Embora tenha sido descoberta em 1974 pelo médico norte-americano Freudenberger, a síndrome de burnout ou síndrome do esgotamento profissional é uma doença que ganhou destaque nesses últimos anos do século 21. Um levantamento feito em 2019 pela International Stress Management Association (Isma-BR) apontou que a síndrome no Brasil afeta cerca de um terço (32%) da classe trabalhadora. Para se ter uma ideia da gravidade desse dado, esse índice põe o Brasil na frente da China e dos Estados Unidos.

Preocupado com o avanço da burnout, o psicólogo e pesquisador Rui Carlos Stockinger, da Universidade Católica de Petrópolis (RJ), está desenvolvendo um estudo para compreender melhor os fatores associados à síndrome de burnout, ampliando a possibilidade de diagnóstico e de tratamento, além de apontar para as causas da ocorrência e contribuir com propostas de cuidados com a saúde da categoria bancária.

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Doença cresce entre bancários

O pesquisador afirma que a doença apresenta um crescimento expressivo entre bancários e as bancárias. A síndrome de burnout, segundo Stockinger, define-se por sintomas como o esgotamento físico e psicológico, o distanciamento afetivo dos demais, certa insensibilidade ou perda do sentido do eu e baixa realização profissional, caracterizada por sensações e sentimentos de ineficácia e baixa autoestima.

Ronan Teixeira, diretor de Saúde do Sindicato dos Bancários/ES, destaca a importância e urgência de se fazer esse mapeamento junto à categoria bancária. O dirigente diz que os bancos em geral vêm cortando postos de trabalho e aumentando a pressão sobre os trabalhadores para o cumprimento de metas cada vez mais desumanas. “As metas geram ansiedade e incertezas ao trabalhador. Essa sensação de baixa eficácia, por exemplo, descrita entre os sintomas da doença, é bastante latente no ambiente de trabalho bancário. Os bancos impõem uma pressão por metas cada vez maior e contínua ao bancário”, sublinha.

O dirigente também destaca a importância da pesquisa pelo fato de a doença ser subdiagnosticada no Brasil. “O estudo vai ajudar o bancário e a bancária a entenderem melhor a doença para identificá-la. Além disso, os dados levantados pela pesquisa vão nos ajudar a desenvolver ações na área da saúde para enfrentar a síndrome de burnout”.

Participação é vital

A pesquisa, ressalta o psicólogo da Universidade Católica de Petrópolis, investigará a relação entre conflitos de valores pessoais e éticos e alterações de identidade na síndrome de burnout em bancários, como por exemplo o distanciamento entre identidade pessoal e profissional, sentimentos de vazio, de perda de contato com as próprias vontades, o automatismo e rigidez no comportamento, sentimentos de incapacidade de refazer a vida fora da instituição bancária e sensações de recusa involuntária à ida ou permanência no ambiente de trabalho.

Ronan reforça a importância dos bancários e das bancárias da base do Sindicato no Espírito Santo participarem da pesquisa. “É a partir da análise dos dados nacionais da categoria que o pesquisador terá elementos para fazer esse mapeamento tão necessário. Quanto maior a participação, melhor a qualidade da amostragem”, afirma.

Pesquisa

Os sindicatos da categoria de cada uma das bases do país estão encarregados de incentivar os bancários a responderem o questionário da pesquisa intitulada “Conflitos de valores, alterações de identidade e desgaste emocional em bancários”.

Todo bancário pode participar, mesmo que não tenha sintomas da doença. Para preencher o questionário da pesquisa, basta clicar aqui.