Pela vida das mulheres, fora Bolsonaro!

09/03/2020 13:11

Na Marcha do Dia Internacional da Mulher, o Sindicato lembrou que desemprego também é violência.

Fotos: Sérgio Cardoso

Uma caminhada pelas ruas de Vitória realizada na sexta-feira, 6, antecipou a celebração do Dia Internacional da Mulher, 8 de Março, que marca as lutas das mulheres em todo o mundo por transformações políticas que garantam a verdadeira igualdade entre homens e mulheres e vida digna para a classe trabalhadora.

Organizada por entidades sindicais, do Fórum de Mulheres, movimentos populares e movimentos estudantis, numa articulação denominada 8M Unificado-ES, a Marcha percorreu a Jerônimo Monteiro, desde a Defensoria Pública,  até o Museu do Negro (Mucane), no Parque Moscoso. Diversas atividades culturais, como a apresentação do Coral Serenata, composto por 120 crianças, aconteceram durante o ato, dando colorido e mostrando a diversidade do evento que reuniu pessoas de todas as faixas etárias.

Calendário de lutas

A Marcha abriu o calendário da jornada 2020 dos atos de rua contra a política do governo Bolsonaro, que ataca direitos civis e trabalhistas da população, desmonta a rede social pública para impor um Estado mínimo, rifa as empresas estatais ao mercado, se apropria das terras indígenas para entregá-las às mineradoras e ao agronegócio. Com o tema Basta de Violência! Mulheres nas Ruas por Direitos, a Marcha também falou do feminicídio, que é crescente no Espírito Santo, o desemprego – um das formas de violência -, o racismo e o machismo.

“As mulheres e os homens lutam juntos. E unidos viemos às ruas dizer ao Bolsonaro que nós derrotaremos esse governo. Estamos marchando hoje pelo direito à Previdência, pelo direito ao trabalho, pelo direito à vida, ao nosso corpo, pela democracia, ditadura nunca mais! As mulheres não podem continuar morrendo e esse governo desrespeitando nossa vida”, disse Rita Lima, diretora do Sindicato e representante da Intersindical, na primeira parada da Marcha, em frente ao Sesc Glória.

Ela também destacou em seu discurso: “Este 8 de Março marca o início da jornada de luta que vamos empreender até derrotar Bolsonaro. Vamos lutar por justiça nos dois anos da morte de Marielle, que não pode ficar impune. No dia 18, marcharemos unidos, trabalhadores da iniciativa privada e do serviço público em defesa da Educação, da Segurança e da Saúde, para dizer que queremos o Estado para o povo, não o Estado para os banqueiros, para os Estados Unidos e para o capital internacional”. A jornada se estenderá até 1º de maio, Dia do Trabalhador.

A diretora do Sindicato Lindalva Firme falou em nome da entidade na segunda parada da Marcha, na Praça 8, lembrando que não há motivos para comemoração nesta data, mas para fortalecimento da luta. “As medidas tomadas por este governo atingem a classe trabalhadora de forma geral, em especial as mulheres, que exercem jornadas estendidas para além dos seus ambientes de trabalho, sobretudo as mulheres negras, do campo, e de periferias. O feminicidio só aumenta no Espírito Santo, e este governo fecha os olhos para os números alarmante. É falta de creche para deixar nossas crianças, falta de políticas públicas de qualidade para que essas mulheres tenham condições mínimas de disputarem igualmente com os homens. Não podemos aceitar tantos retrocessos e descasos, lutaremos juntas até conseguirmos o que é nosso por direito.  Fora Bolsonaro! Por uma sociedade sem machismo, sem racismo e sem fascismo!”, afirmou.

População

A manifestação chamou  a atenção de quem estava no comércio ou passando pelas ruas do Centro de Vitória. “Falar de machismo é algo que me toca”, afirmou a operadora de crédito Talita Cruz, que estava num ponto de ônibus. “Nós, mulheres, temos a mesma capacidade que os homens, mas há a desvalorização do nosso trabalho, as desigualdades”, completou ela.

A auxiliar de serviços gerais Lorraine Gonçalves, 28 anos, também passava pela Jerônimo Monteiro e afirmou: “Me sinto sim representada nessa marcha”, citando a violência, o abuso de poder e as desigualdades como os temas que mais percebe no cotidiano das mulheres de um modo geral.

A caminhada foi encerrada em frente ao Museu do Negro com a performance Belas de Luto em Luta contra a Ditadura. Vestidas de preto, o grupo escreveu com giz no asfalto nomes de mulheres que foram assassinadas desde o período da ditadura militar até os dias atuais. “São as vítimas de ontem e de hoje”, afirmou a produtora cultural Stael Magesck. Em seguida, o grupo fez um ritual com velas. A leitura de uma poesia encerrou a Marcha.

Lutar e resistir

Para a diretora do Sindicato Evelyn Flores, 08 de Março é um dia de luta e resistência em defesa de direitos conquistados ao longo da história por mulheres que deram suas vidas nessas batalhas. “Estivemos nas ruas para dizer basta de violência para este Estado e governo ultraliberal e claramente misógino e homofóbico. Exigimos políticas públicas para mulheres, respeito e liberdade aos nossos corpos”, afirmou.