas” para não sofrerem represálias (ou, como ouvi certa vez, “quem gostaria de ter como chefe um gay?”). E como faremos com as diversas configurações de convivência, de afeto e de companheirismo que não são sequer reconhecidas como tais, já que não correspondem a alguns ideais de família?
Não é apenas no Mês do Orgulho que devemos mostrar quem somos, como somos e quem amamos. Mas, é em momentos assim que lutamos e construímos o futuro que queremos: em que a visibilidade não seja mais uma estratégia política, abandonada em julho. E sim, um futuro acolhedor que celebre a diversidade e perceba o quanto ela enriquece todos os espaços (inclusive o ‘pobre’ espaço do banco).
Pinkwashing – termo em inglês usado para identificar quando marcas e empresas se aproximam do movimento LGBTQIAP+ durante o Mês do Orgulho.

