Bancárias e bancários do Espírito Santo se reuniram na noite dessa quinta-feira, 28, em plenária virtual, para saber a quantas andam as negociações da Campanha Nacional de 2022. Foram apresentados, além do balanço geral das tratativas com a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), os destaques das mesas específicas dos bancos públicos e privados.
Diretoras e diretores que estão à frente das negociações destacaram durante a plenária a importância de se intensificar a mobilização para a luta que será travada especialmente nas próximas rodadas, quando se iniciam as discussões das cláusulas econômicas. “Nesta conjuntura de inflação de dois dígitos, recessão, fome e desemprego, os bancos vão querer tirar ainda mais dos trabalhadores e das trabalhadoras. É hora de pôr a faca nos dentes e ir para a luta. A discussão das cláusulas econômicas será duríssima. Precisamos manter a união para garantirmos a reposição da inflação, o aumento real de 5% e o gatilho para proteger os salários dessa inflação galopante. Lembrem-se, contamos só com nós mesmos”, alertou a coordenadora-geral do Sindicato, Rita Lima.
Rodadas com a Fenaban
Imediatamente após o término da rodada que discutiu “Segurança Bancária” com a Fenaban – que se estendeu até o início da noite dessa quinta-feira -, o diretor do Sindicato e integrante do Comando Nacional do Bancários Carlos Pereira de Araújo (Carlão) abriu a plenária com os bancários e bancárias da base capixaba fazendo um resumo dos pontos mais importantes que foram discutidos ao longo dessas cinco rodadas de negociações com os bancos.
Na rodada “Emprego e Terceirização”, Carlão chamou atenção para o fato de os bancos estarem avançando com as terceirizações. Ele destacou o processo no Santander, que está mais acelerado em comparação com os outros bancos. Mas advertiu que a tendência é de que o processo se alastre rapidamente para os outros bancos”. O dirigente disse também que o Comando cobrou da Fenaban o compromisso para que cessem as demissões, além de reivindicar a manutenção dos empregos.
Nessa rodada de negociação os representantes dos bancários também defenderam a redução da jornada de trabalho semanal de cinco para quatro dias. A pauta tem como proposta garantir melhores condições de trabalho e de saúde para os bancários, gerando um equilíbrio entre a vida profissional e pessoal do trabalhador.
“No final das contas, sobre essas reivindicações, os bancos não disseram nem que sim nem que não, deixaram nossa demanda no ar”, disse Carlão.
DEFINIDOS OS TEMAS DAS RODADAS DE NEGOCIAÇÃO DA CAMPANHA NACIONAL
COMANDO NACIONAL DEFENDE O EMPREGO BANCÁRIO E O FIM DAS TERCEIRIZAÇÕES
SAÚDE DO TRABALHADOR É DESTAQUE EM NEGOCIAÇÃO COM A CAIXA
FENABAN PROMETE PROPOSTA DE COMBATE AO ASSÉDIO SEXUAL
Assédio moral e sexual
As denúncias de assédio sexual envolvendo o ex-presidente da Caixa Pedro Guimarães inverteram a prioridade dos temas previstos na agenda com a Fenaban. “Ante os acontecimento, antecipamos a discussão da mesa ‘Igualdade de Oportunidade’, com destaque para o combate a toda forma de abuso no ambiente de trabalho, sobretudo o assédio sexual”, explicou Carlão.
O dirigente disse que os casos de assédio sexual, que eram mais recorrentes nos anos 1980 e 1990, voltaram com força no governo Bolsonaro , sobretudo na Caixa, sob a gestão de Pedro Guimarães.
Segundo ele, os bancos reconheceram o problema e se comprometeram a apresentar uma proposta efetiva para enfrentar o assédio sexual. O dirigente destacou que a constituição de uma comissão bi-partite para apurar as denúncias, formada pelo banco e sindicato; o acolhimento e a proteção da vítima; e a punição rigorosa ao agressor, foram alguns dos pontos reivindicados pelo Comando dos Bancários.
