Na reunião de negociação da Campanha Nacional dos Bancários 2022 desta quinta-feira (25), o Comando Nacional dos Bancários conseguiu que a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) aumentasse a proposta de reajuste da PLR para 100% da inflação (INPC). Ainda assim há perdas em relação ao percentual distribuído no ano passado, considerando o recorde de lucro dos bancos e o teto estabelecido na Convenção Coletiva, do qual os banqueiros não abrem mão.

Com a correção da PLR pelo INPC, estimada em 8,88%, nos três maiores bancos privados do país (Bradesco, Itaú e Santander) o percentual de distribuição na regra básica cai de 4,97% do lucro distribuído em 2021 para 4,85%. Na parcela adicional a redução seria de 1,69% para 1,67%.

Os bancos continuam querendo compensar os valores pagos pelos programas próprios na parcela adicional da PLR. Com isso, os bancários de bancos que possuem programas próprios têm perdas diretas na parcela adicional.

O Comando Nacional cobrou proposta global, com aumento real dos salários, mas a Fenaban nada apresentou de novo. Mantém a proposta de reajuste de apenas 5,82% para o salário e demais cláusulas econômicas, o que correspondente a 65% da inflação acumulada entre 1º de setembro de 2021 e 31 de agosto de 2022, conforme projeções.

As negociações seguem na tarde desta sexta-feira, 26, presencialmente, em São Paulo. No início da noite de hoje, acontecem assembleias em todo o país para avaliação das propostas da Fenaban e das apresentadas nas negociações específicas dos bancos públicos.

Os capixabas têm assembleia virtual às 19h, pela plataforma Zoom (acesse aqui a sala). A votação das propostas será aberta em seguida, pelo sistema on-line do Sindicato (acesse aqui o ambiente de votação).

Entenda a projeção da inflação

A estimativa é que ao final de agosto a inflação acumulada entre 1º de setembro de 2021 e 31 de agosto de 2022 feche em torno de 8,88%, mas essa projeção é atualizada semanalmente. O cálculo é feito com base na projeção da inflação pelo IPCA de agosto, medida pelo Banco Central (-0,26), mais o INPC dos 11 meses anteriores (9,16%).

Deflação maquiada

Apesar de os preços dos produtos consumidos pelos trabalhadores (principalmente os itens de alimentação) continuarem aumentando, o governo decidiu reduzir o preço dos combustíveis nos últimos meses, e isso tem jogado o índice de inflação para baixo, gerando deflação.

Mesmo que seja uma deflação maquiada, os índices oficiais são utilizados na negociação, e o Comando Nacional dos Bancários tenta negociar aumentos acima da inflação com o objetivo de cobrir as perdas e gerar aumento real.

Com informações da Contraf