De outro lado, Carlão relatou que os bancos foram refratários com relação aos casos crescentes de assédio moral, sobretudo pela imposição de metas abusivas – raiz do adoecimento em massa da categoria. “Os bancos não reconhecem essa relação entre assédio moral e adoecimento do bancário. Eles defendem que o adoecimento é um fenômeno da sociedade moderna”. Apesar da divergência em relação ao assédio moral, continua Carlão, a Fenaban ficou de apresentar uma proposta à categoria.
Teletrabalho
Sobre a rodada de “Teletrabalho”, Carlão afirmou que os interlocutores da Fenaban concordaram com a necessidade de se criar uma política nacional para regulamentar o novo modelo. “Colocamos na mesa que hoje alguns bancos definiram valores de ajuda de custo, mas isso não basta. É preciso considerar também as questões estruturais, como móveis ergométricos e outras necessidades do trabalhador em home office, como a desconexão, por exemplo, em respeito à jornada”.
O dirigente acrescentou que foi pedido aos representantes da Fenaban a criação de uma canal de interlocução permanente que garanta a comunicação entre o sindicato e o trabalhador. “O bancário e a bancária precisam se manter conectados com o sindicato. O home office não pode isolar o trabalhador. Nossa luta é coletiva”. Os bancos prometeram apresentar uma proposta para o teletrabalho.
Segurança bancária
Segurança bancária foi tema discutido nessa quinta-feira, 29, com a Fenaban. Com a discussão ainda fresca na cabeça, Carlão se disse indignado com a posição dos bancos, que querem retirar as portas giratórias e os vigilantes das agências. “Os bancos jogaram pesado nessa rodada, se mostrando intransigentes em negociar conosco. No Espírito Santo, por exemplo, houve muita luta do Sindicato para conseguirmos que a exigência se transformasse em lei estadual. Se a proposta dos bancos vencer, o negociado prevalece sobre o legislado”.
Carlão apontou que a obrigatoriedade das portas e dos vigilantes reduziu o número de assaltos, dando mais segurança aos bancários e clientes. “A extinção desses aparatos de segurança seria um enorme retrocesso, colocaria em risco a vida do trabalhador”. O sindicalista disse ainda que os bancos argumentam que os novos modelos de agências praticamente não lidam com numerário, justificando a extinção dos mecanismos de segurança.”Ora, mesmo com os aparatos de segurança, nos deparamos frequentemente com notícias sobre quadrilhas invadindo agências em municípios do interior e fazendo reféns trabalhadores e clientes. Os bancos querem mesmo reduzir custos e aumentar suas margens, pondo em risco a vida do trabalhador. Vamos nos manter firmes para assegurar a manutenção das portas giratórias e dos vigilantes. O lucro não pode estar acima da vida”, sublinhou Carlão.
Na contramão dos argumentos dos banqueiros, um levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) aponta que, ainda que em números relativos a transações via agências tenham perdido espaço, 48% delas são com movimentações financeiras. Daí a importância de haver sistemas de segurança e vigilantes.
Mesas específicas
A dirigente Goretti Barone fez um balanço das negociações específicas do Banco do Brasil. Ela relatou que na primeira rodada (“Igualdade de Oportunidades”) o tema assédio ganhou força ainda em repercussão ao escândalo envolvendo o ex-presidente da Caixa Pedro Guimarães. “Solicitamos a formação de comissão bi-partite para apurar os casos de assédio sexual no BB, garantia de proteção à vítima e a apuração e responsabilização dos autores da violência. Proposta muito semelhante à apresentada pelo Comando à Fenaban.
Em outra rodada, Goretti disse que foi discutido “Emprego e Terceirização”. A dirigente destacou o problema enfrentado hoje com o crescimento do número de correspondentes bancários, que dividem as agências com os funcionários do BB, utilizando equipamentos do banco. Segundo Goretti, isso contraria a Resolução 4.935 do Banco Central (Bacen). O BB ignora a norma do Banco Central. “Hoje há um clima de conflito entre bancários e correspondentes que não pode continuar”, apontou.
Sobre a necessidade de novas contratações, tema da rodada de negociação da última quarta, 27, entre a Comissão de Empresa dos Funcionários do BB (CEBB) e o banco, o BB alegou que não pode fazer concurso em ano eleitoral. Hoje o banco tem 89.170 funcionários. Segundo Goretti, seria necessário contratar ao menos mais 10 mil para amenizar a sobrecarga de trabalho.
Caixa
A diretora do Sindicato e integrante da Comissão Executiva dos Empregados (CEE-Caixa) Lizandre Borges apresentou um resumo das negociações específicas. Ela disse que inexoravelmente o caso de assédio sexual envolvendo Pedro Guimarães ganhou amplo destaques nas mesas com a Caixa. “Com relação às denúncias de assédio, a Caixa se comprometeu em fazer uma investigação criteriosa, assegurar a proteção das vítimas e punir os agressores. Vamos seguir acompanhando para exigir que essa apuração seja célere e rigorosa”.
Lizandre também falou sobre a convocação de cerca de 500 candidatos aprovados no concurso de 2014. Ela disse que a Caixa deve abrir as movimentações internas, como acontecia anteriormente, sempre que havia novas contratações.
A dirigente disse também que a Caixa aceitou pôr em discussão as regras da GDP. Outro destaque das rodadas, apontou Lizandre, foi a redução da jornada semanal de trabalho de cinco para quatro dias. “Essa é uma proposta do Comando que está na minuta da Campanha Nacional deste ano que também estamos discutindo com a Caixa. Os representantes da Caixa disseram que vão aguardar a evolução do tema na mesa nacional para se posicionar”, resumiu.
A dirigente disse ainda que o adoecimento em massa dos empregados da Caixa, em função da imposição de metas abusivas, também foi outro tema que ganhou amplo destaque.
Banestes
A Banescaixa foi o destaque nas negociações específicas com o Banestes, disse o secretário-geral do Sindicato, Jonas Freire. “Cobramos do banco a constituição de novo grupo de trabalho para retomarmos a discussão, paralisada ainda no início da pandemia”. Jonas apontou que cerca de 45% dos aposentados do Banestes estão fora do plano, porque não conseguem pagar as mensalidades. “Saúde é um assunto prioritário. Vamos seguir discutindo a Banescaixa mesmo após o fim da campanha”, garantiu Jonas.
Bandes
As tratativas com o Bandes ainda estão bem incipientes, explicou o diretor do Sindicato Idelmar Casagrande. “Apresentamos a minuta ao Bandes na semana passada e estamos aguardando o agendamento da primeira rodada de negociação”, afirmou Idelmar.
“Chumbo grosso”
Para o representante do Comando Nacional, a intransigência da Fenaban em se negar a negociar a manutenção dos aparatos de segurança, sinaliza que vem “chumbo grosso” pela frente. “Na segunda-feira, 1, debateremos ‘Saúde e Condições de Trabalho’ e na sequência passamos para as rodadas que vão discutir as cláusulas econômicas. A perspectiva é de que teremos uma discussão muito dura, por isso é tão importante a mobilização e o engajamento para a peleja que iremos travar com os bancos. Vamos precisar de todo mundo nas mais diversas frentes de luta, seja nas redes sociais, nas plenárias, na conversa com os colegas e, caso as negociações travem, precisamos estar prontos para uma eventual greve”, advertiu Carlão.
Carlão afirmou também que será necessário fazer mais plenárias daqui para frente. “Todos e todas precisam ficar antenados no andamento das discussões com os bancos. Não podemos esquecer que estamos sob um governo de extrema-direita que vem massacrando a classe trabalhadora nos últimos anos. O voto em Lula nos permite continuar respirando para fazer a luta. Já a reeleição deste ditador significa o sepultamento dos direitos e conquistas que restam aos trabalhadores”.
“A disputa com os bancos é sempre dura, mas é a nossa participação que vai pesar a nosso favor. Agora é guerra. É hora de lutar para conquistar”, clamou Carlão.






